A vitória da contrarrevolução

J. V. Stálin

22 de julho de 1917


Primeira publicação: “Rabótchi i Soldat” (“O Operário e o Soldado”), n.° 1. 22 de julho de 1917. Assinado: K. St. O artigo A vitória da contrarrevolução foi publicado em 19 de julho de 1917 no n.° 5 do Proletárskoie Dielo (A Causa Proletária), jornal de Kronstadt, com o título O triunfo da contrarrevolução.
Fonte: J. V. Stálin, Obras. Editorial Vitória, Rio de Janeiro, 1953, págs. 133-135.
Tradução: Editorial Vitória, da edição italiana G. V. Stálin - "Opere Complete", vol. 3 - Edizione Rinascita, Roma, 1951.
HTML: Fernando Araújo.
Direitos de Reprodução: licenciado sob uma Licença Creative Commons.


capa

A contrarrevolução organizou-se. Desenvolve-se e ataca em toda a linha. Os senhores cadetes, chefes da contrarrevolução, que ainda ontem boicotavam o governo, estão hoje prontos a voltar ao poder a fim de dominarem o país.

Os partidos social-revolucionário e menchevique, partidos “no governo”, recuam em completa desordem juntamente com o seu governo de “salvação da revolução”. Estão dispostos a todas as concessões, estão dispostos a tudo: não tendes senão que ordenar.

Entregar os bolcheviques e os seus seguidores?

— Por favor, senhores cadetes, tomai os bolcheviques.

Entregar a delegação do Báltico e os bolcheviques de Kronstadt?

— Às vossas ordens, senhores “esbirros da polícia secreta”, tomai a delegação.

Suprimir os jornais bolcheviques dos operários e dos soldados, que aborrecem os cadetes?

— Envidaremos nossos melhores esforços, senhores cadetes, suprimiremos esses jornais.

Desarmar a revolução, desarmar os operários e os soldados?

— Com grande prazer, senhores latifundiários e capitalistas. Desarmaremos não só os operários de Petrogrado, como também os de Sestroretsk, se bem não tenham participado dos acontecimentos de 3 e 4 de julho.

Restringir a liberdade de palavra e de reunião, a inviolabilidade da pessoa e do domicílio, instituir a censura e a polícia secreta?

— Tudo será feito, senhores reacionários, tudo, e até ao fim.

Restabelecer a pena de morte na frente?

— Com grande prazer, insaciáveis senhores...

Dissolver a Dieta finlandesa que apoia o programa aprovado pelo Soviet?

— Será feito, senhores latifundiários e capitalistas.

Modificar o programa do governo?

— Envidaremos nossos melhores esforços, senhores cadetes.

E os mencheviques juntamente com os social-revolucionários estão dispostos a ceder ainda, só para ficarem de acordo com os cadetes, só para concordarem de qualquer maneira com o preço...

E a contrarrevolução torna-se cada vez mais insolente, exigindo novas vítimas e induzindo o governo provisório e o Comitê Executivo a vergonhosas renúncias. Propõe-se, para agradar aos cadetes, a convocar em Moscou uma “assembleia extraordinária” dos membros da dissolvida Duma de Estado e de outros expoentes das castas abastadas, em cujas fileiras o Comitê Executivo Central ficará em minoria absoluta. Os ministros, perdendo a cabeça, depõem as pastas aos pés de Kerenski. Os cadetes ditam a lista dos membros do governo.

Com o auxílio da Duma tzarista e dos traidores cadetes enterra-se a liberdade conquistada com sangue: eis a que vergonha nos reduzem os atuais dirigentes de nossa vida política....

E a guerra continua, e agravam-se os reveses na frente, enquanto se acredita em melhorar a situação restabelecendo a pena de morte. Cegos! Não vêem que a ofensiva só pode contar com a simpatia das massas quando os objetivos da guerra forem claros e sentidos pelo exército, quando o exército estiver consciente de estar derramando o sangue pela própria causa; não vêem que na Rússia democrática, na qual se realizam comícios e livres assembleias de soldados, não se pode pensar em uma grande ofensiva se não existir essa consciência.

E o esfacelamento continua; a fome, o desemprego e a ruína geral ameaçam-nos, enquanto se acredita em resolver a crise econômica recorrendo a medidas policiais contra a revolução. Essa é a vontade da contrarrevolução. Cegos! Não vêem que sem tomar medidas revolucionárias contra a burguesia é impossível salvar o país do desastre.

As perseguições aos operários, a destruição das organizações, o engodo dos camponeses, a prisão dos soldados e dos marinheiros, as mentiras, as calúnias contra os líderes do partido proletário, e ao lado disso a vitória dos contrarrevolucionários que caluniam e tornam-se insolentes, tudo sob a bandeira da “salvação” da revolução: eis a que ponto nos reduziram os partidos social-revolucionário e menchevique.

Ainda há no mundo indivíduos (vide Nóvaia Jizn) que depois de tudo isso nos propõem a unidade com esses senhores que “salvam” a revolução sufocando-a!

Por quem nos tomam?

Não, senhores, não temos nada em comum com os traidores da revolução!

Os operários não se esquecerão nunca de que durante as horas graves das jornadas de julho, quando a contrarrevolução desencadeada disparava contra a revolução, o Partido Bolchevique foi o único que não abandonou os quarteirões operários.

Os operários não se esquecerão nunca de que naqueles graves instantes os partidos social-revolucionário e menchevique, partidos “no governo”, encontravam-se no campo dos que golpeavam e desarmavam os operários, os soldados e os marinheiros.

Os operários recordarão tudo isso e daí tirarão as devidas conclusões.


Inclusão: 18/02/2024