MIA - Seção em Português
Bento António Gonçalves
foto de Bento António Gonçalves
1902-1942

 

Nascido em 1902, em Fiães do Rio, Montalegre, Trás-os-Montes, Portugal, filho de camponeses, sai muito novo para Lisboa para trabalhar como torneiro de madeiras e depois como torneiro de metais, onde demonstrou grande perícia profissional. Tornou-se operário do Arsenal da Marinha onde ganhou estima pessoal e profissional.

Já sindicalizado, visita a URSS em 1927, como representante arsenalista operário às comemorações do X aniversário da Revolução de Outubro. Em 1928, aos 26 anos, Bento Gonçalves começa a reorganização do partido que contava em 1929, apenas 40 militantes efectivos.

Contudo a grave crise capitalista mundial criava condições objectivas propícias para o desenvolvimento do partido marxista-leninista, dado o agravamento da situação de miséria das massas trabalhadoras, do crescimento do desemprego, da diminuição do poder de compra, potenciadores do descontentamento e da luta.

As palavras de ordem “Pão e Trabalho” apoiavam a actividade sindical afecta ao Partido, sobretudo a partir do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha. Ao mesmo tempo desenvolvia-se a unidade sindical que começava a juntar comunistas, anarco-sindicalistas, socialistas e sindicatos autónomos, através de uma “Comissão Inter-Sindical”(CIS). Por outro lado e junto com esta comissão, combate-se a concepção da Ditadura Militar de colaboração de classe, que as autoridades procuraram inculcar na actividade sindical.

A orientação de Bento Gonçalves era a de combater tanto o anarco-sindicalismo representados pela CGT, no sentido de lhe ir buscar operários, como também intensificar a luta contra o capitalismo. Só quando a CGT se viu diminuída na sua acção e o Estado Novo preparava criação de um sindicalismo corporativista (1934) é que se decidiu juntar na luta ao lado do PCP e da CIS.

Bento Gonçalves percebeu, quando foi eleito secretário-geral do PCP em 1928, que tinha que adaptar o partido às condições de clandestinidade e à repressão, reconstruir as estruturas de direcção e aumentar a ligação entre operários, camponeses, estudantes e militares bem como reforçar as solidariedades internacionais.

Em 1931, a reorganização do partido torna-se sensível com o lançamento das estruturas clandestinas do PCP e das Juventudes Comunistas (JC), que criam organizações revolucionárias dentro do exército (ORE), da Armada (ORA) e nos meios académicos estudantis (GDA). No dia 15 de Fevereiro de 1931, começa a publicar-se o órgão central do PCP, o jornal “Avante”, que ainda hoje persiste. É nesta altura que Bento é deportado pela primeira vez, para o arquipélago dos Açores. Daí segue para a ilha do Fogo, Cabo Verde onde habitará a pequena vila de S.Filipe. Continua a estudar e a estar atento às realidades nacionais e internacionais.

Volta à liberdade dois anos depois, para de novo se integrar na luta. Frequenta também a escola naval onde é diplomado como piloto. Numa viagem à ilha da Madeira, calculou com precisão a relação de horas de viagem com a quantidade de combustível. Apesar da sua preparação neste campo, fica para sempre ganho, para a luta dos trabalhadores. Nela nunca se esqueceu de incluir a luta contra o imperialismo e a defesa dos povos colonizados.
Em 1934, dá-se a primeira tentativa revolucionária de derrube do Estado Novo, organizadas pelo PCP e pela CGT nas localidades industriais da Marinha Grande, Barreiro e Seixal. Disto resultaria um golpe repressivo que levaria à prisão e deportação de inúmeros militantes comunistas, anarco-sindicalistas e elementos sindicais.

No ano seguinte, a PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) detém muitos militantes do PCP, entre os quais o próprio Bento Gonçalves, em Novembro. É levado para o isolamento na fortaleza de São João Baptista, nos Açores onde aliás é julgado por um tribunal militar especial. É condenado a quatro anos de prisão e dos Açores volta a Cabo Verde desta vez para o “Campo de Morte Lenta do Tarrafal”, onde chega em Outubro de 1936 (“inaugurado” nesse ano), saído dos porões do velho paquete “Luanda”, com mais 200 presos políticos.

Internado no Tarrafal, mesmo assim estuda biologia, matemática, até mesmo rudimentos de física nuclear (então nos seus primeiros passos). Nos Açores aprendera alemão e em Cabo Verde a língua inglesa, ambas de forma autodidacta. Continuou a estar à frente dos protestos dos presos, mesmo tendo em conta o perigo e os sacrifícios que isso acarretava. A obra da reorganização do partido não parou mesmo nos difíceis anos de 1940-41.

Doente de biliose, faleceu a 11 de Setembro de 1942, no Tarrafal, Cabo Verde.

 

Atualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:

1935 - Ago Relatório Apresentado ao VII Congresso da Internacional Comunista
1936 Contestação à Secretaria do Tribunal Militar Especial
1941 Duas Palavras
???? Palavras Necessárias (Elementos para a História do Movimento Operário Português)
   
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Abriu o arquivo 14/04/2014
Última alteração 23/06/2014