A União Soviética, Baluarte do Socialismo e da Paz

V. M. Molotov

10 de Março de 1950


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Primeira Edição: Discurso pronunciado na Assembleia de Eleitores da circunscrição eleitoral “Molotov” de Moscou, em 10 de março de 1950.
Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 27 - Junho de 1950.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo
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Camaradas: permiti-me expressar de todo o coração a minha mais profunda gratidão pela confiança que em mim haveis depositado ao designar-me como vosso candidato a deputado ao Soviet Supremo da URSS.

Atribuo a honra que me é conferida, antes de tudo, à confiança que vos inspiram o nosso grande Partido Comunista e os comunistas que mantêm para com ele uma fidelidade sem limites.

De hoje em diante, como até agora, estou disposto a cumprir com honra e até o fim a vontade do grande Partido de Lênin e Stálin, a colocar todas as minhas forças a serviço de minha Pátria, em nome de sua prosperidade, em nome da fidelidade do povo soviético.

Camaradas: a presente campanha eleitoral nos oferece a possibilidade de passar em revista o que foi realizado na União Soviética após o fim da segunda guerra mundial.

Há quatro anos o camarada Stálin, referindo-se ao primeiro plano quinquenal de após-guerra, chamou a nossa atenção para duas tarefas fundamentais: assinalou em primeiro lugar a tarefa de reconstruir as regiões devastadas do país, restabelecer o nível de pré-guerra na indústria e na agricultura e depois ultrapassar este nível em proporções mais ou menos consideráveis. Frisou também a grande significação de outra tarefa importante: elevar o nível de vida dos trabalhadores, marchar decididamente para a abolição dos cartões de racionamento, para o aumento da produção de artigos de amplo consumo e, por conseguinte, para a redução sistemática dos preços de todas as mercadorias. Estas tarefas foram consideradas como base do primeiro plano quinquenal de após-guerra. Vedes agora que elas foram cumpridas.

A reconstrução das regiões devastadas da URSS tem para nos uma grande importância. Basta dizer que no território ocupado pelo inimigo se obtinha antes da guerra, um terço de toda a produção industrial e a área de cultivo deste território representava quase a metade de toda a área de cultivo do país.

O trabalho realizado na reconstrução destas regiões deu resultados não pequenos.

No que diz respeito à economia nacional em seu conjunto, em todos os setores básicos não apenas alcançamos mas também superamos o nível de pré-guerra.

Na agricultura, o nível de antes da guerra relativa à sua produção global foi superado no ano passado. Já em 1949 a colheita global de cereais, algodão, linho, girassol, batata, assim como o número de cabeças de gado coletivo nos kolkózes, gado vacum, lanígero e suíno, superou o nível do melhor ano de antes da guerra. Agora já se solucionou o problema dos cereais. A produção de cereais está garantida, incluindo as reservas necessárias. O cumprimento do plano trienal de desenvolvimento da pecuária aprovado no ano passado, conduzirá a um aumento tal da produção de carne, manteiga, ovos, leite e outros produtos da pecuária, que nos dará a possibilidade de garantir em 1951 um aumento do abastecimento da população do país não inferior a uma vez e meia, em comparação com o ano de 1948.

Por sua vez o Estado toma sérias providências no sentido de reforçar a ajuda à economia agrícola. Em 1949 a economia agrícola recebeu três a quatro vezes mais tratores, automóveis e máquinas agrícolas do que em 1940, ano que precedeu a guerra.

O fato mais importante reside em que os nossos kolkózes, cujo número se eleva a 254.000, se consolidaram consideravelmente, em que agora existem muitas economias kolkosianas modelo, altamente mecanizadas e de uma elevada produtividade do trabalho, e em que entre os kolkozianos e kolkozianas crescem as fileiras de milhares e milhares de trabalhadores de vanguarda condecorados e Heróis do Trabalho Socialista.

A nossa indústria não somente, já em 1948, alcançava o nível de antes da guerra, mas também o superava. Em 1948 o nível de pré-guerra foi ultrapassado em 41%, o que se aproxima dos 48% previstos para o último ano do plano quinquenal, e no quarto trimestre do ano passado a nossa indústria ultrapassou o nível fixado para o quinto ano do quinquênio isto é, para o ano corrente. Se antes da revolução, em 1913, toda a indústria da Rússia tinha uma produção calculada em 16 bilhões de rublos, no curso dos últimos dois anos somente o aumento da produção industrial foi de 32 a 34 bilhões de rublos por ano, isto é, superou em duas vezes a produção global de toda a indústria de antes da revolução.

Nos quatro primeiros anos posteriores ao fim da guerra foram construídas, restauradas e postas em funcionamento 5.200 empresas estatais industriais, sem contar as pequenas. Nestas empresas trabalham hoje cerca de um milhão e meio de operários, engenheiros, técnicos e empregados. O volume das principais construções de nossa indústria durante o ano passado foi quase duas vezes superior ao volume das construções principais do melhor ano de pré-guerra. A nossa edificação cresce de ano para ano. Isto significa que está garantido para o futuro um avanço ainda maior da indústria soviética.

O fato mais importante está em que o movimento social pelo progresso continuo da industria, pelo melhoramento da qualidade da produção industrial abrange atualmente a maioria dos operários, contramestres, engenheiros e técnicos, que em nossas empresas aumenta o número de magníficos inovadores da produção, que se reforça a colaboração entre a ciência e a produção, baseada no trabalho comum dos sábios soviéticos e dos operários e engenheiros de vanguarda; que este movimento social abrange cada vez mais a industria, o transporte e também a agricultura.

Por conseguinte, em todos os setores fundamentais da economia nacional o nosso país marcha com êxito para a frente, cumprindo e superando as indicações do camarada Stálin e as tarefas do primeiro quinquênio de após-guerra.

Com êxito não menor se cumpre a segunda tarefa indicada pelo camarada Stálin durante a última campanha eleitoral.

No que diz respeito à elevação do nível de vida dos trabalhadores da cidade e do campo, alcançamos grandes resultados nestes quatro anos. Paralelamente à liquidação do sistema de cartões de racionamento, começou-se a realizar uma política de redução de preços sobre os artigos de amplo consumo. As baixas de preço, postas em prática em 1947 e 1949, trouxeram para a população uma economia anual de 157 bilhões de rublos. O consumo popular das principais mercadorias já superava no ano passado o nível de pré-guerra.

Em consequência do aumento da produtividade do trabalho e da redução do custo da produção, por decisão do Partido e do Governo se pôs em prática, em 1.° de março, a terceira baixa de preços sobre uma grande quantidade das mercadorias mais necessárias à população. A baixa dos preços do pão, da carne e da manteiga vai de 25 a 30%, dos tecidos e do calçado, de 15 a 20% e de algumas outras mercadorias, de 40 a 50%. Com o inevitável descenso, nestas condições, dos preços no mercado kolkoziano e no comercio cooperativo, a baixa de preços trará à população um lucro anual não inferior a 110 bilhões de rublos. Assim acontece em consequência de que a baixa de preços se realiza no nosso país, mantendo-se o nível de salários alcançado, mantendo-se invariáveis as pensões e aposentadorias, assim como os preços que o Estado paga pelos produtos agrícolas.

Pelos dados publicados, sabe-se agora que os recebimentos em dinheiro dos operários e empregados aumentaram, em 1949, de 24% em comparação com 1940. Nesse mesmo período os recebimentos em dinheiro dos camponeses aumentaram mais de 30%. Em seu conjunto a renda nacional da URSS em 1949 aumentou em cerca de 36% em relação a 1940. Após a nova baixa de preços, posta em prática era 1.º de março sobre os produtos de amplo consumo, terá lugar uma nova elevação do salário real dos operários e empregados e também uma nova e considerável diminuição dos gastos dos camponeses na aquisição de artigos industriais. Em ligação com a baixa de preços eleva-se de novo, consideravelmente, o poder aquisitivo do rublo, melhorando-se a sua cotação em comparação com a cotação do dólar, da libra esterlina e de outras moedas estrangeiras. E tal acontece num momento em que, por exemplo, nos Estados Unidos da América, assim como em outros países capitalistas, devido ao aumento dos preços das mercadorias, de ano a ano se reduzem os salários dos operários, quando somente no curso do ano passado os recebimentos em dinheiro dos agricultores americanos baixaram de cerca de 17%, quando a moeda destes países se desvaloriza cada vez mais.

Em vista destes fatos compreende-se porque a imprensa burguesa americana e europeia passou por alto o comunicado publicado na nossa imprensa sobre os resultados magníficos do cumprimento do plano da economia nacional da URSS em 1949. Compreende-se também o grande desconcerto desta imprensa, que recorreu a diversos procedimentos indecorosos nas suas informações sobre a nova baixa de preços das mercadorias em nosso país, desfigurando por todos, os meios o verdadeiro sentido desta importante medida para os trabalhadores. A imprensa burguesa e a imprensa venal pseudo-socialista, pelo que se vê, teme falar destes fatos que testemunham de modo convincente o poderoso apogeu em que vive a União Soviética.

A economia nacional de nosso país e, em primeiro lugar, a sua força básica, a indústria socialista, desenvolve-se de ano a ano de acordo com a lei, estabelecida no Estado Soviético, de progresso ininterrupto da economia socialista. Simultaneamente tem lugar, por conseguinte, a elevarão do bem-estar dos trabalhadores, o que diferencia de um modo radical o Estado Soviético de todos os países pertencentes ao campo do capitalismo.

O ascenso contínuo do nível de vida dos trabalhadores está também entre as leis fundamentais do desenvolvimento econômico do Estado Socialista Soviético.

Isto quer dizer que podemos nos contentar com os êxitos já obtidos? Não. O Partido e o camarada Stálin nos ensinam outra coisa. O Partido exige de cada um de nós uma comprovação crítica consequente e audaz de nosso trabalho. O camarada Stálin ensina que sem autocrítica não é possível marchar-se para a frente, que a autocrítica nos é tão necessária como o ar. Em sua conhecida carta a Máximo Gorki o camarada Stálin escreveu:

“Não podemos passar sem a autocrítica. Não podemos passar sem ela de nenhum modo, Alexei Maxímovitch. Sem ela se torna iminente o estancamento, a decomposição do aparelho, o aumento do burocratismo, a estagnação da iniciativa criadora da classe operária”.

Isto, que foi dito há vinte anos, se relaciona também por completo com os nossos tempos.

Avançamos efetivamente para diante quando, de maneira bolchevique, com coragem, assinalamos os defeitos e os erros de nosso trabalho, quando, apoiando-nos no poderoso apogeu do país, somos cada vez mais exigentes com relação a nós próprios, quando manifestamos a devida capacidade para unir e dirigir as forças de vanguarda dos homens soviéticos e todo o nosso povo para o cumprimento de novas e novas tarefas indicadas pelo Partido de acordo com as exigências da situação nacional e internacional. Nisto consistem as tarefas fundamentais de todas as nossas organizações, partidárias e apartidárias, dos soviets de trabalhadores, dos sindicatos e da Juventude Comunista.

Constatamos agora que a reconstrução econômica do país, iniciada após a guerra, no fundamental está terminada e que hoje já nos elevamos a um nível econômico superior ao de pré-guerra. Agora temos possibilidades de empreender decididamente a solução de problemas tão sérios como o da moradia. A edificação de novas moradias, de novas escolas e hospitais ocupa um destacado lugar no plano de reconstrução de nossa capital, de Moscou.

Possuímos uma potente industria capaz de satisfazer às atuais necessidades da população em mercadorias. Ao mesmo tempo esta indústria produz toda a espécie de máquinas, instrumentos de precisão e de todo gênero de novidades técnicas. De acordo com um vasto plano estatal, passamos para a introdução organizada da nova técnica em todos os setores da economia nacional, especialmente em trabalhos tais como a mineração, a carga e a descarga, a construção, a derrubada de bosques, etc. Se organizarmos como se deve este trabalho e reforçarmos a luta contra os defeitos existentes, em muito facilitaremos o trabalho de nossos operários, elevaremos consideravelmente a produtividade do trabalho em uma série de setores da indústria que se retardaram, criaremos as premissas necessárias à redução consecutiva do custo da produção e ao melhoramento de sua qualidade.

Atualmente, em todos os setores de trabalho, os postos-chave e de direção são ocupados pelos comunistas e outros homens soviéticos que possuem grande experiência prática e um sério preparo. A derrota infligida, já antes da guerra, aos trotskistas e demais sabotadores que se introduziram nas nossas empresas e instituições, a toda a classe de espiões dos Estados imperialistas — o que jamais devemos esquecer — também contribuiu para o crescimento de nossos quadros econômicos. A cifra total de especialistas ocupados na economia nacional, que terminaram os seus estudos em escolas superiores e técnicas, é atualmente de cerca de 70% a mais do que em 1940. Cada ano que passa os quadros de especialistas qualificados na indústria, no transporte e na agricultura recebem novos e poderosos reforços. Por conseguinte, existem em nosso país possibilidades de melhoramento da direção econômico-técnica que não possuíamos no período de pré-guerra.

Na última campanha eleitoral o camarada Stálin frisou, com ênfase particular, a necessidade de um novo impulso no trabalho de investigação científica. Colocou perante nossos sábios a tarefa de

“não somente alcançar, mas também superar no futuro próximo os resultados obtidos pela ciência fora das fronteiras do nosso país”.

Os fatos nos dizem que avançamos com êxito por este caminho. Basta citarmos o número crescente de laureados com o Prêmio Stálin.

Agora se torna evidente para todos, como foram míopes os alemães e demais fascistas quando, ao empreender a agressão contra a URSS, basearam os seus cálculos no esmagamento do povo soviético e em pôr fim à existência do Estado Soviético. Faltou-lhes inteligência para compreender a tempo que tal coisa é muito superior à força de qualquer fascista, que a agressão dos fascistas contra a União Soviética devia inevitavelmente terminar em bancarrota. O povo soviético suportou sobre os seus ombros o peso fundamental da segunda guerra mundial mas, apesar de todo o sofrimento, saiu da guerra mais forte e poderoso, ainda mais seguro de sua [falha no original da revista]

Inclusive nos países que, durante a segunda guerra mundial, foram nossos aliados, tem havido não poucos homens de Estado que basearam os seus cálculos no fato de que, em consequência da ocupação inimiga e do enorme peso que desabou sobre o nosso povo, o Estado soviético ficaria esgotado e então os imperialistas poderiam ditar à União Soviética a sua vontade. Estes homens foram também bastante míopes. Faltou-lhes inteligência para compreender em que consiste a verdadeira força e onde se encontra o caudal inesgotável da potência de um Estado socialista tão forte como a URSS. Não compreenderam a grande importância do fato de que a URSS se apoia em novos fatores sociais desconhecidos no passado, porém realmente capazes de fazer maravilhas, como a indestrutível unidade, moral e política, da sociedade socialista, a fraternal amizade dos povos do Estado soviético e o patriotismo soviético cada dia mais acendrado, no fato de que os homens soviéticos se educam sob a direção do Partido Comunista.

Não nos deve causar espanto o falo dos reacionários de todos os matizes não compreenderem o que é a União Soviética, porque olham para trás e não para a frente, uma vez que eles, da mesma maneira que um certo animal, não podem levantar a vista do chão.

A nós, o nosso povo nos compreenderá perfeitamente e apreciará devidamente o lugar histórico da URSS como força progressista e decisiva de nosso século, quando compreenderem que a União Soviética foi criada pelo grande revolucionário Lênin e que é conduzida para a frente por um guia genial, pelo nosso Stálin.

Crescem as Forças do Campo da Paz - Crise e Desespero no Campo da Guerra

A vitória sobre o fascismo alemão e o imperialismo japonês e o papel decisivo da União Soviética na derrota destas forças agressoras introduziram importantes transformações na situação internacional.

Vejamos agora o que se passa a oeste das fronteiras da URSS.

Aqui se formaram e consolidaram os Estados de democracia popular da Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária e Albânia. Estes Estados surgiram como resultado da derrota militar do fascismo na Europa e graças à ajuda prestada aos povos destes países pelo Exército Soviético pela causa de sua libertação nacional e social. Havendo conquistado sua liberdade, os povos destes países desalojaram e expulsaram de suas posições dominantes as classes exploradoras, os capitalistas e os latifundiários, e estabeleceram o regime de democracia popular baseado na aliança dos operários e camponeses, à cuja frente se encontra a classe operária, sob a direção dos Partidos Comunistas e Operários.

Até a segunda guerra mundial, nos governos destes países desempenhavam com frequência o papel principal os agentes de potências tais como a Inglaterra, França, Estados Unidos, ou os agentes dos Estados fascistas, Alemanha e Itália e, às vezes, uns e outros ao mesmo tempo. Hoje a situação se modificou radicalmente. Naturalmente, acabar com os agentes do imperialismo nos pequenos Estados não é tarefa fácil. O processo contra Rajk na Hungria, o processo contra Traitcho Kostov na Bulgária e muitos outros fatos tornam claro que os imperialistas enviam os seus agentes inclusive aos organismos dirigentes dos Partidos Comunistas, sem falar já dos partidos burgueses. Quando os países de democracia popular se levantam por fim para a necessária e legítima destruição destes ninhos de espionagem, refúgio de toda espécie de sabotadores, diversionistas e terroristas, então, por parte dos círculos dirigentes americanos e europeus se fazem tentativas de intromissão na vida interna destes países, sob o pretexto da “defesa dos direitos do homem”, sobre os mesmos se lança uma saraivada de ameaças, acusações, repressões, chegando inclusive até à ruptura de relações diplomáticas, como se verificou recentemente na Bulgária. Não é difícil compreender, porém, a inutilidade destes atos agressivos.

Nos quatro anos de após-guerra os países de democracia popular determinaram de modo definitivo a orientação de seu desenvolvimento. Consolidaram-se como Estados que cumprem as funções da ditadura do proletariado. Empreenderam o caminho do socialismo, demonstrando, com toda a evidência, que para os povos da Europa não existem outros caminhos para a liberdade e a elevação do seu nível de vida senão uma marcha firme no sentido do socialismo. A União Soviética está estreitamente ligada aos países de democracia popular por laços de amizade e de ajuda mútua.

O desmascaramento da negra traição da camarilha de Tito na Iugoslávia teve uma grande significação positiva. Hoje este bando de criminosos fascistas já não pode cobrir-se com a máscara do comunismo no seu país e não poderá mais desunir as fileiras dos democratas e socialistas honestos em outros países. Os povos da Iugoslávia tirarão naturalmente as suas conclusões da situação que se criou.

Falemos agora da Alemanha.

Não temos conseguido encontrar uma linguagem comum com os nossos aliados da segunda guerra mundial relativamente a este problema. Os atos separatistas dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França provocaram a divisão do Estado alemão e depois o desmembramento da Alemanha Ocidental, a sua separação do Sarre e também a separação da bacia industrial do Rhur. Esta política somente pode terminar com o mais escandaloso fracasso.

A criação da República Democrática Alemã, com a sua capital em Berlim, abre uma nova página não sòmente da história da Alemanha como também da história da Europa. Com grande força de convicção se manifestou neste sentido o camarada Stálin, indicando que

“a existência de uma Alemanha pacífica e democrática, junto à existência da União Soviética, amante da paz, exclui a possibilidade do novas guerras na Europa, põe fim aos derramamentos do sangue na Europa e torna impossível o avassalamento dos países europeus pelos imperialistas mundiais”.

Quanto mais cedo o povo alemão compreender o verdadeiro sentido histórico da formação da República Democrática Alemã, tanto mais depressa conseguirá a sua unificação nacional e mais seguramente estará garantida a causa do uma paz sólida na Europa.

Olhemos agora para o Oriente e comparemos a situação do hoje com a que se apresentava há alguns anos.

Até a segunda guerra mundial, existia na Ásia apenas um único Estado democrático: a República Popular da Mongólia. Criou-se, agora, a República Popular da Coréia que luta pela completa unificação nacional, o que sem dúvida alguma conseguirá. É evidente a grande significação da formação da República Democrática do Viet-Nam.

Somente nos últimos tempos se tornou patente que a consequência mais importante da vitória dos países aliados sobre o fascismo alemão e o imperialismo japonês foi o triunfo do movimento de libertação nacional na China. Foram necessárias mais de duas décadas para que o movimento revolucionário do povo chinês, encabeçado pelo Partido Comunista, obtivesse a sua grande vitória. Atualmente, sob a direção do grande chefe Mao Tsé-Tung, o povo chinês formou a sua República Popular.

Após a Revolução de Outubro em nosso país, a vitória do movimento de libertação nacional na China constitui um novo e duro golpe sobre todo o sistema do imperialismo mundial, sobre todos os planos de agressão imperialista em nossos tempos. Compreende-se porque entre a União Soviética e a República Popular da China se estabeleceram relações amistosas tão estreitas. O tratado de aliança fraternal, concluído no mês de fevereiro entre a URSS e a República Popular da China transforma a amizade sino-soviética numa força tão grande e poderosa para a causa da consolidação da paz que não teve e não tem comparação na história da humanidade.

A tudo o que acabamos de dizer deve-se acrescentar que, após a segunda guerra mundial, também nos países capitalistas se operaram importantes transformações. Em toda uma série destes Estados os Partidos Comunistas e Operários já ocupam uma posição decisiva no desenvolvimento político dos povos ou trabalham com êxito nesse sentido, reajustando as suas organizações de acordo com os princípios revolucionários do marxismo-leninismo.

No decorrer de um vasto período de tempo depois da vitória da Revolução de Outubro, a União Soviética era o único Estado socialista, rodeado polo cerco hostil dos países capitalistas. Os imperialistas fizeram toda a espécie de planos para estrangular a URSS. Ainda no ano passado o astuto reacionário Churchill, prorrompendo em doestos da tribuna do Parlamento inglês, censurou furiosamente a história pelo fato de não ter conseguido realizar o plano de “estrangulamento do bolchevismo no seu nascimento”. A União Soviética não somente suportou toda a classe de provas mas também se consolidou nessa luta.

A União Soviética infligiu no decorrer da segunda guerra mundial uma tremenda derrota aos mais impacientes de seus inimigos. Tendo saído vitoriosa desta guerra e tendo a possibilidade de prestar uma ajuda efetiva ao movimento de libertação dos outros povos, a União Soviética saiu por fim de sua situação de isolamento internacional. Hoje, a União Soviética não se encontra somente fora do isolamento internacional, mas constitui o centro do poderoso campo democrático internacional que agrupa todos os Estados de democracia popular. Até mesmo nos países capitalistas possuímos atualmente milhões de amigos ativos que dia a dia se juntam às fileiras do amplo movimento democrático e anti-imperialista.

Nestas novas condições e especialmente a partir da criação da sólida aliança anti-imperialista entre os povos soviético e chinês, entre os dois maiores Estados do globo, o campo da paz, da democracia e do socialismo se transformou numa força grandiosa. O campo da paz e da liberdade marcha por um caminho seguro, comprovado pela historia e garantido pelo fato de que nas bandeiras sob as quais se agrupa se acha inscrito um grande nome: Stálin!

Ao campo democrático, que agrupa a URSS e os países de democracia popular, se opõe o campo das potencias imperialistas encabeçadas pelos círculos dirigentes dos Estados Unidos da América do Norte.

Embora, após a segunda guerra mundial, as posições do imperialismo tenham ficado bastante minadas a sorte do regime capitalista, corrompido e caduco, esteja definitivamente decidida, o imperialismo não se dispõe a abandonar voluntariamente este mundo e passar à historia. Ao contrario, esforça-se por levantar uma vez mais a cabeça, por aplicar medidas draconianas contra as organizações progressistas e o movimento democrático, trata de formar toda a classe de blocos de seus aliados entre os governos reacionários de outros países e se entrega a uma irresponsável preparação de novos atos de agressão cada vez mais criminosos, visando realizar sua aspiração de domínio mundial.

A nossa tarefa permanente e a nossa obrigação consistem em estarmos alertas diante dos manejos que se processam no campo do imperialismo.

O marxismo nos ensina que a sorte dos povos é determinada antes de tudo, pelo desenvolvimento econômico dos Estados. Por isso devemos prestar uma grande atenção aos fatos relacionados com a situação econômica nos países capitalistas.

Consideremos os fatos que dizem respeito aos Estados Unidos da América, a principal potência capitalista da nossa época.

Os capitalistas dos Estados Unidos não aproveitaram mal a segunda guerra mundial. Dilataram a sua indústria mais do que nos tempos de paz, enchendo os seus bolsos até arrebentá-los. Também aproveitaram bastante a difícil situação de outros países no período de após-guerra e, especialmente, a decadência econômica da Alemanha, da Itália e do Japão derrotados, para a colocação de suas mercadorias e para com isso encher as suas arcas de ouro.

Não demorou muito tempo, porém, desde o fim da guerra, para começar a se desmoronar o bem-estar artificial criado para a indústria capitalista americana durante a guerra, guerra que foi devastadora para os povos da Europa e da Ásia.

Pelos dados publicados, todos sabemos que, nestes últimos anos, a indústria americana trabalha a um nível inferior ao nível dos anos de guerra. Sabe-se também que, em outubro de 1949, quando o descenso da produção industrial foi particularmente brusco, o nível da indústria americana caiu em cerca de 22% em comparação a outubro de 1948. Isto ocorria no mesmo tempo em que o nível da indústria soviética se elevava, em 1949, em cerca de 20%. A cifra norte-americana de 22% de diminuição é um atestado do começo da crise econômica nos Estados Unidos e também da crise que se desenvolve em todos os países capitalistas. A cifra soviética de 20% aumento evidencia o contínuo e pujante ascenso da indústria soviética.

Que podemos dizer das perspectivas de desenvolvimento econômico dos países de um e de outro campo?

Somente a União Soviética e os países de democracia popular, que marcham pelo caminho do socialismo, apoiando-se na ajuda da URSS, nos dão uma resposta clara a esta questão.

Durante a última campanha eleitoral o camarada Stálin determinou a linha fundamental do desenvolvimento econômico de nosso país. Indicou, então, as bases do plano econômico para três quinquênios ou mais, assinalando como tarefa básica a “elevação do nível de nossa indústria, por exemplo, de três vezes em relação ao nível de pré-guerra”.

Atualmente nos encontramos no fim do primeiro de nossos planos quinquenais de após-guerra. Vemos que nosso país cumpro com êxito e supera o que foi indicado para estes primeiros anos.

Neste ano iniciaremos a elaboração do segundo plano quinquenal de após-guerra que entrará em vigor em 1951. Subentende-se que o segundo e os demais planos quinquenais do após-guerra serão também quinquênios stalinistas e isto diz tudo. Todo o mundo sabe que a realização do nossos planos econômicos eleva cada vez a maior altura a economia de nosso país e por conseguinte aumenta incessantemente o bem-estar do povo soviético. Conhecemos bem o caminho que nos conduz para a frente e estamos convencidos do que o plano traçado pelo camarada Stálin de elevar em três vezes, prazo historicamente breve, o nível da indústria soviética, será sem dúvida cumprido.

Muito diferente é a situação dos países do campo capitalista.

Sabe-se que, graças aos êxitos da planificação na União Soviética, a ideia do plano econômico se tornou popular entre todos os povos. Os políticos americanos quiseram tirar proveito deste fato e lançaram a propaganda do chamado “Plano Marshall”. Mas o valor do “Plano Marshall”, na prática, pode ser julgado polo fato de que, precisamente nos anos em que se pôs em execução este “plano de ajuda à Europa”, começou a aumentar a crise econômica tanto nos países da Europa como nos Estados Unidos da América do Norte. É testemunho deste fato a imensa cifra de desempregados e de empregados parciais, que trabalham semanas incompletas, cifra que abrange nos países capitalistas cerca de 45 milhões de pessoas. É certo que o “Plano Marshall” tem ajudado os monopolistas americanos a tomar em suas mãos as rédeas de numerosos setores da indústria e das finanças do Estado nos países europeus, porém isto não deu solidez à situação da indústria americana. Em compensação, a inundação da Europa por mercadorias americanas sem saída, surte os seus efeitos. A indústria nacional dos países “marshalizados” se viu oprimida, começou a reduzir-se, a decair, o que conduz ao lançamento à rua de novos e novos exércitos de desempregados privados do seu ganha-pão.

Em tal situação compreende-se porque a União Soviética e os países de democracia popular se manifestam pela emulação pacífica dos sistemas socialista e capitalista, que no campo do imperialismo reina o espírito do uma sombria incerteza e de aventuras guerreiras. Cada novo ano de desenvolvimento em condições de paz serve à causa do fortalecimento das posições de países como a URSS e os Estados de democracia popular, o que não se pode afirmar em relação aos países capitalistas.

Não temos por que ocultar que, para a realização dos grandiosos planos econômicos em perspectiva, a URSS. está interessada numa paz sólida, em uma ampla colaboração pacífica com outros países. Uma paz sólida, a paz em todo o mundo, eis a bandeira sob cujas dobras marcham a União Soviética e os países de democracia popular.

Os círculos dirigentes do campo imperialista seguem uma outra política. À política de uma paz sólida em todo o mundo, os imperialistas opõem a política de preparação de uma nova guerra mundial.

Estas potências agressoras é que rechaçaram na Assembleia Geral da ONU a proposta do Governo soviético sobre o pacto de consolidação da paz. Elas é que impuseram à Alemanha ocidental o seu estatuto de ocupação para manter por mais tempo ainda o território alemão sob ocupação militar, privando a Alemanha do Tratado de Paz. São elas que não querem que o Japão tenha o seu Tratado de Paz e pretendem, de forma ilegal, prolongar a manutenção do território japonês sob a ocupação militar, sem perceber o quanto tal fato desacredita o potência de ocupação. Foram os círculos dirigentes dos Estados Unidos que gastaram seis bilhões de dólares para atiçar a guerra civil na China. São americanos os aviões que, ainda hoje, lançam bombas sobre a população pacífica de Changhai e outras cidades da China, mandados pelo lacaio dos imperialistas, Chiang Kai-Shek. São as potências agressoras que praticam uma política de discriminação no comércio exterior, dirigida contra a União Soviética e os países de democracia popular, e que constituem um freio ao desenvolvimento de todo o comércio internacional. É a sua imprensa que hoje clama sem cessar sobre a necessidade da realização da política da chamada “guerra fria” contra a União Soviética e os países de democracia popular, exigindo um aumento ainda maior dos orçamentos de guerra, a construção de novas bases militares, a continuação da política de constante ameaça contra os países amantes da paz do campo democrático, de que se aproveitam os capitalistas dos países do bloco anglo-americano para conseguir novos pedidos de guerra e lucros de milhões e milhões.

Todas as espécies de chantagistas deste campo pretendiam atemorizar-nos ontem com a bomba atômica. Hoje nos ameaçam com a chamada “bomba de hidrogênio”, que na realidade ainda não existe. Ser-lhes-ia do maior proveito, em lugar de ser tão fanfarrões, não se esquecerem de que, enquanto se ocupavam com a chantagem por conta do monopólio da posse da bomba atômica, os homens soviéticos, como se sabe, não passavam o tempo em vão e dominavam o segredo da produção da energia atômica e da arma atômica. Somente os imbecis do gênero de certo ministro perturbado podem entregar-se aos planos insensatos de pretender assustar a União Soviética e desconcertar o seu povo com o reclame de toda classe de planos de agressão, sem compreender que, nas condições atuais, ao rechaçar a competição pacífica e desencadear uma nova guerra, os imperialistas provocariam inevitavelmente a justa e decidida indignação dos povos que varreriam para sempre da face da terra o imperialismo e a agressão.

Mantemo-nos integralmente obedientes ao princípio leninista-stalinista da coexistência pacífica dos dois sistemas e pela sua competição econômica pacífica. Estamos perfeitamente cientes, porém, da verdade de que, enquanto subsistir o imperialismo, existe o perigo de uma nova agressão e que, enquanto existir o imperialismo e seus planos de rapina, as guerras são inevitáveis. Por isso, os partidários de uma paz sólida entre os povos não devem se manter em atitude passiva, não devem se converter em simples pacifistas que se deixam seduzir por frases, mas devem travar uma luta diária e tenaz e cada vez mais efetiva pela paz, atraindo para esta luta as massas populares e não se detendo ante as medidas necessárias, ante as tentativas dos imperialistas de desencadearem uma nova agressão.

No movimento dos partidários da paz que hoje se desenvolve em todos os países, vemos um bastião importante para a manutenção da paz em todo o mundo, porquanto este movimento é a autêntica expressão das melhores aspirações e esperanças dos povos. Possuímos agora este fator, que não existia antes da segunda guerra mundial. E, até a guerra, nas massas populares predominavam os inimigos da agressão, os partidários das relações pacíficas entre os povos, porém então os partidários da paz não estavam unidos, não estavam organizados em um poderoso campo. Agora a situação é diferente. Atualmente possuímos uma frente de partidários da paz organizados em escala internacional e de que participam as massas populares.

No mesmo campo, ao lado da União Soviética, se encontram países como a República Popular da China e os Estados de democracia popular, cuja população é constituída de 800 milhões de pessoas, isto é, mais de uma terça parte do total da população do globo. Estão também a favor da causa de uma paz sólida, contra a agressão imperialista, centenas de milhões de pessoas de outros países. Como compete aos homens situados nas posições de vanguarda dos defensores dos mais vitais interesses dos povos, os comunistas da França, Itália, Austrália e outros países proclamaram publicamente que os povos destes países não irão à guerra contra a União Soviética e os países de democracia popular, que os povos destes países não querem ser instrumentos da agressão imperialista. Estas audazes e vigorosas advertências, que manifestam a elevação grandiosa do nível de consciência das massas populares, revestem uma enorme importância internacional e mobilizam milhões e milhões de pessoas para a luta pela paz, para a ação ativa no interesse de todos os povos amantes da paz, para a luta contra os incendiários da guerra, contra a nova agressão.

Se os partidários da paz em todos os países mantiverem uma luta inflexível por uma paz sólida entre os povos, desmascarando a todos e a cada um dos incendiários da guerra, ampliando e tornando as suas fileiras cada vez mais coesas, este movimento internacional de partidários da paz, cumprirá a sua tarefa histórica: impedir o desencadeamento de uma nova agressão e mobilizar contra as forças agressoras do imperialismo a potência dos povos, capaz de deter qualquer agressor.

Tais são alguns aspectos do balanço.

Pode-se, agora, tirar conclusões sobre as nossas tarefas futuras.

Camaradas: todos compreendem por que as atuais eleições ao Soviet Supremo transcorrem sob a bandeira combativa do bloco stalinista dos comunistas e dos sem-partido.

Este bloco une os operários, os camponeses e a intelectualidade, enfim todo o povo soviético, dirigido pelo Partido Comunista.

Este bloco é a base de nossas vitórias e a garantia dos êxitos futuros do Estado Soviético.

Viva o bloco vitorioso de comunistas e sem-partido!

Viva o poderoso povo soviético e seu grande Partido Bolchevique, Partido de Lênin e Stálin!

Viva nosso grande e sábio guia, nosso querido camarada Stálin!

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“Passemos ao segundo princípio tático do leninismo.
Do caráter e das perspectivas da revolução chinesa, decorre a questão dos aliados do proletariado em sua luta pela vitória da revolução.
A questão dos aliados do proletariado é uma das questões fundamentais da revolução chinesa. Diante do proletariado chinês, levantam-se adversários poderosos: os pequenos e os grandes senhores feudais a máquina militar burocrática dos velhos e novos militaristas, a burguesia nacional contrarrevolucionária, os imperialistas do Oriente e do Ocidente, que se apoderaram dos setores fundamentais da vida econômica da China e, reforçando seu direito à exploração do povo chinês, as tropas e a Marinha.
A fim de derrotar esses adversários poderosos, são necessários, além de tudo o mais, uma política flexível e bem meditada do proletariado, a capacidade de utilizar cada brecha no campo dos adversários, a capacidade de encontrar aliados, mesmo que estes sejam aliados vacilantes, pouco seguros, com a condição de que sejam aliados de massas, que não restrinjam a propaganda revolucionária e a agitação do Partido do proletariado não restrinjam o trabalho deste Partido na organização da classe operária e das massas trabalhadoras'’.
J. Stálin (1927)

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Inclusão 31/07/2012
Última alteração 21/01/2013