Polônia 1939


Introdução


Durante os mil anos de sua existência a Polônia enfrentou muitas dificuldades, suportou muitos sofrimentos e conheceu os efeitos de muitas derrotas e catástrofes. Mas, não é exagerado afirmar que a maior desgraça que se abateu sobre nosso país, nos dez séculos de sua História, foi o desastre de setembro de 1939, com suas consequências.

Nós não sofremos somente uma derrota relâmpago. Fomos saqueados e devastados da maneira a mais monstruosa. Nossas cidades, a começar por Varsóvia, ficaram reduzidas a cinzas. A obra de dezenas de gerações, que as desgraças do passado tinham poupado, foi inteiramente destruída desta vez. Nossa cultura foi ameaçada de total liquidação. O perigo de extermínio biológico amplamente iniciado nas câmaras de gás de Auschwitz, de Maidanek e de Treblinka tocou a todo o povo polonês.

Sem o vitorioso avanço libertador do Exército Soviético — e se a ocupação nazista se tivesse prolongado mais — teríamos sofrido tais perdas que nenhuma força no mundo seria capaz de reparar.

Os cinco anos que se seguiram a setembro de 1939 levaram nosso país à borda de um abismo no qual os povos desapareciam.

Entretanto, o desastre de setembro não foi acidental nem imprevisto. Também, não pode ser atribuído apenas à superioridade da Alemanha nazista. Ele teve causas múltiplas, bem mais graves e mais profundas que a simples superioridade de potencial industrial e militar.

Mais do que qualquer outra, a última guerra mundial permitiu não apenas o confronto de potenciais bélicos postos em campo, mas também à prova das doutrinas sociais e políticas do mundo contemporâneo. Em escala histórica ela demonstrou que potência sem precedentes forjou o socialismo, transformando o vacilante império dos tzares num Estado de operários e camponeses, poderoso e homogêneo. Em escala contemporânea, a guerra demonstrou que estavam certos os que afirmavam não ser possível garantir a segurança dos povos sem a cooperação da União Soviética. A guerra confirmou a justeza de pontos de vista dos que sempre viram na União Soviética a principal força antifascista e pacífica do mundo.

Em escala nacional, a guerra demonstrou estarem certos os que, no período entre as duas guerras, sustentaram que a política capitalista, a política interna de reação e a política exterior reacionária e antissoviética conduziam a Polônia à sua própria ruína.

Portanto, se realmente queremos uma Polônia forte e estável, cuja existência, não tenha apenas a duração de intervalos entre duas tempestades históricas, se queremos uma pátria capaz de enfrentar com segurança os perigos, então é preciso aproveitar os ensinamentos da sangrenta lição da História.

Este trabalho propõe-se contribuir à melhor compreensão dos acontecimentos.

Victor Grosz


Inclusão: 18/03/2024