Por que alguns partidos marxista-leninistas da América Latina não compreendem os erros de Mao Zedong

Enver Hoxha

29 de setembro de 1978


Fonte para a tradução: Ditar për Çeshtje Nderkombëtare, julho de 1978 - dezembro de 1978, volume 11, páginas 328-337; Casa de Publicações “8 Nëntori”, Tirana, junho de 1984.
Tradução: Thales Caramante – Jornal A Verdade.
HTML: Lucas Schweppenstette.

SEXTA-FEIRA,
29 de SETEMBRO de 1978

Estamos descobrindo que entre os partidos comunistas marxista-leninistas dos países da América Latina, um ponto do mundo onde emergem as principais contradições no desenvolvimento do movimento comunista internacional, há alguns que compreendem a natureza do revisionismo chinês, mas há alguns partidos que os ignoram.

Podemos dizer, por um lado, que eles compreendem corretamente a atual natureza da direção chinesa após a morte de Mao Zedong e Zhou Enlai. Isto é, eles compreendem que a quadrilha de Hua Guofeng e Deng Xiaoping traíram o marxismo-leninismo e estão levando a China para o caminho do revisionismo e da restauração completa do capitalismo, que querem transformá-la em uma superpotência social-imperialista. Em outras palavras, muitos destes partidos denunciam e condenam a posição atual da China. Por outro lado, eles dividem a história da China, ou do marxismo-leninismo neste país, em duas partes: antes da morte de Zhou Enlai e Mao Zedong e depois de suas mortes. Assim, antes da morte deles, a China era um país socialista, Mao Zedong era um marxista-leninista e o Partido Comunista da China (PCCh) era um partido genuinamente marxista-leninista e, após sua morte, a nova direção que tomou o poder é composta por renegados e revisionistas que se desviaram do marxismo-leninismo.

Alguns partidos, como o do Chile, da Colômbia e outros, corretamente condenaram toda a atividade política, econômica e militar da China nos dias de hoje de Hua Guofeng e Deng Xiaoping. Eles denunciaram, especialmente, a “teoria dos três mundos”. Em relação a essa teoria, bem como para outras questões, mas especialmente para esse problema, estes partidos estão em pleno acordo com o Partido do Trabalho da Albânia (PTA), uma vez que denunciamos essa teoria antimarxista. Podemos dizer, também, que a luta contra essa teoria, até certo ponto, eles corretamente depuraram de suas fileiras.

Porém, estes partidos não conseguem aprofundar esse debate em sua raiz. Talvez por não terem dados suficientes para ir mais a fundo, para encontrar as verdadeiras origens deste desvio antimarxista do Partido Comunista da China, por isso especulam que o período de traição que vivemos nos dias de hoje seja como um golpe, como se isso tivesse acontecido durante a noite e sem qualquer razão ou fonte anterior. É aqui onde reside o erro, ou uma espécie de moderação e eufemismo, da parte deles. Até o momento, eles têm encarado essa questão com certa superficialidade e inobservância, talvez por um medo de ataca o PCCh e Mao Zedong, pelos erros que cometeram e que nos trouxeram às consequências atuais.

Como já disse em outros momentos, tal tática é também seguida pela burguesia capitalista que, para combater o marxismo-leninismo, protegem aquelas figuras que foram já chamadas ou foram conhecidas por serem “marxista-leninistas” e obtiveram alguma fama. Porém, a realidade concreta demonstrou que as coisas não eram bem assim, que, em muitos casos, se constituíram de revolucionários e progressistas de fato, mas não genuinamente marxista-leninistas. A burguesia e os capitalistas preocupam-se com isso muito seriamente e têm interesses em continuar chamando essas figuras como marxista-leninistas e de comunistas, pois se baseiam nas pseudoteorias desses chamados “marxista-leninistas”, para exatamente fazerem com que os trabalhadores não se apoiem em uma teoria genuinamente marxista-leninista. Entretanto, se os marxista-leninistas não se aprofundarem nas questões e nos problemas, e não virem estes e os demais acontecimentos com um olhar materialista dialético, então a causa do capitalismo obterá êxito. E isto, infelizmente, se aplica à questão do Partido Comunista da China e de Mao Zedong.

Os dirigentes dos referidos partidos fazem nada além de algumas comparações mecânicas com o fenômeno do khrushchevismo e a guerra que Nikita Khrushchev travou contra o grande Stálin, assim, equiparam essa situação ao que acontece na China hoje. Dessa forma, segundo eles, Mao Zedong era um marxista-leninista que hoje é atacado pela quadrilha de Hua Guofeng e Deng Xiaoping, que não seriam nada além de khrushchevistas. Logo, Mao Zedong era um marxista-leninista como Stálin, enquanto Hua Guofeng e Deng Xiaoping são revisionistas como Nikita Khrushchev.

Ao fazer um paralelismo tão errôneo e tão antimarxista, é impossível observar os acontecimentos e os fenômenos sob o prisma do marxismo-leninismo e do materialismo dialético. Stálin era um grande marxista-leninista, ele não errou na teoria e na prática, ele defendeu a teoria leninista sobre o partido, sobre a construção do socialismo, sobre a ditadura do proletariado, sobre a luta de classes, sobre a implementação das normas marxista-leninistas do centralismo democrático no partido. Baseando-se no leninismo, ele não permitiu que facções ingerissem no partido, ele criou uma genuína unidade entre partido-povo. Durante seu período, a União Soviética aplicou corretamente a ditadura do proletariado, a classe operária dirigiu uma aliança com os camponeses e, dessa forma, estabeleceram o seu poder. Enquanto na China, as coisas não foram bem assim. Mao Zedong não era marxista-leninista, ele foi um genuíno democrata-burguês progressista e revolucionário que liderou a Guerra de Libertação, fez diversas reformas, mas também parava sempre no meio do caminho. De fato, Mao Zedong começou algumas reformas estruturantes para começar a edificação do socialismo, mas o caminho que ele seguiu não levou por nenhum lado à construção socialista. Este caminho o levou à “Nova Democracia”, como ele a nomeou. Isso aconteceu porque, primeiramente, nem mesmo Mao Zedong via seu partido como marxista-leninista, o PCCh não foi construído com base na teoria e nas normas de um verdadeiro partido marxista-leninista. A exemplo disso, Mao pregou que no partido haviam duas linhas, que estavam em constante conflito entre si, pregou a perpetuidade da revolução, mesmo que durasse milhares de anos. Em cada período, do qual ele mesmo determinou por anos, uma vez a cada sete ou oito anos, haveria segundo ele uma revolução, depois uma contrarrevolução e assim por diante.

Entretanto, os dirigentes de alguns partidos na América Latina reconhecem alguns erros de Mao Zedong, mas sempre param na superfície da questão e jamais tentam aprofundar suas origens e raízes. Por exemplo, dizem que Mao Zedong cometeu o erro de receber Nixon, mas chamam isso de “uma simples visita de cortesia”, e jamais aprofundam a questão até observarem que a visita de Nixon representa uma mudança tática e estratégica na política de Mao Zedong e do PCCh, seu novo rumo de aproximação com o imperialismo estadunidense.

Assim, como esperam que Mao Zedong e Zhou Enlai não tivessem o objetivo de estreitar relação com o imperialismo estadunidense e o capitalismo mundial, eles acabam não conseguindo ver, da mesma forma, o seu objetivo de transformar a China em uma superpotência para combater o social-imperialismo soviético, justamente com o principal inimigo dos povos e da revolução, os contrarrevolucionários estadunidenses e seus demais lacaios imperialistas.

No que diz respeito ao “terceiro mundo” e à aliança deste “mundo” com os outros dois “mundos”, ou seja, em relação a “teoria dos três mundos”, os dirigentes partidários de alguns países da América Latina julgam, sem dados e detalhes verdadeiramente factuais e suficientes, que não foi Mao Zedong quem pregou esta teoria, mas somente Deng Xiaoping. Dessa forma, esperam dizer que Mao errou ao receber Nixon, mas não se aprofundam nas razões dessa visita, os motivos de Mao aguardar Nixon e, o pior, ignoram os eventos e consequências posteriores a este evento, portanto, apenas dizem que a “teoria dos três mundos” pertence aos outros renegados chineses e não a Mao. Mas, na verdade, esta teoria é de Mao, não apenas porque ele próprio pregou essa aliança, mas a recepção e os acordos com Nixon, finalmente alcançados com os Estados Unidos da América, são as provas de que essa era uma teoria de Mao Zedong.

Outra questão, os dirigentes destes partidos condenam a existência de duas linhas no PCCh, mas embora condenem a existência de tais linhas, novamente não aprofundam os motivos dessas divergências para encontrar as raízes do que significa permitir duas linhas no partido. Não se trata aqui apenas em uma questão de duas linhas, o que estão em questão, na realidade concreta, é a existência de diversas linhas, a questão do “florescimento de cem flores e cem escolas” que Mao Zedong estimulava incessantemente. Na raiz da questão reside o pluralismo do partido e do poder, iguais aos partidos burgueses, porém isto no contexto do Partido Comunista da China após a Libertação.

O que estes fenômenos comprovam? Comprovam que Mao Zedong não seguia o marxismo-leninismo na construção do partido, não seguia a linha do proletariado. Assim, o proletariado e seu partido, na China, não poderiam estar efetivamente no poder, porque haviam muitos partidos dentro do partido. Esses numerosos partidos representavam diferentes classes e estratos sociais. Dessa forma, o problema do campesinato no poder e na direção não se tornou uma frase vazia, mas representou toda uma teoria que Mao Zedong defendeu e conscientemente implementou ao longo de sua vida, enquanto isso, o proletariado não passou nada além de um aliado temporário do campesinato. Se formos até o fim desta contradição, verificaremos que Mao Zedong não era marxista-leninista, mas um democrata-burguês progressista e revolucionário.

Os dirigentes dos partidos da América Latina dizem que Mao Zedong errou ao nomear Lin Biao como seu vice e colocar isso nos Estatutos do partido. Ou seja, admitem que se tratou de um erro teórico de organização, incompatível com a democracia proletária de um partido comunista. Dizemos, então, que a nomeação de Lin Biao como vice de Mao por ele mesmo reflete, na verdade, toda uma cosmovisão especial sobre as normas do partido, sobre a democracia proletária, reflete as considerações que ele tem para o partido da classe proletária. Nomear um vice do partido, de qualquer forma, isso não é uma norma marxista-leninista e é exatamente isso que os camaradas de alguns partidos marxista-leninistas na América Latina deveriam aprofundar, e não apenas dizer que isso foi um erro.

Dessa forma, são capazes de enumerar uma série de erros, mas quando o fazem não se aprofundam, o que significa que não tem uma grande formação da lógica marxista-leninista, mostra que ainda não são capazes de observar as coisas em sua raiz, ou não são educados teoricamente, ou conscientemente não querem ir mais fundo. Evidentemente que só poderemos chegar a uma conclusão a partir de sua atividade futura, mas enquanto lhes perguntamos “por que Mao Zedong é um marxista-leninista?”, eles respondem: “Mao Zedong é marxista-leninista porque ajudou a libertar os povos do mundo”, entre outras coisas. Embora na verdade não tenha sido Mao Zedong quem ajudou a libertar os povos do mundo. É claro que a luta do povo chinês teve efeito positivo na questão da libertação dos demais povos do planeta. A ideologia e a teoria de Mao Zedong não ajudaram nesta libertação. Se analisarmos esta questão, a libertação dos povos, veremos que a influência político-ideológica da China, para não falar econômica ou militar, não tem ajudado ninguém, como ou com o quê. E a este fato afirmamos, isso ocorre porque Mao Zedong e o PCCh precisavam se aproximar do imperialismo estadunidense!

Outra questão que estes camaradas usam para ilustrar suas teses a favor de Mao Zedong é aquela, segundo o qual, a revolução deve continuar perpetuamente dentro da revolução proletária. Na China, essa concepção revela uma sólida tese antimarxista, pois a “Grande Revolução Cultural Proletária” não foi uma revolução que, de fato, foi contra uma burguesia que havia se apossado do poder. Pelo contrário, a Revolução Cultural não foi dirigida pelo partido. Essa “revolução” foi obra de Mao Zedong e seu grupo que, confiando na autoridade de Mao, insurgiu a juventude e os estudantes em uma marcha imparável, com palavras de ordem e dazibaos, ordenando a liquidação do partido, das organizações de massas. Em uma palavra, no interesse do seu grupo, liquidou todos aqueles que impediam Mao de seguir o seu curso. Para piorar, aqueles que Mao Zedong opôs junto a sua juventude na Revolução Cultural eram ainda mais direitistas e reacionários que o próprio Mao e seu grupo.

De fato, se analisarmos a Revolução Cultural sob um olhar dialético sólido, veremos que não há nada de verdadeiramente marxista-leninista nela, mas a repetição de uma velha tradição chinesa de luta pelo poder a partir da subdivisão em diversos grupos. Uma luta que existiu antes, durante e depois da Revolução Cultural e a Guerra de Libertação Nacional. Assim, a luta começou e continuou sob uma via que não era baseada em critérios revolucionários marxista-leninistas, mas sim por critérios golpistas e faccionalistas. Essa luta continua até hoje, porque a tomada do poder por Deng Xiaoping e Hua Guofeng expressam a continuação permanente dessa luta pelo poder através de articulações golpistas. Dessa forma, eles podem muito bem dizer, igualmente, que continuam a revolução dentro da revolução cultural.

A verdade precisa ser dita: não houve e não há nenhuma ordem proletária na China, o que existe é uma ordem democrático-burguesa que, atualmente, assume um caráter abertamente capitalista, que está transformando toda a economia do país em uma economia capitalista; ao mesmo tempo, na arena internacional, a China está se juntando a uma aliança com os Estados Unidos da América e toda a ordem burguesa mundial; ela está lutando para extinguir a revolução e prepara-se para uma guerra contra a segunda maior superpotência, a União Soviética. É evidente, a China quer se tornar uma grande superpotência capitalista no mundo.

Os camaradas de alguns partidos marxista-leninistas da América Latina ainda não entenderam e compreenderam essa conjuntura. Claro, temos que ser pacientes. Ter paciência significa defender os nossos pontos de vista do partido sobre essas questões sem fazer concessões de princípios, ter paciência significa fazer um esforço para argumentar com clareza aos camaradas destes partidos com fatos, dados, com análises marxista-leninistas e mostrar, com camaradagem, que seus atuais pontos de vistas precisam ser superados se apoiando nos princípios marxista-leninistas e que, portanto, hoje não estão certos. Atualmente, têm uma visão superficial e, até mesmo, sentimentalista. A isto temos que relembrar o fato de que na história de formação destes partidos era a época da “Grande Revolução Cultural Proletária” na China, de que por muitos anos mantiveram posições pró-China e pró-Mao Zedong, mas não podemos deixar de apontar que podemos superar essa situação de forma revolucionária, autocrítica, marxista-leninista, tal como nosso partido também superou.

Até mesmo o Partido do Trabalho da Albânia considerou durante algum tempo que a China estava de fato construindo o socialismo, que ela era um dos pilares da revolução internacional, que Mao Zedong era um grande marxista-leninista. Porém, quando vimos que essas considerações não tinham fundamentos baseados na realidade concreta, quando vimos que o socialismo não estava sendo construído na China, e que Mao Zedong não era um marxista-leninista, quiçá um grande marxista, então nos permitimos explicar e expressar nossas opiniões. Os dirigentes chineses não aceitaram reuniões com o PTA, não tinham razões para negar essas reuniões e encontros, pois isso os deixaria expostos e nós abertamente diríamos que não concordamos com eles. Por isso mantivemos nossas posições e entendemos a conjuntura.

Os nossos camaradas devem esclarecer e convencer nossos partidos irmãos com fatos e argumentos, dados, documentos e análises corretas, principalmente para eles verem que nosso partido não impõe suas opiniões a ninguém, mas que, ao mesmo tempo, busca defender seus princípios e opiniões que possui. Se alguns desses partidos quiser argumentar conosco, nos comprovar com base em fatos, dados e argumentos que estamos errados, que nosso ponto de vista não tem base na realidade, que nossos pontos de vista não são marxista-leninistas, isto é, que erramos, nosso partido estará mais do que pronto para reconhecer nosso erro e corrigi-lo através da autocrítica. Porém o que vemos é o contrário, no que diz respeito à China e a Mao Zedong, os camaradas dos partidos da América Latina não conseguem sustentar com fatos a ideia de que Mao era um grande marxista-leninista e que antes de sua morte a China estava no caminho para a construção do socialismo, e que só depois disso a situação mudou. Portanto, devemos continuar a trabalhar pacientemente com estes camaradas, porque o inimigo imperialista, capitalista e revisionista luta de diferentes formas contra o socialismo e contra a teoria marxista-leninista.

Há atualmente uma grande campanha contra Lênin e o leninismo, e isto tem as suas raízes históricas. Os autores e ideólogos dessa campanha consideraram Marx como um filosofo de uma época antiga, que hoje estaria antiquado para as demandas da nossa época, que hoje o mundo mudou radicalmente, ou seja, que hoje é apenas a época do imperialismo e do ultra-imperialismo. Entretanto, Lênin analisou a era do imperialismo e mostrou os verdadeiros caminhos de como o proletariado deveria compreender Marx e como deveria combater o imperialismo. Lênin, com seus ensinamentos imortais, nos guiou através desta fase e nos mostrou claramente como o proletariado deve marchar em revolução até derrubar o poder do capital. É precisamente por esse motivo que a burguesia capitalista teme e tenta se proteger de Lênin e do leninismo, e precisamente por essa razão, seja pelas plataformas do revisionismo moderno e todas as suas correntes, seja pela atividade da social-democracia internacional, que declararam guerra contra Lênin e o leninismo, que tentam declarar a teoria leninista da revolução como uma teoria superada, como uma teoria que não pode ser aplicada em nossos dias.

Outros dizem que a implementação da União Soviética só foi possível no período entre guerras, enquanto atualmente, após a Grande Guerra Patriótica, o mundo mudou, as concepções de mundo mudaram, que o proletariado mudou e muitas mudanças e transformações ocorreram na sociedade atual. “Portanto, — dizem eles, — devemos encontrar novas teorias e métodos de luta para chegar ao socialismo”. Uma destas “novas formas” é a autogestão iugoslava, na União Soviética a aplicação da autogestão já é um debate, e o maoísmo com a “teoria dos três mundos” seria uma outra forma de visão de mundo e de organização de um pseudo-socialismo na China. Para nós, isso significa apenas uma coisa: permanecer no lugar, manter a situação atual do capitalismo mundial.

O nosso partido e todos os marxista-leninistas devem se levantar em uma luta feroz para combater todos estes renegados, estes inimigos da revolução e defender a nossa teoria imortal, o marxismo-leninismo!


Inclusão: 21/12/2023