Conselhos de Desempregados em São Petersburgo em 1906

Sergei Malyshev


Os desempregados invadem a Duma pela terceira vez


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O Conselho de Desempregados decidiu enviar uma delegação à Duma, e manteve essa decisão completamente secreta. Eles se reuniram no dia 12 de Junho e elegeram uma delegação de oito membros do Conselho, mais cinco representantes dos desempregados e cinco representantes dos empregados de cada distrito.

A delegação não iria acompanhada pelas massas, e deveria conseguir uma resposta clara e definitiva da Duma se haveria ou não empregos.

Às duas da tarde do dia 12 de Junho, uma delegação de 75 pessoas se reuniu e partiu para a Duma. A delegação se dividiu em dois grupos com aproximadamente o mesmo tamanho, cada grupo com um líder para dirigi-lo e assessora-lo.

A visita à Duma foi planejada da seguinte maneira: ambos os grupos da delegação entraria na câmara da Duma simultaneamente, mas por portas diferentes, e exigiriam que os conselheiros municipais ouvissem os representantes da delegação escolhidos lá e naquele instante para conduzir as negociações. Se os conselheiros municipais tentassem correr para as portas, a delegação deveria impedi-los de sair, e dizer em tom de brincadeira: "Não tenham medo! Não corram!”

O primeiro grupo deveria passar pela entrada do tesouro, pela porta da direita; o segundo deveria passar pelo corredor Alexandrov e entrar na câmara pela porta da esquerda. Ambos os grupos deveriam entrar na câmara sem fazer barulho, em ordem absoluta, com os líderes à frente. Tendo ocupado ambas as saídas da Duma, os grupos da delegação deveriam ir junto à frente da tribuna da Duma; seus representantes deveriam falar à Duma e todas suas falas deveriam terminar com a questão: Os desempregados terão os empregos públicos prometidos ou não?

Este plano foi um grande sucesso, apesar do grupo que deveria entrar pela porta da esquerda, pelo corredor Alexandrov, estar um minuto atrasado. Uma porta estava desprotegida e os conselheiros municipais foram rápidos em tomar vantagem desse acidente. Logo que viram cerca de 40 pessoas vindas pela porta da direita, o presidente da Duma adiou a sessão e todos correram para a porta à esquerda. Mas naquele momento o outro grupo apareceu pelo corredor Alexandrov e entrou na câmara da Duma.

Os conselheiros se juntaram, o presidente, Dimsha, rasgou sua faixa e correu de seu lugar; o prefeito tentou segui-lo. Os delegados falaram a eles, pedindo para não ter medo. Eles diziam:

“Nós viemos como representantes dos trabalhadores de São Petersburgo para exigir que vocês mantenham sua palavra e nos digam: haverá ou não empregos? Não corram. Não vamos encostar em vocês.”

Mas os conselheiros não ouviam; eles conseguiram passar pela delegação até o corredor Alexandrov e no empurra-empurra, chegaram à porta. Os representantes dos trabalhadores o seguiram.

Quando os conselheiros municipais descobriram que essas 75 pessoas estavam sozinhas e não havia mais pessoas na rua, eles se acalmaram. Alguns até começaram a conversar com os membros da delegação e os fizeram perguntas, mas os delegados não iriam falar enquanto indivíduos. Três representantes da delegação se ofereceram para negociar com o presidente da Duma, mas Dimsha não queria nada com eles. Finalmente, alguns conselheiros o fizeram ouvir a delegação, e Dimsha perguntou:

“O que posso fazer por vocês, cavalheiros?”

Os representantes dos trabalhadores responderam que vieram em nome dos desempregados para perguntar à Duma quando os empregos públicos prometidos aos desempregados seriam organizados. E a seguinte conversa aconteceu:

Dimsha:

“Vocês deveriam ter me dado uma declaração por escrito e eu a teria apresentado à Duma.”

A delegação:

“Nós viemos porque muitas declarações por escrito já foram enviadas e os empregos não foram organizados. Vocês podem ter o luxo de esperar, mas a fome não espera nada.”

Dimsha:

“Independente disso, não permitirei vocês na sessão. Isso é ilegal.”


Inclusão: 05/12/2019