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Primeira Edição: Decisão do Comitê Central do Partido Comunista da China, redigida pelo camarada Mao Tse-tung. HTML: Fernando A. S. Araújo |
1. Há dois métodos que os comunistas devemos aplicar em todo trabalho que realizamos: um é combinar o geral com o particular, e o outro, ligar a direção com as massas.
2. Ante qualquer tarefa, se não se faz um chamamento geral, é impossível mobilizar as amplas massas para a ação. Sem embargo, se os dirigentes se retiram no chamamento geral não se ocupam concreta e diretamente da execução completa, em algumas organizações, do trabalho que chamam a realizar, para abrir uma brecha em um ponto dado, adquirir ali experiência e logo orientar com ela as demais entidades, não poderão comprovar se é justo esse chamamento nem enriquecer seu conteúdo, com o que dito chamamento correrá o perigo de acabar em letra morta. Por exemplo, durante a campanha de retificação em 1942, houve êxitos ali onde se emprego o método de combinar o chamamento geral com a orientação particular, e não os houve onde não se aplicou esse método. Na campanha de retificação em 1943, todos os escritórios, e subescritórios do Comitê Central e os comitês regionais e de prefeitura do partido, ademais de lançar um chamamento geral (plano anual da campanha), devem fazer o seguinte a fim de adquirir experiência: eleger os três lugares (não muitos), sejam departamentos de seu próprio organismo ou entidades oficiais, escolas ou unidades militares vizinhas; realizar neles um estudo em profundidade para conhecer detalhadamente o desenvolvimento da campanha de retificação ali e para conhecer minuciosamente o passado político, características ideológicas, aplicação no estudo e diligência no trabalho de alguns membros representativos (não muitos tão pouco) de seu pessoal, e ademais, orientar pessoalmente aos responsáveis destes lugares na solução concreta dos problemas práticos. Como cada entidade oficial, escola e unidade militar tem também várias seções, seus dirigentes devem proceder de igual maneira. Este é ademais um método que permite aos dirigentes aprender e dirigir ao mesmo tempo. Nenhum dirigente saberá dar orientação geral ao conjunto das entidades a seu cargo, a menos que obtenha experiência concreta em relação a indivíduos e assuntos determinados de entidades subordinadas específicas. Este método deve ser generalizado para que os quadros dirigentes de todos os níveis aprendam a aplicá-lo.
3. A experiência da campanha de retificação em 1942 demonstra também que em cada entidade é indispensável para o êxito da campanha que se forme no curso desta um grupo dirigente composto de um pequeno número de ativistas reunidos em torno do responsável principal da entidade em questão, e que este grupo forje uma estreita ligação com as amplas massas participantes na campanha. Por mais ativo que se mostre o grupo dirigente, sua atividade não passará de infrutífero esforço de um punhado de pessoas, se não se liga com a atividade das amplas massas. Não obstante, a atividade das amplas massas, sem um forte grupo dirigente que a organize da forma apropriada, não pode manter-se por muito tempo, nem desenvolver-se em uma direção correta, nem elevar-se a um alto nível. Em qualquer lugar, as massas estão integradas, em geral, por três categorias de pessoas: as relativamente ativas, as intermediárias e as relativamente atrasadas. Por isso, os dirigentes devem saber unir em seu entorno o pequeno número de elementos ativos e, apoiando-se neles, elevar a consciência política dos elementos intermediários e ganhar os atrasados. Um grupo dirigente, verdadeiramente unido e vinculado com as massas, só pode formar-se gradualmente em meio da luta de massas, e não à margem dela. No curso de uma grande luta, a composição do grupo dirigente não deve nem pode, na maioria dos casos, permanecer invariável através das etapas inicial, média e final; é necessário promover constantemente os ativistas surgidos na luta, para substituir aqueles membros do grupo dirigente que resultem inferiores em comparação com eles ou que tenham degenerado. Uma das causas fundamentais de porque não há podido avançar o trabalho em muitos lugares e entidades oficiais, está na falta de um grupo dirigente assim, que se mantenha bem unido, vinculado com as massas e sempre são. Se em uma escola de uma centena de pessoas não há um grupo dirigente formado de acordo com as circunstâncias reais (e não reunido artificialmente) e composto de vários ou algo mais de uma dezena dos elementos mais ativos, retos e sagazes entre os professores, empregados e estudantes, essa escola há de marchar mal. Devemos aplicar em todas as entidades oficiais, escolas, unidades militares, fábricas e aldeias, sejam grandes ou pequenas, o que indica Stálin acerca da criação de um grupo dirigente na novena das doze condições para a bolchevização dos Partidos Comunistas(1). A eleição dos membros de tal grupo dirigente deve ter por critério as quatro condições formuladas por Dimitrov ao tratar da política de quadros: devoção total, ligação com as massas, capacidade para orientar-se independentemente em toda situação e espírito de disciplina.(2) Tanto ao cumprir qualquer das tarefas centrais – guerra, produção, educação(incluída a campanha de retificação) - , como ao inspecionar o trabalho, examinar a história dos quadros ou realizar qualquer outro trabalho, há que adotar o método de ligar o grupo dirigente com as amplas massas, ademais do método de combinar o chamamento geral com a orientação particular.
4. Em todo trabalho prático de nosso Partido, toda direção correta está baseada necessariamente no princípio: “das massas, às massas”. Isso significa recolher as idéias (dispersas e não sistemáticas) das massas e sintetizá-las (transformá-las, mediante o estudo, em idéias sintetizadas e sistematizadas) para logo levá-las às massas, difundi-las e explicá-las, de modo que as massas as façam suas, perseverem nelas e as traduzam em ação, e comprovar na ação das massas a justeza dessas idéias. Logo, há que voltar e recolher e sintetizar as idéias das massas e levá-las às massas para que perseverem nelas, e assim indefinidamente, de modo que as idéias se tornem cada vez mais justas, mais vivas e mais ricas de conteúdo. Tal é a teoria marxista do conhecimento.
5. A concepção de que, trate-se de uma organização ou de uma luta, entre o grupo dirigente e as amplas massas deve haver relações corretas, a concepção de que as idéias corretas da direção só podem elaborar-se recorrendo e sintetizando as idéias das massas e levando-as logo às massas para que perseverem nelas, e a concepção de que, ao por em prática as idéias da direção, se deve combinar o chamamento geral com a orientação particular, devem ser amplamente difundidas, no curso da atual campanha de retificação, com o fim de corrigir os pontos de vista errôneos que a respeito existem entre nossos quadros. Muitos camaradas não concedem importância a unir em torno de si os ativistas para formar um núcleo dirigente, ou não sabem fazê-lo, e não concedem importância a ligar estreitamente este núcleo dirigente com as amplas massas, ou não sabem fazê-lo; por isso a sua direção se converte em uma direção burocrática, divorciada das massas. Muitos camaradas não concedem importância a sintetizar as experiências da luta de massas, ou não sabem fazê-lo, e, passando-se de inteligente, gostam de traçar de maneira subjetivista quantidade de opiniões, pela qual suas idéias resultam vazias e fora da realidade. Muitos camaradas se contentam com lançar um chamamento geral para uma tarefa e não concedem importância em dar imediatamente depois orientação particular e concreta, ou não sabem fazê-lo; em conseqüência, seu chamamento termina na boca, no papel ou na sala de reuniões, e sua direção se torna burocrática. Há que corrigir estes defeitos na presente campanha de retificação; há que aprender a aplicar os métodos de ligar a direção com as massas e de combinar o geral com o particular na campanha de retificação, na inspeção do trabalho e no exame da história dos quadros, e também que empregá-los em todo nosso trabalho político.
6. Recolher e sintetizar as idéias das massas e levá-las logo às massas para que perseverem nelas, e, desta maneira, elaborar idéias corretas de direção: tal é o método fundamental de direção. No processo durante o qual se recolhem e sintetizam as idéias das massas e estas perseveram nelas, é necessário aplicar o método de combinar o chamamento geral com a orientação particular; isto é parte integrante do dito método fundamental. Elaborar as idéias gerais (chamamento geral) partindo da orientação particular em numerosos casos concretos, e levar essas idéias a muitas entidades diferentes para comprová-las (não só devemos fazê-lo nós mesmos, senão aconselharmos aos demais); depois, recolher e sintetizar as novas experiências (fazer o balanço) e elaborar novas diretrizes para a orientação geral das massas. Assim devem proceder nossos camaradas na presente campanha de retificação, e também em qualquer outro trabalho. A qualidade da direção depende da habilidade dos dirigentes para proceder segundo esse método.
7. Ao atribuir às entidades subordinadas qualquer tarefa (guerra revolucionária, produção, educação; campanha de retificação, inspeção do trabalho, exame da história dos quadros; o trabalho de propaganda, de organização, de contra-espionagem, etc), um organismo dirigente superior e seus diferentes departamentos devem fazê-lo por intermédio dos responsáveis principais dos organismos inferiores correspondentes, para que estes assumam responsabilidades; desta maneira se asseguram tanto a divisão do trabalho como a direção unificada (centralizada). Um departamento de um organismo superior não deve colocar-se em contato somente com o departamento correspondente de um organismo inferior (por exemplo, o departamento de organização, o de propaganda ou o de contra-espionagem de nível superior com os departamentos inferiores correspondentes), porque em tal caso o responsável principal do organismo inferior (por exemplo, um secretário, presidente, chefe, diretor de escola, etc.) não estará informado e não poderá assumir responsabilidades. É necessário que estejam informados e assumam responsabilidades tanto o responsável principal do organismo inferior como os responsáveis dos departamentos interessados. Este método de centralização, que combina a divisão do trabalho e a direção unificada, permite mobilizar, através do responsável principal, a muitos e às vezes inclusive o pessoal inteiro para que cumpram uma tarefa, e assim se pode superar a insuficiência de quadros em um ou outro departamento e converter um bom número de pessoas em quadros ativos na realização dessa tarefa. Essa é também uma das formas de ligar a direção com as massas. Tomemos por exemplo o exame da história dos quadros. Se o realiza isoladamente um pequeno grupo de pessoas de um organismo dirigente, como o departamento de organização, sem dúvida esse trabalho não se fará bem. Mas, se por intermédio do responsável de uma entidade oficial ou do diretor de uma escola, se mobilizam muitos, e as vezes inclusive a todo o pessoal ou estudantada da entidade ou escola para que participem neste trabalho, enquanto que os dirigentes do departamento de organização de nível superior lhes dão uma orientação correta, aplicando assim o princípio de ligar a direção com as massas, não há dúvida de que será obtido satisfatoriamente o fim que se persegue com o exame da história dos quadros.
8. Em nenhum lugar pode haver ao mesmo tempo muitas tarefas centrais. Só pode haver, em um tempo determinado, uma tarefa central, complementada por outras de segunda e terceira ordem. Por tanto, o responsável principal de uma localidade deve, tendo em conta a história e circunstâncias da luta ali, estabelecer a ordem apropriada das diferentes tarefas; não deve atuar sem plano próprio, empreendendo uma e outra tarefa segundo lhe cheguem as instruções dos organismos superiores, pois isto criaria uma multidão de tarefas centrais e daria espaço para a confusão e a desordem. Por sua parte, nenhum organismo superior deve atribuir simultaneamente muitas tarefas aos organismos inferiores, em indicar sua importância, e sua urgência relativas nem especificar qual é a tarefa central, porque isto levará desordem ao trabalho dos organismos inferiores e lhes impedirá conseguir os resultados previstos. O dirigente deve, a luz das condições históricas e as circunstâncias existentes em uma localidade dada e tendo em conta a situação em seu conjunto, determinar com justeza o centro de gravidade do trabalho e a ordem de execução das tarefas para cada período, aplicar com tenacidade o decidido e assegurar o ganho dos resultados previstos: isto é parte da arte de dirigir. Trata-se também de uma questão de método de direção, a cuja solução deve prestar-se atenção ao aplicar os princípios de ligar a direção com as massas e de combinar o geral com o particular.
9. Não vamos tratar de todos os detalhes concernentes aos métodos de direção, e esperamos que os camaradas em cada localidade, partindo dos princípios aqui expostos, reflitam conscienciosamente e ponham em jogo sua iniciativa criadora. Quanto mais dura seja a luta, tanto mais indispensável será para os comunistas ligar estreitamente sua direção com as exigências das amplas massas e combinar estreitamente seu chamamento geral com sua orientação particular, a fim de liquidar de maneira definitiva os métodos de direção subjetivistas e burocráticos. Todos os camaradas do nosso partido que se ocupam do trabalho de direção, devem contrapor sempre os métodos de direção científicos marxistas aos métodos subjetivistas e burocráticos, e eliminar estes se valendo dos primeiros. Os subjetivistas e os burocratas não compreendem o princípio de ligar a direção com as massas nem o de combinar o geral com o particular, e obstaculizam enormemente a marcha do trabalho do partido. Para combater os métodos de direção subjetivistas e burocráticos, é necessário generalizar e fazer arraigar os métodos de direção científicos marxistas.
Notas de rodapé:
(1) Ver J. V. Stálin, “Sobre as perspectivas do PC da Alemanha e sobre a bolchevização”. (retornar ao texto)
(2) Ver J. Dimitrov, Pela unidade da classe operária contra o fascismo, conclusões do VII congresso da internacional comunista, parte VII: “Sobre os Quadros”. (retornar ao texto)
| Inclusão | 19/08/2011 |