Tomar Miseráveis Terroristas Sob a sua Proteção é Ajudar o Fascismo

Georgi Mikhailovich Dimitrov

1937


foto de Mao Tse Tung

Primeira Edição: Paris, 1937, pelo Bureau de Edições da Internacional Comunista, na obra intitulada «O Complot contra a Revolução Russa. Os ensinamentos do Processo de Moscovo contra o centro terrorista trotskista—zinovievista».
Fonte: Os Ensinamentos do Processo de Moscovo, Edições Maria da Fonte, Lisboa.
Tradução: Maria Isabel Pinto Ventura
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo


Não se pode ler, sem experimentar um sentimento de profunda indignação, o telegrama que os representantes oficiais da Internacional Socialista e da Federação Sindical Internacional, De Brouckère, Adler, Citrine e Schevenels dirigiram a toda a pressa ao governo soviético, a propósito do processo do Centro terrorista trotskistazinovievista.

Agiram estes leaders reaccionários com a mesma prontidão quando a Internacional Comunista se dirigiu à Internacional Socialista com vista a uma ajuda comum aos mineiros asturianos que lutavam, em Outubro de 1934, de armas na mão? Apressaram-se a responder aos apelos repetidos dos representantes da Internacional Comunista que os convidavam a agir em comum, na defesa do povo da Etiópia, atacado pelo fascismo italiano. De modo nenhum. Recordamo-nos que eles declararam então considerarem-se incompetentes para iniciar conferências sobre esta questão e que era preciso esperar a convocação do Executivo da Internacional Socialista. Contudo, tratava-se, então, de uma causa justa e, honesta: a defesa dos interesses vitais do proletariado, não só espanhol, mas do proletariado internacional, da luta contra uma guerra de rapina das mais injustas, das mais infames.

Mas, hoje, acontece que eles são totalmente competentes para tomar, da sua vontade, sem consultar as suas organizações, a defesa de acusados terroristas que levantaram a mão criminosa contra os dirigentes do poder soviético.

Foi sempre assim. Quando o tribunal proletário da URSS. abaixou a sua espada para castigar os sabotadores que misturavam vidro moído à alimentação dos operários, envenenavam o gado dos kolkozes, danificavam as máquinas, para castigar os sabotadores-espiões e os agentes do fascismo que destruíam as vias férreas, organizavam explosões, viram-se invariavelmente os leaders reaccionários — Citrine, Adler, etc. — intercederem como defensores deste banclo de contra-revolucionários.

Muitas vezes, no passado, quando os organismos da ditadura do proletariado apanharam em flagrante delito os agentes do fascismo estrangeiro que preparavam atentados contra os chefes do país do socialismo, a simpatia dos leaders reaccionários foi, não para o lado dos operários e dos kolkozianos da União Soviética, mas para o lado dos seus cruéis inimigos.

Nenhum leader da Internacional Socialista dirigiu telegramas de condolências, nem ao Partido Comunista da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, nem ao governo soviético, quando Kirov, o melhor filho do povo, o combatente tão devotado à causa da libertação da classe operária internacional, foi traiçoeiramente assassinado. Pelo contrário. Eles apressaram-se, também desta vez, a tomar a defesa daqueles sobre quem se abatia a cólera do povo. E é tanto mais revoltante vermos que, precisamente hoje, quando à volta do povo espanhol lutando heroicamente, se forma de facto uma Frente Única Internacional de luta contra os generais rebeldes, contra o fascismo alemão e italiano, para defender a República e a democracia, Citrine e consortes se entregam a uma manifestação hostil contra o país do socialismo, a muralha mais firme e indestrutível da liberdade dos povos.

Que podem dizer estes advogados de Trotsky, Zinoviev, Kamenev perante factos inegáveis? Não se provou que Trotsky, a seu tempo exaltado pelos leaders socialistas reaccionários, é o organizador do terror individual na União Soviética? Isso está provado. Não está provado que os seus aliados, Kamenev, Zinoviev, etc., prepararam, durante anos, atentados terroristas contra o maior chefe e organizador das vitórias do socialismo, Staline, contra os seus melhores companheiros de luta, os dirigentes do Partido e do poder soviético? Isso está provado. Não está provado que este bando terrorista assassinou Kirov? Isso está provado. Não está provado que estes vis terroristas agiam em aliança com a Gestapo, isto é, com a polícia secreta do fascismo alemão, o mais cruel inimigo da classe operária, torcionário feroz dos operários comunistas, socialistas e sem partido? Isso está provado. Não está provado que os terroristas contra-revolucionários, na sua ilegalidade infecta, cultivavam os costumes dos esbirros fascistas que incendiaram o Reichstag, e, mais tarde, exterminaram os participantes deste ignóbil trabalho? Isso está provado. Tudo isso foi provado no tribunal soviético, publicamente, na presença dos representantes da imprensa internacional, isso foi confirmado pelas confissões categóricas dos próprios culpados. Levados à parede pelos factos e pelas provas, reconheceram plenamente a justeza das acusações que lhes eram dirigidas e não negaram a sua ligação com o fascismo, tanto no domínio político como no da organização.

Não é um facto que os acusados, na sua última declaração, proclamaram um após outro, a infâmia dos seus crimes contra a classe operária?

Mas Citrine, Adler, etc., tomaram a sua defesa.

Ridículas e lamentáveis são as pretensões destes leaders que pedem para conceder aos acusados as garantias a que eles têm direito. Todas as possibilidades foram dadas aos acusados para se defenderem. Concedeu-se-lhes o direito de escolher os seus defensores, de chamar testemunhas, de exigir a verificação das provas, etc. Mas eles renunciaram aos defensores, a citar testemunhas, renunciaram a advogar eles próprios porque a cadeia dos seus crimes era demasiado evidente e irrefutavelmente provada. Os seus crimes foram provados, perante o mundo inteiro, em processo público, por documentos, factos, provas materiais dos seus crimes. Os conspiradores criminosos foram apanhados em flagrante delito, de armas na mão, com passaportes recebidos dos agentes de Segurança hitleriana, com explosivos.

Os documentos apresentados no tribunal provaram que Trotsky dirigia pessoalmente a actividade dos terroristas que enviava para a URSS para assassinar Staline e organizar actos terroristas contra os dirigentes do Estado socialista. Neste processo público, a culpabilidade dos terroristas trotskistas e zinovievistas foi demonstrada com provas mais do que suficientes.

Foi demonstrado claramente que Trotsky, Zinoviev, Kamenev e todo o seu bando se encontravam do outro lado da barricada; que se encontravam no mesmo campo dos que lutam contra o povo espanhol, que enviam aeroplanos, espingardas e granadas aos generais rebeldes e efectuam uma intervenção contra-revolucionária em Espanha.

Citrine e consortes tentam motivar a sua defesa dos terroristas — dos inimigos do poder soviético — invocando a necessidade de manter a solidariedade proletária com a classe operária que luta em Espanha. Tentam criar a impressão que o processo dos terroristas contra-revolucionários na URSS ameaça esta solidariedade proletária com o povo espanhol. É uma mentira provada.

O processo contra os terroristas, agentes do fascismo, faz parte integrante da luta antifascista da classe operária internacional. A solidariedade real com o povo espanhol é incompatível com a defesa dos agentes do fascismo nos outros países. Não se poderia apoiar honestamente o povo espanhol em luta contra o fascismo e ao mesmo tempo, fazer-se defensor dum bando terrorista na URSS que ajudasse o fascismo. Os que, directa ou indirectamente, apoiam os terroristas contra-revolucionários na URSS servem por igual e totalmente o fascismo espanhol, opõem-se directamente à luta do povo espanhol e facilitam a sua derrota.

A intervenção dos leaders da Internacional Socialista e da Federação Sindical Internacional conduz a sapar a solidariedade do proletariado internacional com o proletariado da URSS. Aplica um golpe no movimento de unidade da classe operária mundial. Visa fazer abortar a Frente Única dos trabalhadores contra o fascismo em Espanha, em França e noutros países. A intervenção de Citrine e consortes é um golpe directo, aplicado na luta heróica do povo espanhol porque, se o povo espanhol seguisse os conselhos desonestos que os leaders socialistas reaccionários se permitem dar aos povos da URSS, a República espanhola estaria votada à derrota.

Se o povo espanhol deve suportar tais sacrifícios, é precisamente porque os generais contra-revolucionários gozaram, demasiado tempo, de impunidade e porque as medidas necessárias não foram tomadas a tempo contra os fascistas que organizavam secretamente o complot contra o povo.

Está fora de dúvida que Hitler e Mussolini, os generais Franco e Mola, os fascistas de França e dos outros países, todos os inimigos jurados da unidade da classe operária e da Frente Popular, todos os inimigos da democracia, do socialismo e da União Soviética saudaram este acto vergonhoso, porque a intervenção de Citrine—Adler visa aprofundar a cisão nas fileiras do movimento operário mundial. Ela faz o jogo da reacção internacional.

Seria falso tornar responsáveis por esta intervenção todos os partidos e organizações filiadas na Internacional Socialista e na Federação Sindical Internacional. É certo que não mandataram Citrine e Schevenels, De Brouckère e Adler para tomarem a defesa de Trotsky, Zinoviev e Kamenev, que organizavam actos terroristas contra os dirigentes do grande país dos Sovietes. Eles não os tinham mandatado para defenderem acusados, aliados do fascismo alemão e agentes da Gestapo. Eles não tinham encarregado estes leaders de utilizarem o processo do bando terrorista para desencadear uma nova campanha de calúnias contra a União Soviética e fazer abortar a Frente Única contra o fascismo.

Hoje, em ligação com a intervenção vergonhosa de Citrine e consortes, os milhões de partidários da unidade nas fileiras da Internacional Socialista e da Federação Sindical Internacional são obrigados a ripostar ainda melhor aos sabotadores da Frente Única. É bem altura de pôr fim a estas intervenções pretensamente em nome das organizações operárias e que impedem a luta comum contra o inimigo comum.

O exemplo dos condenados degenerados permite a cada um ver como os renegados, gente de face dupla, fazendo trocadilhos com as frases radicais, no estilo de Trotsky, desempenham o papel de sabotadores nas fileiras do movimento operário e realizam o trabalho celerado do fascismo. Hoje, as pessoas mais míopes estão em estado de se darem conta de porque é que Trotsky tem necessidade de criar uma «Quarta Internacional» e a quem serve este bando desonesto de individualistas pequeno-burgueses enfurecidos, de arrivistas envaidecidos consigo próprios, de agentes da Gestapo e doutras polícias.

Saber dar prova a cada passo duma vigilância de classe perspicaz, aprender a distinguir os verdadeiros amigos dos inimigos encobertos, desmascarar as pessoas de face dupla, agentes do inimigo de classe, expulsá-los a tempo e impiedosamente das fileiras das organizações proletárias, eis um dos ensinamentos mais importantes que o movimento operário de todos os países deve tirar deste processo.

Não duvidamos de que todas as organizações da classe operária darão uma resposta merecida aos ataques anti-soviéticos de Citrine e consortes, reforçarão e desenvolverão o movimento a favor da Frente Única, unirão milhões de trabalhadores em torno da justa guerra do povo espanhol contra os generais rebeldes, apoiados pelo fascismo alemão e italiano, e agruparão a classe operária contra o fascismo e os seus miseráveis agentes, os conspiradores trotskistas.

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Inclusão 14/08/2012