A Situação Após a Vitória Sobre a Segunda Campanha Anti-Comunista

Mao Tsetung

18 de Março de 1941


Primeira Edição: Diretiva interna do Partido, redigida pelo camarada Mao Tsetung em nome do Comité Central do Partido Comunista da China.
Tradução: A presente tradução está conforme à nova edição das Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Tomo II (Edições do Povo, Pequim, Agosto de 1952). Nas notas introduziram-se alterações, para atender as necessidades de edição em línguas estrangeiras.
Fonte: Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Pequim, 1975, Tomo II, pág: 753-758.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo

Direitos de Reprodução: Licença Creative Commons licenciado sob uma Licença Creative Commons.


capa

1. A segunda campanha anti-comunista(1), que começou com o telegrama de Ho In-tchin e Bai Tchon-si, datado de 19 de Outubro último, atingiu o ponto culminante com o Incidente do Sul de Anghuei e a ordem de Tchiang Kai-chek de 17 de Janeiro(2); quanto ao discurso anti-comunista pronunciado por este, a 6 de Março, e a resolução anti-comunista do Conselho Político Nacional(3), não se trata mais do que ataque que antecede a retirada. É possível que, para diante, a situação vá registando certo afrouxamento, provisório. Em vésperas do combate decisivo entre os dois grandes blocos imperialistas do mundo, os setores pró-inglês e pró-norte-americano da grande burguesia chinesa, que ainda se opõem aos agressores japoneses, não poderão deixar de tentar um ligeiro afrouxamento temporário da tensão que atualmente existe entre o Kuomintang e o Partido Comunista. Por outro lado, a situação no próprio interior do Kuomintang (contradições entre a autoridade central e as autoridades locais, entre o Grupo C.C. e o Grupo de Ciências Políticas, entre o Grupo C.C. e o Fucinche, entre os obstinados e os elementos intermédios, enfim, as contradições no seio do próprio Grupo C.C. e do Fucinche), a situação no país (oposição das grandes massas populares a tirania do Kuomintang e simpatia pelo Partido Comunista) e a política do nosso Partido (que prossegue a sua campanha de protesto) não permitem que, nas relações connosco, o Kuomintang mantenha a tensão dos últimos cinco meses. É isso que faz com que o ligeiro afrouxar temporário da tensão constitua atualmente uma necessidade para Tchiang Kai-chek.

2. A luta recente é um testemunho do enfraquecimento da posição do Kuomintang e do reforço da posição do Partido Comunista; nisso está o fator decisivo de certas mudanças verificadas na relação de forças entre os dois partidos. Tchiang Kai-chek viu-se pois obrigado a reconsiderar as suas posições e atitude. Insistindo sobre a defesa nacional e pregando que a ideia de partido está ultrapassada, ele pretende arvorar-se em “líder nacional” acima das contradições internas do país e simula uma imparcialidade face as classes e partidos, tudo para manter a dominação dos grandes senhores de terras, grande burguesia e Kuomintang. Mas se isso apenas for uma forma de enganar, em nada correspondendo a qualquer mudança de política, a pretensão resultará inevitavelmente vã, sem êxito.

3. A política de concessões e compromissos adotada pelo nosso Partido, no início da campanha anti-comunista e em consideração dos interesses gerais (como testemunha o telegrama de 9 de Novembro último), conquistou a simpatia das grandes massas populares, e a nossa passagem a contra-ofensiva enérgica após o Incidente do Sul de Anghuei (nomeadamente as nossas primeira e segunda petições em doze pontos(4), a nossa recusa em participar na sessão do Conselho Político Nacional, assim como a campanha nacional de protesto) foi igualmente aprovada pela totalidade do povo. Baseada nos princípios de razão, vantagem e medida, essa política revelou-se absolutamente necessária para rechaçar a campanha anti-comunista, e produziu já os seus frutos. Enquanto os pontos principais em disputa não ficarem razoavelmente solucionados, devemos, sem o menor desfalecimento, continuar a realizar essa enérgica campanha de protesto ante o Incidente do Sul de Anghuei, provocado pelos elementos pró-japoneses e pelos elementos anti-comunistas do Kuomintang, bem como contra toda a forma de opressão política e militar que estes exercem sobre nós, ao mesmo tempo que intensificaremos a propaganda em torno da nossa primeira petição em doze pontos.

4. Nas regiões que se encontram sob dominação do Kuomintang, este não relaxará a sua política de opressão, quanto ao nosso Partido e quanto aos indivíduos progressistas, tanto como não descuidará a sua propaganda anti-comunista; o nosso Partido deve pois redobrar de vigilância. O Kuomintang há-de insistir nos ataques contra a região situada a norte do rio Huai, contra o leste do Anghuei e contra o Hupei central, devendo as nossas forças repeli-lo resolutamente. Todas as bases de apoio devem observar firmemente a diretiva do nosso Comité Central de 25 de Dezembro último(5), reforçar no seio do Partido o trabalho de educação sobre questões de tática e corrigir as concepções esquerdistas, de modo a mantermos prolongada e solidamente a totalidade das bases democráticas anti-japonesas. Por todo o país, incluídas as bases de apoio, é necessário acabar com essa apreciação falsa segundo a qual já é um fato, ou está iminente, a ruptura definitiva entre o Kuomintang e o Partido Comunista, e combater os inúmeros pontos de vista errados que dela decorrem.

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Notas de rodapé:

(1) Para maiores detalhes sobre essa campanha, ver “Comentário a XI Sessão Plenária do Comité Executivo Central do Kuomintang e a II Sessão do III Conselho Político Nacional”, Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Tomo III. (retornar ao texto)

(2) Ordem contra-revolucionária de Tchiang Kai-chek sobre a dissolução do Novo IV Exército, emitida a 17 de Janeiro de 1941, em nome do Conselho Militar do Governo Nacional. Ver “Declaração”, no artigo “Ordem e Declaração sobre o Incidente do Sul de Anghuei”. (retornar ao texto)

(3) No dia 6 de Março de 1941, Tchiang Kai-chek pronunciou um discurso anti-comunista no Conselho Político Nacional. Retomando a sua velha tese de necessidade de “unificação” das “ordens militares” e das “ordens administrativas”, declarou que a existência do poder democrático anti-japonês na retaguarda do inimigo era inadmissível e que as forças armadas populares dirigidas pelo Partido Comunista da China deviam, conformemente as suas “ordens e plano, ser concentradas nas regiões definidas”. Nesse mesmo dia, o “Conselho Político Nacional”, controlado pelos reacionários do Kuomintang, adotou uma resolução que justificava os atos criminosos de Tchiang Kai-chek contra o Partido Comunista e contra o povo, e atacava violentamente os membros comunistas do Conselho, por se haverem recusado a assistir a reunião, em manifestação de protesto contra» o Incidente do Sul de Anghuei. (retornar ao texto)

(4) A primeira petição em “doze pontos”, apresentada ao Conselho Político Nacional, pelos membros comunistas desse Conselho, a 15 de Fevereiro de 1941, correspondia no conteúdo a petição em doze pontos formulada na “Ordem e Declaração sobre o Incidente do Sul de Anghuei”. A segunda petição foi submetida a Tchiang Kai-chek, a 2 de Março de 1941, pelos membros comunistas do Conselho Político Nacional, como condição da sua participação nas sessões do dito Conselho. Era assim o seu teor:

  1. Cessação imediata dos ataques militares contra o Partido Comunista, em toda a extensão do país;
  2. cessação imediata das perseguições políticas no país, reconhecimento de estatuto legal ao Partido Comunista da China e demais partidos e grupos democráticos, e libertação dos detidos em Si-an, Tchuntchim, Cuei-iam e outros pontos;
  3. anulação da interdição contra as livrarias, encerradas nos vários pontos do país, anulação do decreto sobre o confisco de publicações anti-japonesas pela administração dos correios;
  4. cessação imediata de todas as medidas opressivas contra o jornal Singhuajepao;
  5. reconhecimento de estatuto legal a região fronteiriça Xensi-Cansu-Ninsia;
  6. reconhecimento do poder democrático anti-japonês na retaguarda do inimigo;
  7. manutenção do statu quo nas zonas de guarnição do Centro, Norte e Noroeste da China;
  8. permissão ao Partido Comunista da China de criar um novo grupo de exércitos, além do XVIII Grupo de Exércitos, e manter sob sua direção um efetivo de seis corpos de exército;
  9. libertação de todos os quadros detidos por ocasião do Incidente do Sul de Anghuei e subvenção as famílias das vítimas;
  10. libertação de todos os militares aprisionados durante o Incidente do Sul de Anghuei e restituição de todas as armas;
  11. criação dum comité conjunto de todos os partidos e grupos políticos, dispondo cada um de um representante; nomeação do representante do Kuomintang como presidente desse comité e do representante do Partido Comunista como vice-presidente;
  12. admissão dos representantes do Partido Comunista da China no presidium do Conselho Político Nacional.” (retornar ao texto)

(5) Ver “Sobre a Nossa Política”. (retornar ao texto)

Inclusão 18/03/2014