Transcrição
autorizada
Link Avante

O Capital
Crítica da Economia Política
Karl Marx

Livro Primeiro: O processo de produção do capital

Quarta Secção: A produção da mais-valia relativa
Décimo terceiro capítulo. Maquinaria e grande indústria


2. Entrega de valor da maquinaria ao produto


capa

Vimos que as forças produtivas, que surgem da cooperação e da divisão do trabalho, nada custam ao capital. São forças naturais do trabalho social. Forças naturais como vapor, água, etc, que são apropriadas a processos produtivos, também não custam nada. Mas como o homem precisa de um pulmão para respirar, precisa também de uma «obra de braço humano»[N133] para consumir produtivamente forças naturais. É precisa uma roda hidráulica para explorar a força de movimento da água, uma máquina a vapor para explorar a elasticidade do vapor. Passa-se com a ciência o mesmo que com as forças naturais. Uma vez descobertas, a lei acerca do desvio da agulha magnética no campo de acção de uma corrente eléctrica ou a lei acerca da produção de magnetismo no ferro à volta do qual circula uma corrente eléctrica, não custam cinco réis(1*). Mas para a exploração destas leis para a telegrafia, etc, é preciso um aparelho muito dispendioso e volumoso. Como vimos, a ferramenta não é suprimida pela máquina. De ferramenta anã do organismo humano ela estende-se, em volume e quantidade, a ferramenta de um mecanismo criado pelo homem. Em vez de com o utensílio artesanal, o capital faz o operário trabalhar agora com uma máquina que maneja as suas próprias ferramentas. Se, portanto, é claro à primeira vista que a grande indústria tem de aumentar extraordinariamente a produtividade do trabalho por incorporação de monstruosas forças naturais e da ciência da Natureza no processo de produção, não é de modo algum tão claro que esta subida da força produtiva não seja adquirida, por outro lado, através de aumento do dispêndio de trabalho. Tal como qualquer outra parte componente do capital constante, a maquinaria não cria qualquer valor; entrega porém o seu próprio valor ao produto para cuja geração ela serve. Na medida em que tem valor, e portanto transfere valor para o produto, ela forma uma parte componente de valor do mesmo. Em vez de o embaratecer, ela encarece-o na proporção do seu valor próprio. E é palpável que máquina e maquinaria sistematicamente desenvolvida — o meio de trabalho característico da grande indústria — não cresce proporcionalmente em valor comparado com os meios de trabalho da empresa artesanal e manufactureira.

É antes de mais de notar que a maquinaria entra sempre totalmente no processo de trabalho e sempre apenas parcialmente no processo de valorização. Ela jamais acrescenta mais valor do que perde, em média, pelo seu desgaste. Verifica-se, pois, grande diferença entre o valor da máquina e a parte de valor periodicamente transferida dela para o produto. Verifica-se uma grande diferença entre a máquina como elemento formador de valor e como elemento formador de produto. Quanto maior o período durante o qual a mesma maquinaria serve repetidamente no mesmo processo de trabalho tanto maior é aquela diferença. Sem dúvida, vimos que qualquer meio de trabalho propriamente dito ou instrumento de produção entra sempre totalmente no processo de trabalho e sempre apenas parcialmente no processo de valorização, na proporção do seu desgaste médio diário. Contudo, esta diferença entre utilização e desgaste é muito maior no caso da maquinaria do que no da ferramenta porque aquela, construída em material mais duradoiro, vive mais tempo, porque o seu emprego, regulado por leis rigorosamente científicas, possibilita maior economia no dispêndio das suas partes componentes e dos seus meios de consumo, e finalmente porque o seu campo de produção é desproporcionadamente maior do que o da ferramenta. Se deduzirmos de ambas, da maquinaria e da ferramenta, os seus custos médios diários ou a parte componente de valor que elas acrescentam ao produto pelo desgaste médio diário e pelo consumo de matérias auxiliares, como óleo, carvões, etc, então elas actuam de graça, tal como as forças naturais existentes sem a intervenção de trabalho humano. Quanto maior do que o da ferramenta for o volume produtivo de acção da maquinaria, tanto maior será o volume do seu serviço gratuito comparado com o da ferramenta. Só na grande indústria o homem aprende a fazer actuar de graça em grande escala como uma força natural o produto do seu trabalho passado, já objectivado(2*).

Da consideração da cooperação e da manufactura resultou que certas condições gerais de produção, como edifícios, etc, em comparação com as condições de produção dispersas de operários isolados, são economizadas pelo consumo em comum, encarecem portanto menos o produto. Na maquinaria, não só o corpo de uma máquina de trabalho é gasto em comum pelas suas muitas ferramentas, mas a mesma máquina de movimento, juntamente com uma parte do mecanismo de transmissão, é gasta em comum por muitas máquinas de trabalho.

Dada a diferença entre o valor da maquinaria e a parte de valor transferida para o seu produto diário, o grau em que esta parte de valor encarece o produto depende primeiramente do volume do produto, o mesmo é dizer da sua superfície. O senhor Baynes, de Blackburn, estima numa conferência publicada em 1857 que

«cada força de cavalo mecânica real(3*) impulsionará 450 fusos self-acting mule, com preparação, ou 200 fusos throstle, ou 15 teares para 40 inch cloth(4*) com dispositivos para urdidura, encolamento, etc.»[N132]

É sobre o produto diário, no primeiro caso, de 450 fusos mule, no segundo, de 200 fusos throstle, no terceiro, de 15 teares mecânicos, que se repartem os custos diários de uma força de cavalo de vapor e o desgaste da maquinaria posta por ela em movimento, de modo que assim se transfere para uma onça de fio ou um côvado de tecido apenas uma minúscula parte de valor. Acontece o mesmo, no exemplo acima, com o martelo a vapor. Uma vez que o seu desgaste diário, o consumo de carvão, etc, se repartem pelas tremendas massas de ferro que ele diariamente martela, a cada quintal de ferro junta-se apenas uma minúscula parte de valor, que seria muito grande se o ciclópico instrumento tivesse de espetar pequenos pregos.

Dada a esfera de acção da máquina de trabalho, portanto a quantidade das suas ferramentas, ou, quando se trata de força, o seu volume, a massa de produtos dependerá da velocidade com que ela opera, portanto, p. ex., da velocidade com que o fuso gira ou da quantidade de pancadas que o martelo dá em um minuto. Muitos desses martelos colossais dão 70 pancadas, a máquina patenteada de forjar de Ryder, que emprega martelos a vapor em menores dimensões para forjar fusos, dá 700 pancadas por minuto.

Dada a proporção em que a maquinaria transfere valor para o produto, a magnitude desta parte de valor depende da própria magnitude de valor da maquinaria(5*). Quanto menos trabalho ela própria contiver, tanto menos valor ela acrescenta ao produto. Quanto menos valor entregue, tanto mais produtiva ela é e tanto mais o seu serviço se aproxima do das forças da Natureza. A produção da maquinaria por maquinaria reduz, porém, o seu valor proporcionalmente à sua extensão e eficácia.

Uma análise comparativa dos preços de mercadorias produzidas artesanal ou manufactureiramente e dos preços das mesmas mercadorias como produto de máquinas fornece em geral o resultado de que no produto de máquinas a parte componente de valor devida ao meio de trabalho cresce relativamente, mas diminui absolutamente. Isto é, a sua magnitude absoluta diminui, mas a sua magnitude em relação ao valor total do produto, p. ex. de uma libra de fio, aumenta(8*).

É claro que tem lugar uma mera deslocação do trabalho — portanto não se reduz a soma total do trabalho requerido para a produção de uma mercadoria nem se multiplica a força produtiva do trabalho — se a produção de uma máquina custa tanto trabalho quanto o seu emprego poupa. Todavia, a diferença entre o trabalho que ela custa e o trabalho que ela poupa, ou o grau da sua produtividade, manifestamente não depende da diferença entre o seu valor próprio e o valor da ferramenta por ela substituída. A diferença mantém-se enquanto os custos de trabalho da máquina, e portanto a parte de valor por ela acrescentada ao produto, permanecerem menores do que o valor que o operário acrescentaria ao objecto de trabalho com a sua ferramenta. A produtividade da máquina mede-se, portanto, pelo grau em que ela substitui força de trabalho humana. Segundo o senhor Baynes, para 450 fusos mule, juntamente com a maquinaria prévia, que são accionados por uma força de cavalo de vapor, chegam 2 1/2 operários(10*) e são fiadas com cada self-acting mule spindle(11*), num dia de trabalho de dez horas, 13 onças de fio (número médio), portanto semanalmente 365 5/8 libras de fio por 2 1/2 operários. Na sua transformação em fio, cerca de 366 libras de algodão (para simplificar abstraímos do desperdício) absorvem portanto apenas 150 horas de trabalho ou 15 dias de trabalho de dez horas, enquanto com a roda de fiar, se o fiandeiro manual fornecer 13 onças de fio em 60 horas, o mesmo quantum de algodão absorveria 2700 dias de trabalho de 10 horas ou 27 000 horas de trabalho(12*). Onde o velho método do block-printing(13*) ou da estampagem manual de chitas foi suprimido por impressão à máquina, uma única máquina imprime com a assistência de um homem ou de um jovem tantas chitas multicolores numa hora como dantes 200 homens(14*). Antes de, em 1793, Eli Whitney haver inventado a cotton gin, a separação de um libra de algodão da semente custava um dia de trabalho médio. Em consequência da sua invenção, 100 lib. de algodão puderam ser diariamente obtidas por uma negra e a eficiência da gin foi desde então ainda significativamente aumentada. Uma libra de fibra de algodão, dantes produzida por 50 cents, é mais tarde vendida com maior lucro por 10 cents, i. é, com inclusão de mais trabalho não-pago. Na Índia, para a separação das fibras da semente emprega-se um instrumento semimecânico, a churka, com que um homem e uma mulher limpam diariamente 28 lib. Com a churka inventada há alguns anos pelo Dr. Forbes, 1 homem e 1 jovem produzem diariamente 250 lib.; onde se usam bois, vapor ou água como forças motrizes, requerem-se apenas poucos jovens e raparigas como feeders (serventes de material para a máquina). Dezasseis destas máquinas, accionadas por bois, executam diariamente a anterior obra diária média de 750 pessoas(15*).

Como já mencionado(16*), a máquina a vapor, no arado a vapor, executa numa hora por 3 d., ou 1/4 sh., tanto trabalho como 66 pessoas por 15 sh. à hora. Retomo este exemplo contra uma representação falsa. É que os 15 sh. não são de modo algum a expressão do trabalho acrescentado durante uma hora pelas 66 pessoas. Se a relação de sobretrabalho para trabalho necessário fosse 100%, então estes 66 operários produziam por hora um valor de 30 sh., embora para eles próprios só 33 horas se apresentassem num equivalente, i. é, no salário de 15 sh. Admitindo, portanto, que uma máquina custasse tanto quanto o salário anual de 150 operários por ela suprimidos, digamos 3000 lib. esterl., então 3000 lib. esterl. não são de modo algum a expressão em dinheiro do trabalho fornecido por 150 operários e acrescentado ao objecto de trabalho, mas apenas a expressão da parte do seu trabalho anual que para eles próprios se apresenta em salário. Pelo contrário, o valor em dinheiro da máquina de 3000 lib. esterl. exprime todo o trabalho despendido durante a sua produção, qualquer que seja a proporção em que este trabalho forme salário para o operário e mais-valia para o capitalista. Se, portanto, a máquina custasse tanto como a força de trabalho por ela substituída, então o trabalho nela própria objectivado seria sempre muito menor do que o trabalho vivo por ela substituído(17*).

Exclusivamente considerada como meio para o embaratecimento do produto, o limite para o uso da maquinaria é dado pelo facto de a sua própria produção custar menos trabalho do que o trabalho que o seu emprego substitui. Todavia, para o capital este limite exprime-se de um modo mais estreito. Uma vez que não é o trabalho empregue que conta, mas o valor da força de trabalho empregue, o uso da máquina é-lhe limitado pela diferença entre o valor da máquina e o valor da força de trabalho por ela substituída. Uma vez que a divisão do dia de trabalho em trabalho necessário e sobretrabalho é diversa em diversos países, e também o é no mesmo país em diversos períodos ou durante o mesmo período em diversos ramos de negócio; uma vez que, além disso, o salário real do operário ora desde abaixo do valor da sua força de trabalho, ora sobe acima dele — a diferença entre o preço da maquinaria e o preço da força de trabalho a ser por ela substituída pode variar muito, ainda que a diferença entre o quantum de trabalho preciso para a produção da máquina e o quantum total do trabalho por ela substituído permaneça a mesma(18*). É, porém, apenas a primeira diferença que determina os custos de produção da mercadoria para o próprio capitalista e o influencia através das leis coercivas da concorrência. São, portanto, hoje inventadas máquinas em Inglaterra que só se empregam na América do Norte, tal como a Alemanha inventou máquinas nos séculos XVI e XVII que apenas a Holanda empregou e como muita invenção francesa do século XVIII só foi explorada em Inglaterra. Em países há mais tempo desenvolvidos, a própria máquina produz pelo seu emprego em alguns ramos de negócio um tal supérfluo de trabalho (redundancy of labour, diz Ricardo) em outros ramos que aqui a queda do salário abaixo do valor da força de trabalho impede o uso da maquinaria e o torna do ponto de vista do capital — cujo ganho brota, além disso, da redução não do trabalho empregue, mas do trabalho pago — supérfluo e frequentemente impossível. Em alguns ramos da manufactura inglesa da lã, durante os últimos anos, o trabalho infantil foi muito reduzido, aqui e ali quase suprimido. Porquê? A lei fabril obrigava a um duplo turno de crianças, dos quais um trabalharia 6, o outro 4 horas, ou cada um apenas 5 horas. Mas os pais não queriam vender os half-times (meios-tempos) mas barato do que dantes os full-times (tempos-inteiros)(19*). Daí a substituição dos half-times por maquinaria(20*). Antes da proibição do trabalho de mulheres e crianças (abaixo dos 10 anos) em minas, o capital achava o método de se aproveitar mulheres e raparigas nuas, frequentemente misturadas com homens, em minas de carvão e outras, tão de acordo com o seu código moral e nomeadamente também com o seu livro-razão que só depois da proibição lançou mão da maquinaria. Os yankees inventaram máquinas para britar pedra. Os ingleses não as empregam, pois o «miserável» («wretch» é o termo técnico da economia política inglesa para o operário agrícola) que executa este trabalho recebe em paga uma parte tão pequena do seu trabalho que a maquinaria encareceria a produção para o capitalista(21*). Em Inglaterra, continua-se a empregar ocasionalmente, em vez de cavalos, mulheres para puxar, etc, nos barcos dos canais(22*), porque o trabalho requerido para a produção de cavalos e máquinas é um quantum matematicamente dado, o requerido para a manutenção de mulheres da sobrepopulação está, pelo contrário, abaixo de qualquer cálculo. Não se encontra pois, em parte alguma, esbanjamento mais desavergonhado de força humana para ninharias do que precisamente em Inglaterra, o país das máquinas.

continua>>>

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

Notas de rodapé:

(1*) A ciência não custa em geral «nada» ao capitalista, o que não o impede, de modo algum, de a explorar. A ciência «alheia» é incorporada ao capital tal como o trabalho alheio. Apropriação «capitalista» e apropriação «pessoal», seja de ciência seja de riqueza material, são porém inteiramente coisas díspares. O próprio Dr. Ure lamentava o grosseiro desconhecimento de mecânica por parte dos seus queridos fabricantes, exploradores de máquinas, e Liebig conta-nos que a ignorância dos fabricantes químicos ingleses, em matéria de química, era de pôr os cabelos em pé. (retornar ao texto)

(2*) Ricardo olha muitas vezes com tanta preferência para este efeito das máquinas — aliás tão pouco desenvolvido por ele quanto a diferença geral entre processo de trabalho e processo de valorização — que ocasionalmente esquece a parte componente de valor que as máquinas entregam ao produto, confundindo-o completamente com as forças naturais. Assim, p. ex., «Adam Smith em parte nenhuma subestima os serviços que os agentes naturais e a maquinaria realizam para nós, mas distingue muito justamente a natureza do valor que eles acrescentam às mercadorias... quando realizam o seu trabalho gratuitamente, a assistência que nos prestam nada acrescenta em troca ao valor.» (Ricardo, 1. c, pp. 336, 337.) A nota de Ricardo é naturalmente dirigida contra J.-B. Say que disparatadamente afirma que as máquinas prestariam o «serviço» de criar valor que formaria parte do «lucro». (retornar ao texto)

(3*) {Nota à 3.a ed. — Uma «força de cavalo» é igual à força de 33 000 libras-pé por minuto, i. é, à força que levanta 33 000 libras num minuto à altura de 1 pé (inglês) ou 1 libra à altura de 33 000 pés. É esta a força de cavalo acima referida. Na linguagem de negócios habitual e também aqui e ali em citações deste livro, distingue-se porém entre forças de cavalo «nominais» e «comerciais» ou «indicadas» da mesma máquina. A velha força de cavalo ou força de cavalo nominal é exclusivamente calculada a partir do curso do êmbolo e do diâmetro do cilindro e deixa totalmente fora de consideração a pressão do vapor e a velocidade do êmbolo. I. é, factualmente exprime: esta máquina a vapor tem, p. ex., a força de 50 cavalos se for accionada com a mesma fraca pressão de vapor e a mesma velocidade ínfima do êmbolo como no tempo de Boulton e Watt. Estes dois últimos factores cresceram porém enormemente desde então. Para medir a força mecânica hoje realmente fornecida por uma máquina foi inventado o indicador, que indica a pressão do vapor. A velocidade do êmbolo pode facilmente fixar-se. Assim, a medida da força de cavalo «indicada» ou «comercial» de uma máquina é uma fórmula matemática, que simultaneamente considera o diâmetro do cilindro, a altura do curso do êmbolo, a velocidade do êmbolo e a pressão do vapor, e com isso indica quantas vezes a máquina fornece realmente 33 000 libras-pé por minuto. Uma força de cavalo nominal pode, portanto, na realidade, fornecer três, quatro ou mesmo cinco forças de cavalos indicadas ou reais. Isto para explicação de diversas citações posteriores. — F. E.} (retornar ao texto)

(4*) Em inglês no texto: tecido de 40 polegadas. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(5*) O leitor prisioneiro de representações capitalistas sentirá naturalmente aqui a falta do «juro» que a máquina, pro rata(6*) do seu valor-capital; acrescenta ao produto. E porém fácil de ver que a máquina, uma vez que cria tão pouco valor novo quanto qualquer outra parte componente do capital constante, não pode acrescentar qualquer coisa com o nome de «juro». Além disso, é claro que aqui, tratatando-se da produção de mais-valia, nenhuma parte da mesma pode ser pressuposta a priori com o nome de «juro». O modo de calcular capitalista, que prima facie(7*) parece absurdo e contradizendo as leis da formação do valor, encontra no livro terceiro desta obra a sua explicação. (retornar ao texto)

(6*) Em latim no texto: na proporção. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(7*) Em latim no texto: à primeira vista. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(8*) Essa parte componente de valor acrescentada pela máquina cai, absoluta e relativamente, onde suprime cavalos, animais de trabalho em geral que apenas são utilizados como força de movimento, não como máquinas de troca material. Observe-se de passagem que Descartes, com a sua definição dos animais como meras máquinas, vê com olhos do período manufactureiro, diferentemente da Idade Média, para a qual o animal valia como ajuda do homem, como mais tarde de novo para o senhor von Haller na sua Restauration der Staatswissenschaften. Que Descartes, tal como Bacon, considerava a modificação de figura da produção e a dominação prática da Natureza pelo homem como resultado da modificação do método de pensar, mostra-o o seu Discours de la méthode, onde se diz entre outras coisas: «É possível» (através do método por ele introduzido na filosofia) «chegar a conhecimentos que sejam muito úteis à vida; e que em vez desta filosofia especulativa que se ensina nas escolas, se pode encontrar uma [filosofia] prática, pela qual, conhecendo a força e as acções do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, tão distintamente como conhecemos os diversos ofícios dos nossos artesãos, nós os poderíamos empregar do mesmo modo em todos os usos para que são próprios, e assim tornarmo-nos como que senhores e possuidores da Natureza» e deste modo contribuir para o aperfeiçoamento da vida humana. No prefácio aos Discourses upon Trade de Sir Dudley North (1691) diz-se que o método de Descartes, aplicado à economia política, teria começado a livrá-la de velhos contos de fadas e representações supersticiosas acerca do dinheiro, do comércio, etc. Contudo, em média, os economistas ingleses dos primeiros tempos seguem Bacon e Hobbes como seus filósofos, enquanto mais tarde Locke veio a ser «o filósofo» grego(9*) da economia política para a Inglaterra, França e Itália. (retornar ao texto)

(9*) Em grego no texto: por excelência. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(10*) Segundo um relatório anual da Câmara de Comércio de Essen (Out. 1863), em 1862 a fábrica de aço fundido de Krupp, servindo-se de 161 fornos de fundição, de recozimento e de cimento, de 32 máquinas a vapor (no ano de 1800 era esse aproximadamente o número total das máquinas a vapor empregues em Manchester) e de 14 martelos a vapor, que juntamente representam a força de 1236 cavalos, de 49 chaminés de forja, de 203 máquinas-ferramenta e cerca de 2400 operários, produzia 13 milhões de libras de aço fundido. Aqui não há ainda dois operários para 1 força de cavalo. (retornar ao texto)

(11*) Em inglês no texto: fuso de máquina de fiar automática. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(12*) Babbage calcula que em Java se acrescentam 117% ao valor do algodão quase só através do trabalho de fiação. Na mesma altura (1832), em Inglaterra, o valor total que maquinaria e trabalho acrescentam ao algodão na fiação fina ascendia aproximadamente a 33% do valor da matéria-prima. (On the Economy of Machinery, pp. 165, 166.) (retornar ao texto)

(13*) Em inglês no texto: impressão manual por meio de pranchas. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(14*) Na impressão mecânica poupa além disso tinta. (retornar ao texto)

(15*) Cf. Paper Road by Dr. Watson, Report on Products to the Government of India, before the Society of Arts, 17th April, 1860. (retornar ao texto)

(16*) Ver o presente tomo, p. 430. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(17*) «Estes agentes mudos» (as máquinas) «são sempre o produto de muito menos trabalho do que aquele que suprimem, mesmo quando são do mesmo valor-dinheiro.» (Ricardo, 1. c, p. 40.) (retornar ao texto)

(18*) Nota à 2.a edição. Numa sociedade comunista, a maquinaria teria portanto todo um outro espaço de acção do que na sociedade burguesa. (retornar ao texto)

(19*) Ver a presente edição, tomo I, p. 276. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(20*) «Empregadores de trabalho não reteriam desnecessariamente dois grupos de crianças abaixo dos treze anos... De facto, uma classe de manufactureiros, os fiandeiros de fio de lã, agora raramente empregam crianças abaixo dos treze anos de idade, i. e., empregados a meio-tempo [half-timers]. Eles introduziram maquinaria nova e melhorada de vários tipos que conjuntamente substitui o emprego de crianças» (i. é, abaixo dos treze anos); «p. ex., mencionarei um processo como uma ilustração desta diminuição no número de crianças, em que adicionando um aparelho, chamado máquina de emendar fio, a máquinas existentes, o trabalho de seis ou quatro empregados a meio-tempo, de acordo com a peculiaridade de cada máquina, pode ser realizado por um jovem» (acima dos treze anos) «... o sistema de meio-tempo "estimulou" a invenção da máquina de emendar fio.». (Reports of Insp. of Fact. for 31st Oct., 1858 [, pp. 42, 43].) (retornar ao texto)

(21*) «Maquinaria... não pode ser empregue frequentemente até que o trabalho» (ele quer dizer salário) «cresça.» (Ricardo, 1. c, p. 479.) (retornar ao texto)

(22*) Ver Report of the Social Science Congress at Edinburgh., Octob., 1863. (retornar ao texto)

Notas de fim de tomo:

[N132] John Baynes, "The Cotton Trade". Two Lectures on the Above Subjtect, Delivered before the Members of the Blakcburn Literary, Scientific and Mechanics' Institution. Blackbum-London, 1857, p. 48. (retornar ao texto)

[N133] Privy Council — órgão especial junto do rei de Inglaterra, composto por ministros e outras personalidades oficiais, bem como pelos representantes superiores do clero. Formado pela primeira vez no século XIII. Durante muito tempo deteve o poder legislativo em nome do rei e à margem do Parlamento. Nos séculos XVIII e XIX o papel do Privy Council é fortemente reduzido. Na Inglaterra contemporânea o Privy Council praticamente não participa na direcção do País. (retornar ao texto)

Inclusão