O Dirigente Comunista se Forja Todos os Dias

Diógenes Arruda

Outubro de 1979


Primeira edição: A Classe Operária, outubro de 1979.
Fonte:
Portal Vermelho.
Transcrição: Diego Grossi Pacheco

HTML: Fernando A. S. Araújo, Abril 2008.


Hoje, já não está conosco, contagiando-nos com seu entusiasmo com seu humor e ironia, com seu otimismo revolucionário, o nosso querido camarada Maurício Grabois. Se vivo estivesse, comemoraríamos, talvez juntos, seu 66° aniversário, no dia 02 de outubro, e seus 46 anos de militância ininterrupta e conseqüente nas fileiras de nosso Partido, de seu Partido, sob a bandeira do qual lutou com abnegação sem limites e a toda a prova.

O camarada Maurício Grabois ingressou no Partido Comunista do Brasil antes de completar 20 anos, em 1932 quando aluno da Escola Militar. Desde então, dedicou a sua vida por inteiro à atividade partidária. Na Escola Militar e depois como simples soldado foi um dos primeiros organizadores do Partido nas Forças Armadas. Tomou parte ativa nas jornadas do ano de 1934 contra o fascismo. Trabalhou infatigavelmente, ao longo de 1935, na criação e no fortalecimento do grande movimento revolucionário antiimperialista, antilatifundiário e antifascista da Aliança Nacional Libertadora, sendo, já então, dirigente regional do Partido. Naquela época e posteriormente, sempre defendeu a gloriosa insurreição popular de novembro de1935. Nos dez anos de ditadura de Vargas, nos quais, nós, os comunistas, enfrentamos uma selvagem repressão policial, desenvolveu incansavelmente, atuação das mais relevantes. Preso no início de 1941, comportou-se com a dignidade de verdadeiro comunista, honrando esta nossa legenda heróica: PRIMEIRO O PARTIDO, DEPOIS TUA VIDA, SE POSSÍVEL. Já em julho de 1942, imediatamente ao sair da prisão, ocupou seu posto de combate, integrando o Secretariado Nacional Provisório do Partido, o qual teve como tarefa principal rearticular nacionalmente o Partido e realizar uma Conferência Nacional, sendo esta efetuada com pleno êxito em agosto de 1943, na Serra da Mantiqueira, onde foi eleito membro do Comitê Central, da Comissão Executiva e do Secretariado do Comitê Central. Deputado comunista nas eleições de dezembro de 1945, foi líder da bancada do Partido na Câmara dos Deputados de 1946 a janeiro de 1948, quando a reação caçou os mandatos comunistas, desenvolvendo uma atividade parlamentar e extra-parlamentar de real destaque, revolucionária, no estilo leninista.

Trabalhou ativamente como um dos relatores do Programa do Partido e também como um dos organizadores dos seu IV Congresso, em novembro de 1954, no qual foi reeleito para o Comitê Central, a Comissão Executiva e o Secretariado do Comitê Central. Diante do Surto revisionista Kruschoviano, durante os anos de 1956 a 1960, manteve firme a posição de defesa do marxismo-leninismo e do Partido e de luta contra as furiosas investidas de Prestes e sua camarilha de renegados, ocupando, neste combate, lugar proeminente. Considerável foi sua atividade, tanto político-ideológica como prática, no trabalho de reorganização marxista-leninista do Partido de 1961 a 1962, contribuindo de forma destacada, juntamente com o camarada Amazonas, para o esclarecimento de importantes problemas da revolução brasileira e na elaboração do Programa do Partido, aprovado na Conferência Nacional Extraordinária de fevereiro de 1962. Valiosa foi também sua contribuição na elaboração da tática revolucionária do Partido, aprovada na VI Conferência Nacional de junho de 1966, o mesmo acontecendo em relação a outros documentos básicos do Partido, como os Estatutos, Guerra Popular – Caminho da Luta Armada no Brasil, políticas e métodos de revolucionarização do Partido, 50 Anos de Lutas do PC do Brasil e seus principais ensinamentos, Problemas Ideológicos da Revolução na América Latina. Desde a Revolução Cultural, na China, onde esteve por duas vezes, fazia sérios reparos ao que considerava erros de princípios nesse movimento e, a parir de 1970, criticava energicamente os desvios do PC da China, em particular, a aliança com os Estados Unidos. O nome de Maurício Grabois está ligado estreitamente ao órgão central do Partido Comunista do Brasil, A CLASSE OPERÁRIA, do qual foi diretor por um longo período.

O camarada Maurício Grabois sempre esteve na primeira linha de combate em todos os anos de lutas acirradas contra o revisionismo contemporâneo e pela consolidação das fileiras partidárias. Junto com o camarada Amazonas e ao lado dos camaradas Ângelo Arroio e Paulo Rodrigues, deu o melhor de sua capacidade e de suas energias revolucionárias na preparação da luta e na resistência armada do Araguaia. Ali esteve desde os primeiros momentos, ali conviveu com as massas exploradas e oprimidas e sentiu a sua grande revolta ali atuou abnegadamente ombro a ombro com todos os camaradas, ali colaborou na elaboração de valiosos documentos políticos e militares, ali comandou as Forças Guerrilheiras do Araguaia, ali tombou como um bravo. Caiu com glória, caiu de arma na mão naquele campo de batalha da luta de classes, no Araguaia – ponto alto de referência da luta revolucionária e libertadora de nosso povo.

Maurício Grabois – Abel, Mário, Freitas, Chico, Velho, mil nomes num só dirigente comunista exemplar, num só camarada e amigo, de dedicação e solicitude a toda a prova, honrado, leal, altivo, valoroso. O Partido foi a razão primeira de sua vida. É sob a direção de líderes como foi o camarada Maurício Grabois, com seu talento e seu imenso coração, com suas convicções marxista-leninista e seus sentimentos revolucionários proletários, que a nossa classe operária e o nosso povo, guiados por nosso Partido, serão vitoriosos na luta pela libertação nacional e social, pelo socialismo e pelo comunismo.

Inteligência brilhante, propagandista de idéias lúcidas, agitador apaixonado, polemista por excelência, tático de rara sensibilidade, homem de Partido, arguto e ágil no pensar e no agir. Maurício foi um comunista de verdade. Incansável infundido confiança, jamais se dobrou às dificuldades, nunca temeu sacrifícios e riscos nem pensou em si mesmo ou em comodidades – tal a constante de sua vida generosa.

O dirigente comunista se forja todos os dias e amadurece a cada prova que lhe oferece a vida partidária. Quanto mais duros os embates e mais difíceis as provas por que passa, mais experimentado, corajoso e imbatível se torna. Na ação e só da ação revolucionária a serviço do proletariado e do Partido, no fragor das batalhas reunidas da luta de classes se forma e se tempera o comunista. É uma luta que se pode comparar a do bom forjador que sabe que o ouro quanto mais se purifica quanto mais forte e mais longa for a prova do fogo. A lúcida consciência de realizar em qualquer circunstância seu dever de soldado do Partido, de dar tudo pelo Partido, inclusive a própria vida, suas profundas convicções políticas e ideológicas, seu valor moral ao longo de anos e anos de fiel cumprimento das responsabilidades partidárias e do estudo do marxismo-leninismo, sua vontade inabalável de revolucionário proletário, forjaram no camarada Maurício Grabois um dos mais belos e íntegros caracteres de comunista que registra a história de lutas de nosso Partido.

Sua conduta, sua ação, sua vida de lutador indomável refletem as melhores tradições revolucionárias do Partido da classe operária, o PC do Brasil. Deixou-nos, como exemplo a seguir, o heróico espírito do Araguaia, que encarna a combatividade revolucionária do nosso Partido.

Fraternal com seus camaradas, fossem eles dirigentes ou simples militantes, amigo leal de seus leais amigos, irreconciliável inimigo dos inimigos do Partido, dos traidores do marxismo-leninismo, da revolução, do socialismo e do comunismo, ele mostrou, com sua vida, que o dever e a honra de um comunista, manifestados no dia-a-dia da luta de classes, adquirem a estrutura de mandamento e passam a ser exemplo que ficam para sempre, sem a marca do tempo. Sua atividade edificante de dirigente do Partido não se apagará jamais em nosso espírito de comunistas, viverá para sempre no coração generoso dos operários, camponeses e estudantes brasileiros. Seu nome está na galeria dos grandes heróis de nosso povo junto aos de muitos outros comunistas e revolucionários desprendidos e conseqüentes. Sua existência será fonte de inspiração constante a nos incitar a sermos ilimitadamente fiéis aos nobres e belos ideais comunistas, pelos quais lutou de corpo e alma a vida inteira. Por seu exemplo, o camarada Grabois mostrou que os ideais comunistas não são metais que se fundem. Ao defender intransigentemente as tradições heróicas de nosso Partido, levou adiante a causa da classe operária do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário.

O verdadeiro heroísmo proletário, em verdade, só emerge com força e se impõe em toda a sua plenitude quando se ergue a gloriosa bandeira vermelha do Partido Comunista. Levantemos sempre mais alto a bandeira de combate do camarada Maurício Grabois, que nunca foi outra senão a do PC do Brasil, exemplo vivo de vanguarda marxista-leninista da causa operária, guia e esperança do povo brasileiro. E sob esta gloriosa bandeira, avancemos ainda mais confiantes para novos combates, afim de conquistarmos maiores vitórias.

Com os punhos cerrados e em silêncio, lembremos o nome do camarada Maurício Grabois, comandante das heróicas Forças Guerrilheiras do Araguaia. Em sua honra juremos lutar com maior força e a vida inteira pela sua causa, pela causa invencível do marxismo-leninismo e do Partido Comunista do Brasil.

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Inclusão 24/04/2008