Carta Circular a A. Bebel, W. Liebknecht, W. Bracke e Outros[N69]
Extracto

Karl Marx e Friedrich Engels

17-18 de Setembro de 1879

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Primeira Edição: Escrito por Marx e Engels em 17 e 18 de Setembro de 1879. Publicado pela primeira vez na revista Die Kommunistische Internationale, XII Jahrg., Heft 23, 15 de Junho de 1931.Publicado segundo o texto do manuscrito. Traduzido do alemão.
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial "Avante!" - Edição dirigida por um colectivo composto por: José BARATA-MOURA, Eduardo CHITAS, Francisco MELO e Álvaro PINA, tomo III, pág: 96-103.
Tradução: José BARATA-MOURA.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.


III. O Manifesto dos Três de Zurique

capa

Entretanto, chegou-nos o Jahrbuch[N70] de Höchberg, contendo um artigo: «Rückblicke auf die sozialistische Bewegung in Deutschland» [«Retrospectivas do movimento socialista na Alemanha»] que, como o próprio Höchberg me diz, é precisamente da autoria dos três membros da comissão de Zurique(1*). Temos aqui a crítica autêntica deles do movimento até agora e, portanto, o programa autêntico deles para a atitude do novo órgão[N71], na medida em que isso deles dependa.

Logo desde o princípio diz-se:

«O movimento, que Lassalle encarava como um [movimento] eminentemente político, para o qual ele apelava não só aos operários mas a todos os democratas honrados, à cabeça do qual deviam marchar os representantes independentes da ciência e todos os homens imbuídos de verdadeiro amor pelos homens [Menschenliebe], reduziu-se, sob a presidência de J. B. von Schweitzer, a uma unilateral luta de interesses dos operários da indústria.»

Eu não investigarei se e em que medida é que historicamente as coisas assim se passaram. A recriminação especial que aqui é feita a Schweitzer consiste em que Schweitzer reduziu o lassallianismo — que é concebido aqui como um movimento burguês democrático-filantrópico — a uma unilateral luta de interesses dos operários da indústria, ao aprofundar o carácter dele como luta de classes dos operários da indústria contra a burguesia(2*). Além disso, é-lhe recriminada a sua «rejeição da democracia burguesa». O que é que a democracia burguesa tem, pois, a fazer no Partido Social-Democrata? Se ele consiste em «homens honrados», ela não pode querer entrar e se, contudo, ela quer entrar, então é só para causar disputa.

O partido de Lassalle «preferiu conduzir-se, da maneira mais unilateral, como partido operário». Os senhores que escrevem isto são eles próprios membros de um Partido que, como Partido operário, se conduz da maneira mais unilateral, estão agora investidos nele em altos cargos. Reside aqui uma incompatibilidade absoluta. Se o que escrevem, é o que querem dizer, têm de sair do Partido, [têm] pelo menos que se demitir dos altos cargos. Se o não fazem, têm de admitir que pretendem utilizar a sua posição em cargos para lutar contra o carácter proletário do Partido. O Partido trai-se, portanto, a si próprio se os deixa nos altos cargos.

O Partido Social-Democrata não deve, portanto, na perspectiva destes senhores, ser nenhum Partido operário unilateral, mas um Partido omnilateral «de todos os homens imbuídos de verdadeiro amor pelos homens». Deve demonstrá-lo, antes de tudo, desembaraçando-se das grosseiras paixões proletárias e dedicando-se ele próprio «ao cultivo [Bildung] de um bom gosto» e «à aprendizagem do bom tom» (p. 85) sob a direcção de burgueses filantrópicos cultos. Então, as «maneiras de maltrapilho» [«verlumpte Auftreten»] de muitos dirigentes cederão [o passo] a «maneiras burguesas» muito honradas. (Como se as maneiras exteriormente de maltrapilho dos aqui aludidos não fossem o mínimo que se lhes pode recriminar!) Então também

«virão numerosos aderentes dos círculos das classes cultas e possidentes. Estes, porém, têm, primeiro, que ser ganhos, se [se quiser que] a... agitação conduzida alcance sucessos tangíveis». O socialismo alemão «deu demasiado valor ao ganhar das massas e, por isso, esqueceu-se de fazer propaganda enérgica» (!) «nas chamadas camadas superiores da sociedade». Pois, «o Partido ainda tem falta de homens apropriados para o representar no Reichstag». É, porém, «desejável e necessário confiar os mandatos a homens que tenham tido oportunidade e tempo suficientes para se familiarizarem aprofundadamente com as matérias respectivas. O simples operário e pequeno mestre [artesão]... só em poucos casos excepcionais têm para isso o necessário vagar».

Elejam, portanto, burgueses!

Em suma, a classe operária é incapaz, por si própria, de se libertar. Para isso tem de se pôr sob a direcção de burgueses «cultos e possidentes» que, só eles, têm «oportunidade e tempo» para se familiarizarem com o que aproveita aos operários. E, em segundo lugar, guardemo-nos de combater a burguesia, mas [tratemos] de a ganhar — através de enérgica propaganda.

Se, porém, se quer ganhar as camadas superiores da sociedade ou simplesmente os seus elementos bem intencionados, devemos guardar-nos de os assustar. E, então, os três de Zurique crêem ter feito uma descoberta tranquilizadora:

«Precisamente agora, sob a pressão da lei dos socialistas[N23], o Partido mostra que não está inclinado a seguir o caminho da revolução sangrenta, violenta, mas que está decidido... a tomar o caminho da legalidade, isto é, da reforma.»

Portanto, se os 500 000—600 000 eleitores sociais-democratas — 1/10 a 1/8 do eleitorado todo e, além disso, espalhados por todo o país — são suficientemente sensatos para não darem com a cabeça nas paredes e tentarem uma «revolução sangrenta» de um contra dez, isso prova que eles renunciam também para todo o futuro a tirar proveito de um poderoso evento externo, de uma efervescência revolucionária súbita por ele suscitada, mesmo de uma vitória do povo alcançada numa colisão por ele gerada! Se Berlim devesse voltar a ser tão inculta para fazer um 18 de Março[N72], os sociais-democratas, em vez de participarem na luta como «maltrapilhos [Lumpe] sedentos de barricadas» (p. 88), teriam antes de «tomar o caminho da legalidade», contemporizar, retirar as barricadas e, se necessário, marchar com o majestoso exército contra as massas unilaterais, grosseiras, incultas. Ou, se os senhores afirmam que não era isto o que queriam dizer, então o que é que queriam dizer? Ainda há melhor.

«Portanto, quanto mais calmo, objectivo [sachlich], reflectido ele» (o Partido) «for na sua crítica das condições existentes e nas suas propostas para a melhoria [Abänderung], tanto menos poderá ser repetido o actual lance conseguido» (com a introdução da lei dos socialistas) «com o qual a reacção consciente intimidou a burguesia com o temor do espectro vermelho.» (P. 88.)

Para tirar à burguesia o último vestígio de medo, deve ser-lhe provado clara e concludentemente que o espectro vermelho realmente é apenas um espectro, [que] não existe. Qual é, porém, o segredo do espectro vermelho se não o medo da burguesia ante a infalível luta de vida ou de morte entre ela e o proletariado? O medo ante o inevitável desenlace da luta de classes moderna? Abula-se a luta de classes, e a burguesia e «todos os homens independentes» irão «sem temer de braço dado com os proletários»! E, então, quem seria intrujado, seriam precisamente os proletários.

Queira, portanto, o Partido demonstrar, por maneiras humildes e melancólicas, que abandonou de uma vez por todas as «enormidades e excessos» que deram azo à lei dos socialistas. Se ele prometer de livre vontade que se quer mover apenas dentro dos limites da lei dos socialistas, Bismarck e os burgueses certamente terão a bondade de suprimir esta lei, então, supérflua!

«Entenda-se-nos bem», nós não queremos «um abandono do nosso Partido e do nosso programa, queremos, porém, dizer que, durante anos, teremos suficientemente que fazer se dirigirmos toda a nossa força, toda a nossa energia, para alcançar certos objectivos que estão próximos, que, em quaisquer circunstâncias, terão de ser alcançados antes que se possa pensar numa realização das aspirações que vão mais longe.»

Então, os burgueses, pequenos burgueses e operários que «agora estão assustados... pelas aspirações que vão mais longe» juntar-se-nos-ão também em massa.

O programa não deve ser abandonado, mas apenas adiado — por tempo indeterminado. Uma pessoa aceita-o, mas não é propriamente para si próprio e para o tempo da sua vida, é postumamente, como herança para os filhos e os filhos dos filhos. Entretanto, uma pessoa volta «toda» a sua «força e energia» para toda a espécie de pequena tralha e de circunremendagens da ordem capitalista da sociedade, para que pareça que, contudo, acontece alguma coisa e, simultaneamente, a burguesia não fique assustada. Elogio aqui o comunista Miquel, que prova a sua inabalável convicção do inevitável derrube da sociedade capitalista nalguns centos de anos, vigarizando a torto e a direito, dando o seu contributo para o craque de 1873 e fazendo com isto realmente algo pelo desmoronamento da ordem existente.

Uma outra ofensa contra o bom tom foram também os «ataques exagerados contra os Gründer(3*)», que afinal eram «só filhos do tempo»; «teria, portanto, sido melhor abandonar... as invectivas contra Strousberg e gente semelhante». Infelizmente, são todos homens «apenas filhos do tempo» e se esta é uma razão suficiente de desculpa, não se deve atacar mais ninguém, toda a polémica, toda a luta, da nossa parte, cessa; levamos tranquilamente todos os pontapés dos nossos adversários, porque nós, os sábios, sabemos bem que eles são «apenas filhos do tempo» e não podem agir de maneira diferente daquela que agem. Em vez de lhes retribuir os pontapés com juros, devemos antes lamentar estes pobres.

De igual modo, a tomada de partido sempre a favor da Comuna, teve a desvantagem

«de afastar de nós gente outrora inclinada [para nós] e de engrossar, em geral, o ódio da burguesia contra nós». E, além disso, o Partido «não está totalmente isento de culpa na efectivação da lei de Outubro[N73], pois aumentou o ódio da burguesia de uma maneira desnecessária».

Têm aqui vocês o programa dos três censores de Zurique. Em clareza, nada deixa a desejar. Pelo menos, para nós, que ainda conhecemos bem estas maneiras de falar todas desde 1848 para cá. São os representantes da pequena burguesia [Kleinburgertum] que se anunciam, cheios de medo de que o proletariado, compelido pela sua situação revolucionária, possa «ir demasiado longe». Em vez de oposição política decidida — mediação [Vermittlung] geral; em vez de luta contra o governo e a burguesia — a tentativa de os ganhar e de os persuadir; em vez de resistência obstinada contra os maus tratos de cima — submissão humilde e admissão de que se tinha merecido o castigo. Todos os conflitos historicamente necessários são interpretados deturpadamente como mal-entendidos e toda a discussão termina com o protesto: no principal, estamos afinal todos unidos. As pessoas que em 1848 apareceram como democratas burguesas, podem agora do mesmo modo chamar-se a si próprias sociais-democratas. Tal como, para aquelas, a república democrática, também, para estas, o derrube da ordem capitalista fica na lonjura inalcançável [e] não tem, portanto, absolutamente nenhuma significação para a prática política do presente; pode-se mediar, fazer compromissos, praticar a filantropia, quanto se quiser. É o mesmo para a luta de classes entre proletariado e burguesia. É reconhecida no papel, porque já não se pode negá-la; na prática, porém, é mascarada, apagada, amortecida. O Partido Social-Democrata não deve ser nenhum Partido operário, não deve atrair sobre si o ódio da burguesia ou, em geral, de quem quer que seja; deve, antes de tudo, fazer uma propaganda enérgica entre a burguesia; em vez de dar peso a objectivos [Ziele] que vão longe, que assustam a burguesia e que, contudo, são inalcançáveis na nossa geração, ele deve antes empregar toda a sua força e energia naquelas reformas remendonas pequeno-burguesas que conferem à velha ordem da sociedade novos apoios e que, por esse facto, poderiam talvez transformar a catástrofe final num processo gradual, parcelar e o mais possível pacífico de dissolução. São as mesmas pessoas que, sob a aparência da incansável ocupação, não só não fazem nada elas próprias, como também tentam impedir que, em geral, aconteça algo — a não ser conversa; as mesmas pessoas, cujo medo de qualquer acção, em 1848 e em 1849, entravou o movimento a cada passo e finalmente o levou à derrota; as mesmas pessoas que nunca vêem a reacção e, depois, ficam totalmente admiradas de se encontrarem finalmente num beco sem saída, onde nem resistência nem fuga são possíveis; as mesmas pessoas que querem confinar a história ao seu horizonte pequeno-burguês [Spiessburgerhorizont] e por cima das quais, de cada vez, a história transita para a ordem do dia.

No que se refere ao seu teor socialista, esteja foi suficientemente criticado no Manifesto, no capítulo: «O socialismo alemão ou "verdadeiro".»(4*) Onde a luta de classes é empurrada para o lado como desagradável fenómeno «grosseiro», não fica para base do socialismo senão o «verdadeiro amor pelos homens» e maneiras de falar vazias acerca da «justiça».

E um fenómeno inevitável, fundado no curso do desenvolvimento, que pessoas das classes até aqui dominantes se juntem ao proletariado que luta e lhe tragam elementos de cultura. Já falámos disso claramente no Manifesto. Aqui há, porém, duas coisas a observar:

Primeiro, essas pessoas, para serem úteis ao movimento proletário, têm de trazer consigo elementos de cultura reais. Isto não é, porém, o caso para a grande maioria dos convertidos burgueses alemães. Nem o Zukunft nem a Neue Gesellschaft[N74] trouxeram o que quer que fosse que fizesse o movimento avançar um passo. Há lá uma falta absoluta de material de cultura [Bildungsstoff] real, efectivo ou teórico. Em vez disso, há tentativas para pôr o pensamento socialista superficialmente apropriado em consonância com os pontos de vista teóricos mais diversos que os senhores trouxeram consigo da Universidade ou de qualquer outro sítio e em que um é ainda mais confuso do que o outro, graças ao processo de putrefac-ção em que os restos da filosofia alemã se encontram hoje. Em vez de, para começar, estudarem eles próprios fundamentadamente a nova ciência, cada um prefere afeiçoá-la ao ponto de vista que trouxe consigo, fazer dela sem hesitar uma ciência privada própria e aparece mesmo com a pretensão de a querer ensinar. Por isso, entre estes senhores há aproximadamente tantos pontos de vista quantas as cabeças; em vez de trazer clareza seja ao que for, apenas estabeleceram uma grave confusão — felizmente, quase só entre eles próprios. Semelhantes elementos de cultura, cujo primeiro princípio é ensinar o que ainda não aprenderam, pode o Partido passar bem sem eles.

Em segundo lugar. Se essas pessoas de outras classes se juntam ao movimento proletário, a primeira exigência é a de que elas não tragam consigo nenhuns restos de pré-juízos burgueses, pequeno-burgueses, etc, mas se apropriem com franqueza da maneira de ver [Anschauungsweise] proletária. Aqueles senhores, porém, como ficou provado, estão completamente cheios de representações burguesas e pequeno-burguesas. Num país tão pequeno-burguês como a Alemanha, estas representações têm seguramente a sua justificação. Mas apenas fora do Partido Operário Social-Democrata. Se os senhores se constituírem em Partido pequeno-burguês social-democrata, estão no seu pleno direito; poder-se-á, então, negociar com eles, mesmo, segundo as circunstâncias, formar cartéis, etc. Mas, num Partido operário, eles são elementos adulteradores. Se, de momento, há razões para os tolerar, subsiste a obrigação de apenas os tolerar, de não lhes permitir nenhuma influência sobre a direcção do Partido, de permanecer conscientes de que a rotura com eles é só uma questão de tempo. De resto, esse tempo parece ter chegado. Parece-nos inconcebível como o Partido pode tolerar no seu seio durante mais tempo os autores deste artigo. Se, porém, a direcção do Partido vier mesmo a cair mais ou menos nas mãos de semelhantes pessoas, o Partido fica simplesmente castrado e pôr-se-ia fim ao arrojo proletário.

No que nos diz respeito, com todo o nosso passado, só nos fica um caminho aberto. Desde há quase 40 anos que pusemos em evidência a luta de classes como poder motor próximo da história e, especialmente, a luta de classes entre burguesia e proletariado, como a grande alavanca do revolucionamento social moderno; é impossível, portanto, acompanharmos com pessoas que querem riscar esta luta de classes do movimento. Aquando da fundação da Internacional, formulámos expressamente o grito de guerra: a libertação da classe operária tem de ser obra da própria classe operária(5*). Não podemos, portanto, acompanhar com pessoas que abertamente afirmam que os operários são demasiado incultos para se libertarem a si próprios e que só a partir de cima têm de ser libertados, por grandes e pequenos burgueses filantrópicos. Se o novo órgão do Partido tomar uma atitude que corresponde às opiniões daqueles senhores, for burguês e não proletário, não nos resta senão, por muita pena que isso nos faça, declarar-nos abertamente contra e romper a solidariedade com que, até aqui, face ao estrangeiro, temos representado o Partido alemão. Esperemos, contudo, que não se chegue até ai. [...]

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Notas de rodapé:

(1*) Trata-se de Karl Höchberg, Eduard Bernstein e Karl August Schramm. (retornar ao texto)

(2*) No lugar destas duas frases, estava originalmente o seguinte passo, riscado no manuscrito: «Schweitzer era um grande patife [Lump], mas uma cabeça plena de talento. O mérito dele consistiu em que rompeu o lassallianismo estreito originário com a sua limitada panaceia da ajuda do Estado... Apesar daquilo de que ele, por motivos corruptos, também teve culpa e do quanto, para manutenção da sua dominação, também se ateve à panaceia da ajuda do Estado de Lassalle, teve o mérito de ter rompido o lassallianismo estreito originário, de ter alargado o horizonte económico do Partido e de, com isso, ter preparado a sua ulterior absorção no Partido conjunto [Gesammtpartei] alemão. A luta de classes entre proletariado e burguesia, esse eixo [Angelpunkt] de todo o socialismo revolucionário, tinha já sido pregada por Lassalle. Quando Schweitzer acentuou este ponto de um modo ainda mais cortante, isso foi, em todo o caso, um progresso na coisa mesma, por muito que ele também possa ter forjado daí um pretexto para suspeitar de pessoas perigosas para a sua ditadura. É totalmente correcto que ele fez do lassallianismo uma unilateral luta de interesses dos operários da indústria. Mas, unilateral apenas, porque, por razões de corrupção política, ele não queria saber da luta de interesses dos operários do campo contra a grande propriedade fundiária. Não é isso que aqui lhe é recriminado; a «redução» consiste em que ele aprofundou o carácter dela como luta de classes dos operários da indústria contra a burguesia.» (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(3*) A crise de 1873 acabou, na Alemanha, com o período dos chamados Grunderjahre [anos dos Gründer]. Os Gründer — literalmente: fundadores — eram empresários, organizadores ou promotores de companhias e sociedades que, depois da guerra franco-prussiana de 1870-1871, enriqueceram rapidamente, graças às contribuições extorquidas à França e a uma especulação desenfreada. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(4*) Ver a presente edição, t. I, 1982, pp. 115-116. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

(5*) Cf. K. Marx, Provisional Rules of the International Working Mes's Association [Estatutos Provisórios da Associação Internacional dos Trabalhadores]. Cf. MEW, Bd. 16, S. 14. (Nota da edição portuguesa.) (retornar ao texto)

Notas de fim de tomo:

[N23] Trata-se da lei de excepção contra os socialistas promulgada na Alemanha em 21 de Outubro de 1878. Em virtude desta lei foram proibidas todas as organizações do Partido Social-Democrata, as organizações operárias de massas, a imprensa operária, foi confiscada a literatura socialista e perseguidos os sociais-democratas. Por pressão do movimento operário de massas a lei foi abolida a 1 de Outubro de 1890. (retornar ao texto)

[N69] A carta circular de K. Marx e F. Engels de 17-18 de Setembro de 1879, enviada a Bebel mas destinada pelos seus autores a toda a direcção do Partido Social-Democrata alemão, tem o caracter de um documento de partido. No presente tomo publica-se a sua parte III, na qual se põe em relevo o comportamento capitulacionista de Höchberg, Bernstein e Schramm, que encabeçavam a ala direita do partido e publicaram em 1879 nas páginas do Jahrbuch für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik (Anuário de Ciência Social e Política Social) artigos defendendo um oportunismo descarado. Marx e Engels denunciam na carta as bases políticas de classe e ideológicas do oportunismo manifestado e exprimem o seu protesto contra a transigência para com ele por parte da direcção do partido. Criticam acerbamente as vacilações oportunistas que se manifestaram no partido desde a promulgação da lei de excepção contra os socialistas. Defendendo o caracter conseqüente de classe do partido proletário, Marx e Engels exigem a eliminação de toda a influência dos elementos oportunistas no partido e no órgão do partido. A crítica de Marx e de Engels ajudou os dirigentes do Partido Social-Democrata alemão a melhorar a situação no partido, que soube, no período de vigência da lei de excepção, sob perseguições de todo o gênero, reforçar as suas fileiras, reestruturar a organização e encontrar o justo caminho para as massas, combinando as formas legais e ilegais de trabalho. (retornar ao texto)

[N70] Trata-se do Jahrbuch fur Sozialwissenschaft und Sozialpolitik (Anuário de Ciência Social e Política Social), revista de orientação social-reformista publicada em Zurique de 1879 a 1881 por K. Höchberg, cujo pseudónimo era Ludwig Richter; saíram três números. (retornar ao texto)

[N71] Trata-se do órgão do partido que se tencionava fundar em Zurique. (retornar ao texto)

[N72] Trata-se dos combates de barricadas em Berlim a 18 de Março, que marcaram o início da revolução de 1848-1849 na Alemanha. (retornar ao texto)

[N73] Trata-se da lei de excepção contra os socialistas promulgada na Alemanha em 21 de Outubro de 1878. Em virtude desta lei foram proibidas todas as organizações do Partido Social-Democrata, as organizações operárias de massas, a imprensa operária, foi confiscada a literatura socialista e perseguidos os sociais-democratas. Por pressão do movimento operário de massas a lei foi abolida a 1 de Outubro de 1890.. (retornar ao texto)

[N74] Die Zukunft (O Futuro): revista de orientação social-reformista, publicada de Outubro de 1877 a Novembro de 1878 em Berlim. Era editada por K. Höchberg. Marx e Engels criticavam acerbamente a revista pelas suas tentativas de conduzir o partido para uma via reformista.
Die Neue Gesellschaft (A Nova Sociedade): revista social-reformista, publicada em Zurique em 1877-1880. (retornar ao texto)

Inclusão 15/10/2011