Por Motivo da Morte de Lênin

J. V. Stálin

26 de Janeiro de 1924


Primeira Edição: «Pravda» («A Verdade»), n.º 23, 30 de janeiro de 1924. Discurso pronunciado no II Congresso dos Soviets da U.R.S.S. em 26 de janeiro de 1924 [N14]
Fonte: J.V. Stálin – Obras – 6º vol., Editorial Vitória, 1954 – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução: Editorial Vitória
Transcrição: Partido Comunista Revolucionário
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Fernando A. S. Araújo, Fevereiro 2008.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

capa

Camaradas:

Nós, os comunistas, somos homens de uma tempera especial. Somos feitos de um estofo especial. Somos aqueles que formam o exército do grande estrategista proletário, o exército do camarada Lênin. Não há nada mais alto que a honra de pertencer a esse exército. Não há nada superior ao título de membro do Partido, cujo fundador e chefe é o camarada Lênin. Não é dado a todos ser membro de tal Partido. Não é dado a todos resistir às adversidades e tempestades a que se está exposto, quando se é membro de tal Partido. Mais do que ninguém, são os filhos da classe operária, os filhos da miséria e da luta, os que sofrem as mais duras privações e realizam os mais heróicos esforços, que devem ser membros de tal Partido. Esta é a razão pela qual o Partido dos leninistas, o Partido dos comunistas, se chama também o Partido da classe operária.

Ao deixar-nos, o camarada Lênin legou-nos o dever de manter bem alto e conservar em toda a sua pureza o grande título de membro do Partido. Nós te juramos, camarada Lênin, que cumpriremos com honra este teu mandato!

Durante vinte e cinco anos, o camarada Lênin educou o nosso Partido e preparou-o para ser o mais sólido e mais bem temperado Partido operário do mundo. Os golpes do tzarismo e de seus sicários, a fúria da burguesia e dos latifundiários, os assaltos armados de Koltchak e Deníkin, a intervenção armada da Inglaterra e da França, as mentiras e as calúnias de inúmeros órgãos da imprensa burguesa com suas cem bocas — todos esses escorpiões lançaram-se incessantemente contra nosso Partido, durante um quarto de século. Mas nosso Partido manteve-se firme como uma rocha, rechaçando os golpes incontáveis de seus inimigos e conduzindo a classe operária para a frente, para a vitória. Através de duros combates, nosso Partido forjou a unidade e a solidez de suas fileiras. E graças a essa unidade e a essa solidez conseguiu vencer os inimigos da classe operária.

Ao deixar-nos, o camarada Lênin legou-nos o dever de velar pela unidade de nosso Partido como pelas meninas de nossos olhos. Nós te juramos, camarada Lênin, que cumpriremos com honra também este teu mandato!

Pesado e insuportável tem sido o destino da classe operária. Penosos e cruéis têm sido os sofrimentos dos trabalhadores. Escravos e senhores, servos e barões, camponeses e latifundiários, operários e capitalistas, oprimidos e opressores — assim tem estado constituído o mundo, desde tempos imemoriais, e assim continua ele hoje, na imensa maioria dos países. Dezenas e centenas de vezes tentaram os trabalhadores, no correr dos séculos, libertar-se do domínio de seus opressores e tornar-se donos de seus destinos. De cada vez, porém, vencidos e humilhados, tiveram que bater em retirada e guardar no fundo do coração a humilhação e a injúria, o desespero e a ira, erguendo os olhos para um céu incompreensível, onde esperavam encontrar a salvação. As cadeias da escravidão permaneciam intactas ou eram substituídas por outras, igualmente pesadas e humilhantes. Foi somente em nosso país que as massas trabalhadoras esmagadas e oprimidas conseguiram libertar-se da dominação dos latifundiários e dos capitalistas, substituindo-a pelo domínio dos operários e dos camponeses. Sabeis, camaradas, e o mundo inteiro o reconhece hoje, que essa luta gigantesca foi dirigida pelo camarada Lênin e seu Partido. A grandeza de Lênin consiste, sobretudo, em ter mostrado praticamente às massas oprimidas do mundo, com a criação da República dos Soviets, que não está perdida a esperança de salvação, que a dominação dos latifundiários e dos capitalistas não é eterna, que o reino do trabalho pode ser criado pelos esforços dos próprios trabalhadores e que o reino do trabalho deve ser criado na terra e não no céu. Com isto, acendeu no coração dos operários e dos camponeses do mundo inteiro a esperança da libertação. É isto que explica que o nome de Lênin se tenha convertido no nome mais querido das massas trabalhadoras e exploradas.

Ao deixar-nos, o camarada Lênin legou-nos o dever de conservar e fortalecer a ditadura do proletariado. Nós te juramos, camarada Lênin, que não pouparemos esforços para cumprir com honra também este teu mandato!

A ditadura do proletariado foi estabelecida em nosso país na base de uma aliança entre os operários e os camponeses. Este é o primeiro e fundamental esteio da República dos Soviets. Os operários e os camponeses não teriam podido vencer os capitalistas e os latifundiários sem essa aliança. Os operários não teriam podido vencer os capitalistas se não tivessem tido o apoio dos camponeses. Os camponeses não teriam podido vencer os latifundiários se não tivessem sido dirigidos pelos operários. Toda a história da guerra civil em nosso país o testemunha. A luta pela consolidação da República dos Soviets está longe, porém, de ter terminado; tomou apenas uma nova forma. Anteriormente, a aliança entre os operários e os camponeses tinha a forma de uma aliança militar, porque estava dirigida contra Koltchak e Deníkin. Agora, a aliança entre os operários e os camponeses deve tomar a forma de uma cooperação econômica entre a cidade e o campo, entre os operários e os camponeses, porque está dirigida contra o comerciante e o kulak, porque visa ao abastecimento mútuo dos camponeses e operários de tudo quanto necessitam. Sabeis que ninguém trabalhou com tanto afinco para isso como o camarada Lênin.

Ao deixar-nos, o camarada Lênin legou-nos o dever de assegurar com todas as nossas forças a aliança entre os operários e os camponeses. Nós te juramos, camarada Lênin, que cumpriremos igualmente com honra este teu mandato!

O segundo esteio da República dos Soviets é a aliança dos trabalhadores das diferentes nacionalidades que compõem nosso país. Russos e ucranianos, bachkírios e bielo-russos, georgianos e azerbaidjanos, armênios e daguestanianos, tártaros e kirguizes, uzbeques e turcomenos, todos estão igualmente interessados no fortalecimento da ditadura do proletariado. Não é somente a ditadura do proletariado que liberta esses povos das cadeias e da opressão, eles, por sua vez, protegem nossa Republicados Soviets contra as maquinações e os assaltos dos inimigos da classe operária, com sua dedicação incondicional e sua fidelidade abnegada a ela. Por este motivo é que o camarada Lênin nos falava insistentemente da necessidade de uma aliança voluntária e livre entre os povos de nosso país, da necessidade de sua colaboração fraternal no quadro da União das Repúblicas.

Ao deixar-nos, o camarada Lênin legou-nos o dever de consolidar e estender a União das Repúblicas Soviéticas. Nós te juramos, camarada Lênin, que cumpriremos com honra também este teu mandato!

O terceiro esteio da ditadura do proletariado é nosso Exército Vermelho, nossa Marinha Vermelha. Mais de uma vez nos repetiu Lênin que a trégua que arrancamos aos Estados capitalistas pode ser de curta duração. Lênin indicou-nos repetidas vezes que o fortalecimento do Exército Vermelho e seu aperfeiçoamento constituem uma das tarefas essenciais de nosso Partido. Os acontecimentos relacionados com o ultimato de Curzon e a crise na Alemanha[N15] confirmaram, mais uma vez, que Lênin como sempre tinha razão. Juremos, pois, camaradas, que não pouparemos esforços para fortalecer nosso Exército Vermelho e nossa Marinha Vermelha.

Nosso país se ergue como uma enorme rocha no meio do oceano dos Estados burgueses. Onda após onda cai sobre ele e ameaça submergi-lo e arrasá-lo. Mas a rocha permanece sólida e firme. Em que reside sua força? Não é apenas no fato de que nosso país se apóia na aliança dos operários com os camponeses, de que representa uma aliança de nacionalidades livres e de que tem a defendê-lo o braço poderoso do Exército Vermelho e da Marinha Vermelha. A força de nosso país, sua potência, sua solidez residem na profunda simpatia e no apoio inabalável que encontra no coração dos operários e camponeses do mundo inteiro. Os operários e camponeses de todo o mundo querem manter a República dos Soviets, como seta desfechada pela mão segura do camarada Lênin sobre o campo inimigo, como pilar para suas esperanças de se libertarem da opressão e da exploração, como farol seguro que lhes indique o caminho da libertação. Querem mantê-la e não permitirão que os latifundiários e os capitalistas a destruam. Nisso é que reside nossa força. Nisso reside a força dos trabalhadores de todos os países. Nisso reside também a debilidade da burguesia do mundo inteiro.

Lênin não considerou nunca a República dos Soviets como uma finalidade em si mesma. Considerou-a sempre como um elo indispensável para reforçar-se o movimento revolucionário nos países do Ocidente e do Oriente, como um elo indispensável para facilitar-se a vitória dos trabalhadores de todo o mundo sobre o capital. Lênin sabia que somente esta concepção era acertada, não só do ponto-de-vista internacional, como também do ponto-de-vista da manutenção da própria República dos Soviets. Lênin sabia que esta era a única maneira de levantar o ânimo dos trabalhadores do mundo inteiro para as batalhas decisivas por sua libertação. Foi por isso que Lênin, o líder mais genial dentre os líderes geniais do proletariado, lançou, logo no dia seguinte à instauração da ditadura do proletariado, as bases da Internacional dos operários. Foi por isso que ele nunca se cansou de alargar e fortalecer a união dos trabalhadores de todo o mundo, a Internacional Comunista.

Vistes, nos últimos dias, a peregrinação de dezenas e centenas de milhares de trabalhadores que vieram saudar os restos mortais de Lênin. Mais algum tempo e vereis passarem em peregrinação, diante de seu túmulo, os representantes de milhões de trabalhadores. Podeis estar seguros de que, depois desses representantes de milhões de trabalhadores, não tardarão a vir, de todos os recantos do mundo, os representantes de dezenas e centenas de milhões de homens, para testemunhar que Lênin foi o líder não apenas do proletariado russo, não apenas dos operários europeus, não apenas dos trabalhadores das colônias do Oriente, mas de toda a humanidade trabalhadora do mundo.

Ao deixar-nos o camarada Lênin legou-nos o dever de permanecermos fiéis aos princípios da Internacional Comunista. Nós te juramos, camarada Lênin, que não recusaremos nossa vida para fortalecer e estender a união dos trabalhadores do mundo inteiro, a Internacional Comunista!

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Notas:

[N14] ) O II Congresso dos Soviets da U.R.S.S. realizou-se em Moscou, de 26 de janeiro a 2 de fevereiro de 1924. Na primeira sessão do Congresso, consagrada à memória de Lênin, Stálin pronunciou um discurso em que prestou, em nome do Partido bolchevique, o histórico juramento de velar pelo cumprimento dos princípios de Lênin. O Congresso aprovou o apelo «A humanidade trabalhadora». Para perpetuar a memória de Lênin, o Congresso decidiu editar as obras de Lênin, dar o nome de Leningrado a Petrogrado, estabelecer um dia de luto e levantar o Mausoléu de Lênin na Praça Vermelha de Moscou e monumentos nas capitais das repúblicas federadas, assim como em Leningrado e em Tashkent. O Congresso discutiu o Informe sobre a administração do governo soviético e sobre questões relacionadas com o orçamento da U.R.S.S. e a instituição do Banco Agrícola Central. A 31 de janeiro, o Congresso aprovou a primeira Constituição (Lei Básica) da U.R.S.S., redigida sob a direção de Stálin. O Congresso elegeu o Comitê Executivo Central, o Soviet da União e o Soviet das Nacionalidades. Stálin foi eleito membro do Soviet da União. (retornar ao texto)

[N15] O movimento revolucionário, que se desenvolveu na Alemanha após a crise econômica e política de 1923, levou à criação de governos operários na Saxônia e na Turíngia e à insurreição armada de Hamburgo. O movimento revolucionário foi reprimido e por toda a Europa intensificou-se a reação burguesa. Delineou-se, assim, o perigo de nova intervenção contra a União Soviética. (retornar ao texto)

 

pcr
Inclusão 03/03/2010