O Nó Ucraniano

J. V. Stálin

14 de Março de 1918


Primeira Edição: "Izvéstia" ("As Notícias"), n. 47, 14 de março de 1918.
Fonte: J.V. Stálin – Obras – 4º vol., Editorial Vitória, 1954 – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução: Editorial Vitória
Transcrição: Partido Comunista Revolucionário
HTML:
Fernando A. S. Araújo, setembro 2006.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

capa

Em fins de fevereiro, ainda antes da conclusão da paz com a Alemanha, a Secretaria Popular da República Soviética Ucraniana enviara a Brest-Litovsk uma delegação, declarando-se disposta a subscrever o tratado que a destituída Rada de Kíev estipulara com a coalizão alemã.

O representante do comando alemão em Brest-Litovsk, o famigerado Hoffmann, não recebeu a delegação da Secretaria Popular, declarando não ver necessidade de entabular negociações de paz com esta última.

Ao mesmo tempo, tropas de assalto alemãs e austro-húngaras, junto com destacamentos de "haidamaks" de Petliura e de Vinnitchenko, iniciaram a invasão da Ucrânia Soviética.

Não paz, mas guerra contra a Ucrânia Soviética, tal é, o sentido da resposta de Hoffmann.

Segundo o tratado subscrito pela antiga Rada de Kíev, a Ucrânia era obrigada a enviar à Alemanha, até fins de abril, 30 milhões de puds de trigo, sem falar na "livre exportação de minérios" exigida pela Alemanha.

Sem dúvida, a Secretaria Popular da Ucrânia Soviética conhecia essa cláusula e sabia a que ônus estava sujeita quando oficialmente declarara sua intenção de subscrever a paz de Vinnitchenko.

Apesar disso, o governo alemão, representado por Hoffmann, recusava-se a entabular negociações de paz com a Secretaria Popular, reconhecida por todos os Soviets da Ucrânia, tanto pelos das cidades como pelos do campo. Hoffmann preferia a aliança com cadáveres, com a Rada de Kíev, derrubada e esmagada, a um tratado de paz com a Secretaria Popular, reconhecida pelo povo ucraniano, a única em condições de fornecer a "quantidade necessária" de trigo.

Isto quer dizer que a invasão austro-alemã tem como objetivo não só o açambarcamento do trigo mas sobretudo a derrubada do Poder Soviético na Ucrânia e a restauração do antigo regime burguês.

Isto quer dizer não só que os alemães pretendem subtrair da Ucrânia milhões de puds de trigo, mas tentam ao mesmo tempo privar os operários e camponeses da Ucrânia de seus direitos, depois de haver-lhes arrancado e entregue aos latifundiários e aos capitalistas o poder conquistado com sangue.

Os imperialistas da Áustria e da Alemanha trazem em suas baionetas um novo e ignominioso jugo, em nada melhor que o velho jugo tártaro. Tal é o significado da invasão pelo Ocidente.

O povo ucraniano, ao que parece, compreende isso e prepara-se febrilmente para a resistência. Forma-se um Exército Vermelho camponês, a Guarda Vermelha operária mobiliza-se; depois dos primeiros momentos de pânico verificaram-se vários encontros vitoriosos com os "civilizados" agressores; foram libertados Bakhmatch, Konotop, Niéjin; avançou-se até às proximidades de Kíev, cresceu o entusiasmo da massa, milhares de homens foram combater os opressores: assim respondeu a Ucrânia popular à invasão dos agressores.

Contra o jugo estrangeiro que vem do Ocidente, a Ucrânia Soviética chama à guerra pela defesa da pátria: tal é o sentido dos acontecimentos que se verificam na Ucrânia.

Significa isso que cada pud de trigo e cada pedaço de metal custará aos alemães lutas e encarniçadas batalhas contra o povo ucraniano.

Significa isso que a Ucrânia deverá ser materialmente conquistada para que os alemães possam receber trigo e colocar no trono Petliura-Vinnitchenko.

Há toda a probabilidade de que o "golpe fulminante" com que os alemães pensavam matar dois coelhos de uma só cajadada (apoderar-se do trigo e destruir a Ucrânia Soviética) transforme-se numa guerra prolongada entre os opressores estrangeiros e vinte milhões de ucranianos, de quem se quer tirar o trigo e a liberdade.

Será por acaso necessário acrescentar que os operários e camponeses ucranianos não pouparão suas forças na luta heróica contra os "civilizados" agressores?

Será também necessário demonstrar que a guerra pela defesa da pátria, iniciada na Ucrânia, pode desde logo contar com o mais amplo apoio de toda a Rússia Soviética?

E se a guerra na Ucrânia, no caso de se prolongar, se transformasse enfim numa guerra contra o novo jugo imposto pelo Ocidente, travada por todos que na Rússia estão animados de sentimentos nobres e honestos?

E se os operários e soldados alemães, no curso desta guerra compreendessem enfim que os governantes alemães não se deixam mover pela "defesa da pátria alemã", mas simplesmente pela insaciável avidez da besta imperialista e, compreendendo-o, tirassem dessa compreensão as conclusões práticas adequadas?

Não é então claro que a Ucrânia é o ponto nodal na atual situação internacional, o nó da revolução operária iniciada na Rússia e da contra-revolução imperialista que vem do Ocidente?

A voraz besta imperialista quebrará o pescoço na Ucrânia Soviética. Não nos leva hoje a essa conclusão a lógica inexorável dos acontecimentos?. . .

Assinado: J. Stálin.

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

pcr
Inclusão 06/12/20007