Socialismo e Espiritismo

Léon Denis


Capítulo I


capa

ESPIRITISMO E SOCIALISMO estão unidos por laços estreitos, visto que um oferece ao outro o que lhe falta a mais, isto é, o elemento de sabedoria, de justiça, de ponderação, as altas verdades e o nobre ideal sem o qual corre ele o risco de permanecer impotente ou de mergulhar na escuridão da anarquia.

Todavia, antes de tudo, importa bem definir os termos que empregamos. Para nós, o Socialismo é estudo, a pesquisa e a aplicação de leis e meios susceptíveis de melhorar a situação material, intelectual e moral da Humanidade. Nessas condições são numerosas as nuances, as variedades de opiniões, de sistemas, desde o Socialismo Cristão até o Comunismo, e todo o homem cuidadoso com a sorte de seus semelhantes pode se dizer socialista, quaisquer que sejam, aliás, suas predileções.

Minha intenção é bem menos tratar a questão social do ponto de vista político ou econômico que pesquisar qual parte de influência o Socialismo poderia ter sobre a evolução do espírito humano e, particularmente, sobre a educação do povo. As questões sociais, que haviam revestido há algum tempo um caráter violento e ameaçavam atear fogo ao edifício que nos abriga, perderam um pouco de sua acuidade. Este é o momento de considerá-lo sem paixão, sem amargor, com a calma que convém aos espíritos refletidos, interessados na justiça, desejosos de facilitar a evolução de todos na paz e harmonia. Como veremos a questão social, é, acima de tudo, uma questão moral.

Nós subscrevemos voluntariamente as reivindicações legítimas da classe operária reclamando para o trabalhador a sua parte de influência e de bem estar, seu direito aos benefícios industriais, e seu lugar ao sol, porém reprovamos os meios violentos e revolucionários que seriam um perigo para a sociedade ocidental, depois de ter arruinado a sociedade russa.

O que caracteriza atualmente aos nossos olhos o estado de espírito do Socialismo, à exceção de algumas raras unidades, é o conhecimento insuficiente e muito rudimentar das leis universais; sem observação delas, toda obra humana está condenada por antecipação à impotência, à esterilidade, quando não culmina em desordem, em caos.

A vida das sociedades, como a do Universo, é equilibrada por forças opostas, forças contrárias, o equilíbrio perfeito é a ordem, a paz, a harmonia; mas, desde que uma destas forças arroja-se sobre as outras, é a perturbação, a confusão, o sofrimento. O estado de inferioridade de nosso mundo provém precisamente da instabilidade das forças físicas e sociais em ação à sua superfície, pois uma se repercute sobre a outra.

Todo passado nos demonstra a predominância das classes elevadas, ditas dirigentes, sobre o povo reduzido ao estado de miséria. Hoje em dia, são as classes trabalhadoras que por vezes desejam alçar-se e dirigir por sua vez a sociedade. Mas o despotismo que vem de baixo não é melhor do que aquele que vem do alto; é talvez pior, pois que mais brutal e mais cego.

Depois da última guerra(1) o nível intelectual e moral sensivelmente abaixou, as paixões se desencadearam, os apetites e avidez se tornaram mais ásperos e mais ardentes; é que sua melhor parte de homens se foi; levados por seu devotamento, seu espírito de sacrifício, eles correram para a morte como para uma festa, enquanto os outros, mais prudentes, menos desinteressados, souberam preservar sua vida. Aqueles que se ofereceram em holocausto para a salvação de outrem, planam em multidão acima de nós(2), assimilam forças e luzes novas.

Eles retornaram bem cedo ao seio desta Humanidade que tem necessidade de seu concurso para trabalhar para sua evolução. Desde já, na geração que surge, espíritos de valor tomaram seu lugar e em uma vintena de anos vê-los-emos se afirmarem por seus méritos e virtudes adquiridos. Entretanto, até lá, teremos que atravessar um período difícil durante o qual todos os que têm consciência de seu dever de solidariedade e que nos liga a todos, os espíritas, sobretudo, terão de pagar por suas pessoas e guiar seus semelhantes no caminho árduo do progresso.

A grande lei da evolução, que rege todos os seres, deve também servir de base a toda a organização social. Cada um tem o direito a uma situação relativa às suas aptidões e suas qualidades morais. Ora, é a aquisição que trazemos de nossas vidas anteriores, que a educação espírita poderia esmerilhar.

O essencial seria, pois, fazer conhecer ao homem, antes de qualquer coisa, de onde ele vem e para onde ele vai, isto é, qual a finalidade real da vida e a sua destinação. Somente então, surgirá em toda claridade e em todas as consequências sociais, essa solidariedade que liga os seres em todos os graus de sua ascensão, constrangendo-os por seu próprio bem a retornar a Terra e a todos os outros mundos nas condições mais diversas, a fim de aí adquirir as qualidades inerentes a esses meios, e, muitas vezes também, para aí resgatar um passado culpável.

Depois das doutrinas do passado que não nos trouxeram senão a obscuridade, a incerteza, o Espiritismo projeta uma viva claridade sobre o caminho a percorrer; no encadeamento de nossas vidas sucessivas ele nos mostra à ordem, a justiça, a harmonia que reina no Universo. Que o socialista se torne razoável e adote esta grande doutrina, esta ciência vasta e profunda, que esclarece todos os problemas e nos fornece provas experimentais da sobrevivência; que os seus participantes se impregnem e conformem com ela os seus atos e o Socialismo poderão se tornar uma das alavancas que levará a Humanidade para destinos melhores.

Posto que me seja detestável, creio dever insistir sobre o estado de espírito no qual me proponho tratar deste vasto assunto.

Nasci na classe operária e nela não conheci senão lutas e privações. Meu pai era canteiro, depois ele se tornou pequeno empreiteiro, mas o trabalho faltava muitas vezes e era preciso mudar de profissão. Eu mesmo, depois de ter recebido uma instrução muito sumária, me iniciei como pequeno empregado de comércio e o labor manual não me são estranho. Já aos doze anos, eu descolava flans(3) de cobre na Casa da Moeda de Bordeaux, e meus dedos de criança, sob o atrito do metal, muitas vezes se tingiam de sangue. Aos dezesseis anos, em uma fábrica de faianças em Tours, eu carregava o cesto nos dias em que se fazia o desenfornamento das peças. Aos vinte anos, em uma manufatura de couros, eu carregava peles nas horas de aperto, ou manobrava “La Marguerite” — grosso instrumento de madeira que serve para amaciar os couros. Obrigado, durante o dia, a ganhar o meu pão e o dos meus velhos pais, eu consagrava muitas noites aos estudos, a fim de completar minha ligeira bagagem de conhecimento, e, daí data o enfraquecimento prematuro de minha visão.

Depois da Guerra de 1870, compreendi que era preciso trabalhar com ardor para a educação do povo. Com este fim e o auxílio de alguns cidadãos devotados, havíamos fundado, em nossa região, a “Liga do Ensino”, da qual me tornei secretário geral; foram criadas bibliotecas populares e se iniciaram, em pouco por toda à parte, séries de conferências. Isto para demonstrar que sempre guardei o contato com as classes trabalhadoras, que partilhei de seus cuidados, suas aspirações para o progresso. Tornei-me muito interessado no movimento cooperativo e, por muito tempo recebi, a título gracioso, os livros de um grupo de operários cordoeiros reunidos em um empreendimento comum.

Agora que a idade branqueou a cabeça e que a experiência chegou, aprecio mais altamente as vantagens que proporciona a toda alma as reencarnações entre os humildes e a livre aceitação da lei do trabalho. Com efeito, o trabalho é um preservativo soberano contra as armadilhas da paixão, uma espécie de banho moral, um sinônimo de alegria, de paz, de felicidade, quando é realizado com inteligência e obstinação.

Assim eu compreendo melhor porque a lei da evolução leva imensa maioria de seres a renascer no seio de classe laboriosa para aí desenvolver sadias energias, fortalecer os caracteres, tornar o homem verdadeiramente digno deste nome. Na luta constante contra as necessidades, no esforço cotidiano para se sair do aperto das necessidades, pouco a pouco a vontade se afirma, o julgamento se consolida, a mais bela qualidade desabrocham. É por isso que as maiores almas que passaram pela Terra: Cristo, Joana D'Arc e tantos outros nobres espíritos, quiseram renascer nas condições, as mais obscuras, para servir de exemplo à Humanidade.

Devo dizer aqui que, no curso de minha vida, desde minha infância, em, meio às dificuldades que tive de vencer, sempre fui sustentado pelo lado de lá, nos momentos em que acabei de falar, eu me sentia levado em meu caminho por uma força invisível, uma força da qual ainda ignorava a natureza, pois meus guias espirituais só se revelaram um pouco mais tarde. Entretanto eu possuía já uma faculdade mediúnica, aquela da psicografia, e obtinha comunicações de forma bastante literária. Mas esta faculdade desapareceu de súbito quando me tornei conferencista. Meus protetores do espaço me explicaram que haviam adaptado seus recursos fluídicos as minhas facilidades oratórias, aos meios de improvisação como sendo mais eficazes para a difusão do Espiritismo. Pude notar muitos casos análogos de transformação de faculdades psíquicas, sobretudo entre os médiuns de incorporação.

Nessa época, eu não tratava ainda publicamente de questões espíritas, escolhia assuntos a elas relacionados, mais ou menos diretamente, tais como “A Pluralidade dos Mundos Habitados”, “O Gênio da Gália”, “Jeanne D’Arc” e outros assuntos que permitiam abordar, incidental mente, o problema do mundo invisível.

Não foi senão por volta de 1880 que abordei franca e publicamente esta questão. As plateias. Eram pouco favoráveis e foi preciso, mais de uma vez, suportar os escárnios, as objeções pueris e, sobretudo o alarido. Hoje, os conferencistas espíritas encontram um melhor acolhimento. Se seus auditores não são sempre convictos, pelo menos escutam com cortesia. Essas diferenças de atitude dão a medida exata dos progressos realizados por nossas crenças em um período de 40 anos.

Foi sobretudo ao curso de minhas conferências contraditórias na Bélgica, com Volders(4) e Oscar Beck, duas fortes cabeças do Partido Socialista, que eu pude dar-me conta de que este estava profundamente imbuído de teorias materialistas e, por consequência, na impossibilidade de estabelecer conexão com seu plano de reforma às leis gerais do Universo cuja essência é por inteiro espiritualista. É verdade que existem brilhantes exceções entre as quais citarei Jaurès(5) que foi sempre uns espiritualistas convictos, eloquentes e mesmo poeta em suas horas livres. Mas parece-me que a este respeito ele não fez escola.

De minhas constantes relações com os trabalhadores de toda ordem uma consideração se depreende: é que os operários, sejam das cidades, sejam dos campos, tomados individualmente, isolados, são poucos acessíveis às doutrinas subversivas: comunismo e anarquismo. Sem dúvida, guardou do passado, dos séculos de servidão, uma espécie de atavismo intuitivo que os torna hostis a todas as formas de opressão; mas possuem no fundo de si mesmos o sentimento da realidade, amam a justiça e o progresso.

É, sobretudo nos grandes centros industriais que os agitadores têm mais acesso sobre as massas operárias e que a palavra dos oradores inflamados, com ruim arrivismo, alcança-as melhor, propelindo-as para os excessos. Porém estes têm, geralmente, pouca duração. A França é um país de bom senso e de razão e que permanecerá refratária às teorias do bolchevismo e outras doutrinas estrangeiras. O que se chama de “luta de classes” não existe senão no papel. Em realidade não há mais classes desde a Revolução, não há mais entre elas limites precisos, pois há penetração recíproca e contínua. Todo trabalhador econômico pode se tornar patrão. A burguesia tem suas raízes no povo e nele se recruta incessantemente: é de seu seio que se elevaram a maioria dos homens que ilustraram a Humanidade; foi daí que se alçaram tantos burgueses, graças ao seu trabalho ou ao seu talento. Por outro lado, quantos pequenos rendeiros, pequenos proprietários então, em razão da guerra e de suas consequências econômicas, não caíram no proletariado? Seu número é difícil de ser fixado, pois, mudando de situação, mudam quase sempre de residência e vão se perder no turbilhão das grandes cidades.

A desgraça é que os campos se despovoam e que a pletora das cidades se acresce sem cessar. Desertam-se dos trabalhos sadios para ir se confinar em locais estreitos, privados de ar e de luz. Assim, a raça se esteriliza, míngua e resvala em um declive perigoso.

Parece que assistimos a um começo de desagregação da sociedade. O cimento que liga os elementos do edifício, isto é, o espírito de família, a disciplina social, o patriotismo, o sentimento religioso, etc., se enfraquecem e se decompõem.

A quem remonta a responsabilidade deste estado de coisas? Em grande parte à Igreja e à Escola. Petrificada em seus dogmas, a Igreja se tornou impotente para comunicar ao corpo social essa fé viva que é a grande força, a própria alma das nações, seu catecismo, incompreensível e incompreendido é notoriamente insuficiente para esclarecer e guiar as crianças do povo nos caminhos difíceis da existência. Certamente, é verdade, podem ainda com isto se contentar; mas uma sociedade inteira não pode viver desse pão ressecado e endurecido.

Falemos da escola atual, ampla e obrigatória. Ela foi uma reação contra a escola congregacionista imbuída de prejuízos dogmáticos e de doutrinas seculares. Os promotores da escola laica tinham um programa e uma finalidade: fazer todos compartilharem, num ímpeto de entusiasmo, sua confiança na solidariedade humana pela difusão da educação e o conhecimento dos princípios que afirmam o dever e a participação de todos na obra comum. Essa instrução era complementada por noções de moral impregnadas de ideal espiritualista. Os manuais de Paul Bert, de Compayrè ensinavam à existência de Deus, a imortalidade do ser, e procuravam reacender o fogo sagrado nas almas francesas. Seus sucessores, entretanto, em sua política terra- a-terra, eliminaram de pouco em pouco estas noções de idealismo e a escola caiu sob a influência materialista.

Desde então, a instrução laica, desprovida de elevação, desenvolveu o sentimento pessoal. Do orgulho ao egoísmo não vai mais que um passo, e, trinta anos depois, este cresceu graças ao bem estar procurado por uma civilização materialista. Quando a instrução é desprovida de freio moral, de sanção, e vê-se imiscuir a paixão material, ela não faz senão superexcitar os apetites, os desejos de gozos e se traduz por um egoísmo desenfreado.

É preciso, pois, combater o egoísmo por um ensino idealista regenerador. Vencido o egoísmo, será mais fácil extinguir as outras paixões que corroem o coração humano.

A escola neutra representa, hoje em dia, um conjunto de conhecimentos privados do bem moral necessário para constituir uma educação, uma direção eficaz. Ela reencontrará o seu prestígio, o seu poder benéfico, assimilando uma doutrina espiritualista independente, suscetível de substituir todos os ensinamentos confessionais. Ora, essa doutrina, só o Espiritismo pode fornecê-la. Aguardando essa fusão necessária, qual é o papel de nós espíritas? É o de criar, de multiplicar o exemplo de nossos irmãos lioneses, as escolas dominicais onde a doutrina e a moral espíritas são ensinadas às crianças, assim como aos adultos.

O que dissemos da escola primária, aplica-se igualmente ao ensino superior e mesmo à ciência, a qual não é ainda senão um conjunto de teorias passageiras, de hipóteses provisórias que um século edifica e que o século seguinte destrói e substitui, como o demonstra o Sr. Charles Richet, com um vigor e uma franqueza merecidos.

É verdade que uma ciência se edifica pouco a pouco. Ela tem por base a experimentação psíquica; mas ela se choca com tantos prejuízos, preconceitos e rotinas materialistas, que se passará muito tempo antes de realizar esta síntese necessária e esperada que religue as ciências atuais, parciais, fragmentárias, em um todo harmonioso, isto é, uma concepção geral da vida e do Universo. Ela se tornará assim um móvel de ação, um foco de luz capaz de iluminar e de guiar o homem nas vias até aqui incertas de sua destinação.

A ciência não é feita, ela se faz; um dia, tornada integral e homogênea, abraçará em seus estudos os mundos visível e invisível que penetrará neste oceano de vida oculta que nos envolve. Ela conhecerá as leis e, acima de tudo, essa grande lei de ascensão que convoca cada um de nós através dos tempos para um bem estar melhor. Então, chegado a este domínio elevado do conhecimento, poderá servir de base ao destino e à educação. Pois ela será não apenas uma lei, mas também uma lei moral a oferecer à Humanidade.

Hoje, ela é ainda um balbucio de criança ensaiando por pronunciar as primeiras letras do grande livro eterno e divino.

Esmagada sob o peso da matéria cuja densidade é maior entre nós do que sobre os globos vizinhos, sufocada por uma atmosfera envenenada, pelos fluidos das paixões terrestres, como o homem poderá conhecer a vida invisível que preenche o espaço? Como poderá fazer uma ideia dessas hierarquias espirituais que se superpõem até os cumes da Sede Incriada? É, entretanto isto que o homem tem mais necessidade de conhecer, pois é o fim supremo de seus esforços, a sanção de seus atos, a compensação reservada às suas provas e seus males.

É verdade que, pela descoberta das forças radiantes e dos estágios sutis da matéria, a ciência humana começou a entrever a possibilidade de uma vida invisível, mas, antes de ter analisado este estágio da vida por seus métodos atuais, antes de ter examinado as leis, as consequências morais, podem se escoar muitos séculos! Esperando que nossa ciência terrestre tenha chegado à altura das necessidades sociais, eis que o ensinamento dos Espíritos vem abrir mais vastos horizontes iniciando-as nas leis da harmonia Universal. De pouco em pouco, sobre todos os pontos do globo, uma comunhão se estabelece entre os vivos e os mortos, e logo da Terra inteira, se elevará um hino de júbilo, o grito de reconhecimento e de amor para com Aquele que em Sua sabedoria e Sua Previdência permitiu que esta grande revelação se produzisse no momento mesmo em que a Humanidade parece se inclinar para um abismo de trevas e de dores, para Aquele que dispôs todas as coisas com uma Sabedoria, uma Previdência, uma Arte infinita.


Notas de rodapé:

(1) O leitor precisa lembrar-se de que Léon Denis está escrevendo após a I Grande Guerra Mundial, de 1914 a 1918 - Nota do Tradutor. (retornar ao texto)

(2) Sir Conan Doyle, o grande escritor inglês, mostra uma fotografia tomada em Londres, agora no Cenotáfio do Soldado Desconhecido, durante o minuto de silêncio e recolhimento. Vê-se ai uma multidão de cabeças jovens entre os quais afirma reconhecer a de seu filho morto no front - Nota do autor. (retornar ao texto)

(3) Disco de metal preparado para ser cunhado - Nota do Tradutor. (retornar ao texto)

(4) Volders, Jean - Político belga (Bruxelas - 1855 Schaerbeek, 1896). Participou da formação das ligas operárias que reuniu em partido operário (1885). Organizou o Congresso Socialista Internacional de Bruxelas (1891). (retornar ao texto)

(5) Jaurès, Jean - Político francês. Após brilhantes estudos secundários, frequentou a "École Superieure Normale" em Paris e depois se tornou professor de filosofia no Liceu de Albi. Interessou-se por política, elegendo-se Deputado por Tarn em 1885. Derrotado nas eleições de 1889, retornou por algum tempo aos seus estudos e, em 1891, defendeu duas teses de doutoramento: “Da Realidade do Mundo Invisível” e “De Primis Socialismi Germanici Lineamentis apud Lutherum, Kant, Fichte et Hegel”. Apoiou a greve dos mineiros de Carmaux e estes o elegeram para a Câmara, desta vez como Deputado do Partido Socialista Independente. Apesar de ser derrotado em 1898, deveria se tornar deputado de Tarn em 1902, 1906, 1910, 1914. Seu socialismo não coincide exatamente com o marxismo; recusava a ditadura do proletariado, a realização do coletivismo por um estado burocrático e o internacionalismo sistemático. O socialismo era, para ele, o livre e pleno desenvolvimento da pessoa humana, o verdadeiro sentido da declaração dos direitos do homem. Acreditava ser possível à criação de uma sociedade sem classes por meio de um esforço pacifico, sem sair do quadro eleitoral. Quando explodiu o caso Dreyfus, pediu a revisão do processo. Seu livro AS PROVAS fez com que perdesse as eleições daquele ano e sua atitude chocou-se com a oposição de Jules Guesde e outros marxistas de uma ala contrária à defesa de um oficial burguês, Apesar dessa oposição, Jaurès fez-se o defensor publico do “Bloco da Esquerda”. E foi eleito vice-presidente da Câmara em 1903. Mas o Congresso da Internacional Comunista de Amsterdã em 1904 coordenou os socialistas que participavam de um governo burguês, apoiando portanto Guesde contra Jairès. Como este aceitou a decisão do Congresso, tornou-se possível à união de todas as tendências socialistas na “Section Française da l'lnternacionala Ouvrière” (SFIO 1905). Jaurès e seu socialismo humanista fizeram rápidos progressos na nova organização, em detrimento do Guesdismo. Ele não era apenas um orador político, mas um educador do povo, ao qual transmitia Ideal de progresso, liberdade e justiça. Alguns de seus adversários viam nela uma grande força espiritual, porém sua oposição á política colonial e, sobretudo sua luta incansável para uma reconciliação franco-alemã valeram-lhe o ódio de diversos nacionalistas franceses. Foi assassinado por um desequilibrado, Raoul Villian, e, em 1924, seus despojos foram transladados solenemente para o Panthéon. Jaurès publicou diversas obras, entre as quais: HISTÓRIA SOCIALISTA DA REVOLUÇÃO FRANCESA; O NOVO EXÉRCITO; AÇÃO SOCIALISTA, DISCURSOS PARLAMENTARES. Entre 1931 e 1939 foram publicados por Max Bonnafous nove volumes de obras selecionadas, com o título de OBRAS DE JEAN JAURÈS. (retornar ao texto)

Inclusão 07/08/2018