O Generalíssimo Stálin, Chefe Militar

Agildo Barata

Dezembro de 1949


Primeira Edição: ......
Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 23 - Dez de 1949.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo
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A vida militar de Stálin está assinalada por três períodos de aspectos nitidamente marcados: o insurrecional, o da guerra civil e o da guerra patriótica.

Por mais de um quarto de século — de 1917 a 1945 — Stálin foi o comandante, o general vitorioso. Dirigindo a insurreição pela conquista do poder pelos Soviets, comandando os destacamentos do jovem Exército Vermelho contra a intervenção estrangeira, generalíssimo em chefe na guerra contra as hordas nazistas, em todas essas fases, Stálin venceu sempre e sempre conservou a tempera de um comandante da época da revolução proletária, de um velho bolchevique, desses sobre os quais Mikoyan diz que "merecem o nosso respeito não porque sejam velhos, mas porque não envelhecem".

A contribuição pessoal de Stálin "cresce de etapa em etapa, guardando uma unidade impressionante"(1), na continuação da obra genial de Marx, Engels e Lênin, contribuindo de maneira decisiva para elevar a arte militar ao nível de verdadeira ciência.

Hoje em dia é de evidência meridiana que é impossível dominar os princípios da guerra moderna sem dominar o marxismo-leninismo, sem o conhecimento profundo do método materialista dialético.

A doutrina marxista da guerra afasta as caducas concepções dos princípios eternos e imutáveis da guerra.

"O que é essencial não é conduzir a guerra com audácia aplicando a surpresa ou o cerco para o aniquilamento do inimigo, não é mais ter a superioridade no setor principal da frente, etc., mas é o modo pelo qual as forças desenvolvem sua ação destrutiva, a maneira pela qual aniquilam ou desgastam o inimigo, pela qual avançam ou recuam, pela qual obtêm a superioridade sobre os pontos importantes da frente"(2).

Onde, porém, a doutrina soviética da guerra se impõe magistralmente é no justo conceito político de forças armadas. É bem verdade que Clausewitz dizia que a guerra é a "continuação da política do tempo de paz por outros meios", mas o que Clausewitz não estabeleceu é que os Estados que possuem políticas diferentes conduzem a guerra de maneira diferente. Para Lênin e Stálin os:

"objetivos políticos da guerra têm uma influência decisiva sobre a maneira de conduzi-la".

Nas escolas clássicas jamais se estudou a fundo o choque de dois estados em duas etapas sociais diferentes. Toda a estratégia dos clássicos militares — Clausewitz inclusive — repousava sobre a hipótese de um conflito entre forças, entre exércitos política e socialmente semelhantes. Quando Dumouriez na batalha de Valmy venceu os exércitos realistas do Duque de Brunswick, barrando o caminho de Paris, todo o mundo viu que, como dizia Goethe,

"ali, naquele momento e naquele lugar, começava uma nova fase da história da humanidade".

O que, porém, não foi compreendido completamente é que ali, naquele lugar, se defrontavam as forças de dois exércitos de composição sócia diferente: da burguesia e do feudalismo. Os clássicos militares de então não penetraram mais profundamente nas causas da mobilidade dos exércitos revolucionários da França e da América, contrastando com o peso e a quase imobilidade dos exércitos feudais providos pelo sistema econômico e social já caduco do feudalismo.

Nos dias de hoje, a supremacia absoluta dos exércitos que representam o que há de progressista na humanidade — os exércitos organizados à luz dos princípios revolucionários do marxismo — é fator decisivo nas guerras atuais. Há, porém, algo de mais decisivo ainda: os exércitos de uma sociedade sem classes não trazem dentro de si próprios o processo de decomposição e luta peculiares aos exércitos das sociedades de classes em choque, aos exércitos dos países capitalistas. É evidente que a técnica, a pujança industrial de um país na produção do armamento e dos engenhos de guerra têm uma grande significação, mas está não deve ser exagerada pois a doutrina marxista da guerra nos ensina — e a vida o tem comprovado — que é essencial levar em linha de conta as características político-sociais daqueles que produzem e daqueles que vão usar este armamento e estes engenhos.

A perfeita caracterização das três peculiaridades fundamentais de um exército vermelho(3) fê-la Stálin no dia do décimo aniversário do Exército Soviético da URSS:

"A primeira é que ele é o exército dos operários e camponeses libertados, o exército da Revolução de Outubro, o exército da ditadura do proletariado. A segunda, é que ele é o exército da fraternidade entre os povos da URSS, o exército da libertação dos povos oprimidos, o exército da defesa da liberdade e da independência dos povos soviéticos. A terceira, é que ele é o exército educado no espírito do internacionalismo, nos sentimentos do internacionalismo de que está penetrado o Exército Soviético."(4)

Destas apreciações ressalta nitidamente a característica fundamental de um exército de um Estado onde os privilégios de classe foram abolidos, onde não mais existe a luta de classes. Daí decorre a concepção marxista dos fatores de ação permanente da guerra, permitindo a adoção de uma linha estratégica que repouse sobre a solidez social da retaguarda isenta das contradições e dos germes de decomposição de uma sociedade dividida em classes. A composição social do exército condiciona a estratégia. Stálin, na sua ordem do dia n.° 55, de 23 de fevereiro de 1943, mostra um dos aspectos dos "fatores de ação permanente" da guerra:

"Agora, os alemães já não possuem a vantagem militar que tinham nos primeiros meses da guerra, como resultado de sua pérfida e inesperada agressão. O fator surpresa e subtaneidade, como reserva das forças fascistas alemães, esgotou-se completamente. Com isso liquidou-se a desigualdade nas condições da luta, desigualdade criada pela repentina agressão fascista alemã. Agora, a sorte da guerra não será decidida por um elemento provisório como a surpresa, mas por fatores de ação permanente: a solidez da retaguarda, a moral do exército, a quantidade e a qualidade das divisões, o armamento do exército, a capacidade de organização dos comandos do mesmo. Aqui é preciso assinalar uma circunstância: tão pronto desapareceu do arsenal dos alemães o elemento surpresa, o exército fascista alemão se encontrou diante de uma catástrofe."(5)

Mas o que a vida militar de Stálin — estreitamente vinculada às vitórias do Exército Soviético, vitórias que evidenciam a superioridade da arte militar marxista sobre a arte militar dos países capitalistas — nos ensina fundamentalmente, é a necessidade do uso constante do método materialista dialético de raciocinar e de conduzir a guerra. Como diz Mao Tsé-Tung:

"Devemos aprender a sabedoria de um bolchevique. Quando a nossa vista não é suficientemente forte, devemos recorrer à ajuda de um telescópio ou de um microscópio. A metodologia do marxismo é a telescopia e a microscopia da política militar"(6).

Passemos em revista, ainda que rapidamente, as três fases nas quais Stálin tão magistralmente aplicou a telescopia e a microscopia política e militar da metodologia marxista.

A Insurreição Armada — Outubro de 1917

Os meses de setembro e outubro de 1917 foram o período de organização do assalto ao poder pelo proletariado russo sob a direção de Lênin e Stálin, os bolcheviques começaram a preparar-se ativamente para as lutas insurrecionais. A 16 de outubro, o Comitê Central do Partido Comunista elegeu o Centro do Partido — organismo encarregado de dirigir a insurreição e que era a fração bolchevique do Comitê Militar Revolucionário. O Comitê Militar Revolucionário era o organismo soviético que funcionava legalmente junto ao Soviet de Petrogrado, então capital da Rússia. À frente do Centro do Partido foi colocado Stálin. Sob sua imediata direção e a supervisão de Lênin, foi organizado o plano e fixada a data da insurreição.

É impossível descrever, nos limites de um artigo, o que foi este plano e como foi possível realizá-lo, em todos os seus detalhes, tão ligado estava ele à realidade objetiva e subjetiva.

Algo de definitivo, porém, se pode dizer: a insurreição armada de Petrogrado, que se iniciou e venceu num dia, no primeiro dos "dez dias que abalaram o mundo", é o exemplo clássico mais perfeito que a história conhece de tática da insurreição armada. E não é só:

"A luta heróica do proletariado de Petrogrado confirmou que a insurreição armada é um aspecto especial da luta política, subordinada a leis especiais"(7).

A idéia ofensiva dominante impregnava todo o plano da insurreição. A surpresa tática era uma de suas peças fundamentais. A liberdade de ação, em seus menores detalhes, foi assegurada. A utilização das forças insurrecionais obedeceu à mais rigorosa economia de forças e um meticuloso sistema de ligações foi previsto. O aprovisionamento em armas, munições e víveres para as organizações rebeladas foi previsto em todos os seus detalhes de organização e funcionamento.

"Conquistada a maioria da classe, a vanguarda da Revolução, a vanguarda do povo, a classe capaz de arrastar atrás de si as massas" e "tendo conosco a maioria do povo", segundo Lênin, a Revolução devia assumir o caráter de uma Revolução popular, e o plano de insurreição devia obedecer a essas linhas mestras.

Forças do Exército de todas as armas, unidades de marinha, tropas de desembarque, destacamentos da Guarda Vermelha estavam trabalhados e organizados por uma tenaz propaganda bolchevique arrematada pela assistência direta que os comissários políticos enviados pelo Comitê Militar Revolucionário davam às diversas unidades revolucionárias, nas vésperas da insurreição, preparando praticamente e em detalhes, o plano traçado pelo Estado Maior da Revolução Bolchevique.
Por em movimento, utilizar, dispor no terreno todas essas forças, tornava a elaboração do plano insurrecional excepcionalmente complexa.

Petrogrado era, então, o ponto principal sobre o qual dever-se-ia exercer o esforço maior dos bolcheviques. Stálin, atuando sob a direção de Lênin, foi o organizador principal do plano de insurreição em Petrogrado. Todas as decisões operativas para o êxito da insurreição foram tomadas. Nada deixou de ser previsto. Foi determinado que os membros do Comitê Central do Partido não deveriam deixar o edifício Smolny, deveriam estabelecer ligações seguras com o Comitê do Partido de Petrogrado e organizar um rigoroso plantão no Smolny e no Comitê de Petrogrado. Organizou-se ainda um estado-maior de reserva para a insurreição. Descendo a detalhes, o plano estabeleceu a execução de ações de surpresa para tomar e conservar, custasse o que custasse, os pontos chaves: a Central Telefônica, os Telégrafos e estações de rádio, as pontes e as estações ferroviárias.

Para cercar e tomar o Palácio de Inverno — sede do governo cambaleante de Kerensky — foi elaborado um meticuloso plano de assalto. Todos os acessos à cidade deveriam ser ocupados, impedindo a vinda de reforços, impedindo as fugas. Os navios de guerra deviam subir o Neva e manter sob a ameaça de seus canhões os acessos a Petrogrado. Tropas navais de desembarque (5.000 homens de Kronstadt) deviam atuar em estreita colaboração com os destacamentos operários da Guarda Vermelha.

A complexidade das operações de estreita colaboração de todas as armas; as dificuldades características da ação conjunta de forças terrestres e navais; as dificílimas operações de desembarque, tudo isto o plano do Centro do Partido previu. E previu não só dentro de difíceis condições técnicas, mas para ser realizado dentro da caótica situação política de um país em guerra e em plena crise revolucionária;, dentro dos quadros de uma dualidade de poderes — o do Governo Provisório e o dos Soviets — que a história ainda não conhecia; dispondo da heterogênea mescla de povo e organizações paramilitares e militares. Foi numa tal conjuntura, com a consciência de que "não se deve brincar com a insurreição", que Lênin e seus discípulos Stálin e Sverdlov dirigiram as jornadas de Outubro.

Para se ter uma idéia do que foi a insurreição de Petrogrado, do ponto de vista técnico-militar, bastaria citar o desembarque do 7.° destacamento de marinheiros, próximo à estação de Spasatelnaya, realizado sob a proteção dos canhões de 12 polegadas do encouraçado "Saria Svobody" (Amanhecer da Liberdade), operação que fora prevista no plano do Centro do Partido, dirigido por Stálin. Além disso, devemos salientar que as primeiras ordens do Centro do Partido ao quartel general da Guarda Vermelha foram para:

"mobilizar todos os transportes, ocupar nas zonas todos os pontos táticos de importância, organizar a defesa das fábricas e usinas, destacar forças de combate para se apoderarem das repartições públicas"(8).

A insurreição de Petrogrado confirmou o princípio marxista de que ''a insurreição, como a guerra, é uma arte", que na sua realização é de decisiva importância a escolha perfeita do momento exato de sua deflagração; que sua realização vitoriosa impõe a localização das forças de modo a obter uma grande superioridade de forças, não em toda a parte, mas nos pontos decisivos; que a ofensiva deve desenvolver-se impetuosamente, sem cessar, até a vitória final, arrancando-se vitórias por pequenas que sejam, "êxitos diários" ou "a cada hora", não só porque a "defensiva é a morte da insurreição armada" (Lênin), mas porque é preciso manter elevado a moral das forças insurretas: que é fundamental agir de surpresa, pegar o inimigo desprevenido e no momento em que suas forças estejam dispersas; que é preciso garantir a liberdade de ação aos insurretos e ter um perfeito sistema de ligações.

Tudo isto foi feito em Petrogrado, em outubro de 1917. Desde a ordem para impedir a ocupação ao jornal bolchevique '"Rabochi Put" (Caminho Operário) — primeira ação insurrecional em Petrogrado — até as últimas operações de limpeza dos 1.050 compartimentos do Palácio de Inverno, o papel pessoal do dirigente, guia e comandante, do que dava as instruções concretas diante de cada novo problema que a insurreição apresentava, coube à figura serena, enérgica e vigorosa de Stálin, o auxiliar imediato de Lênin, o grande arquiteto da primeira revolução proletária vitoriosa no mundo.

A Guerra Civil

Menos de 4 meses após a derrubada do governo de Kerensky,

"já no primeiro semestre de 1918, formaram-se de um modo definido dois grupos de forças dispostas a lutar para derrubar o poder soviético: no estrangeiro, os imperialistas da Entente e, dentro da Rússia, a contra-revolução. Nenhuma dessas forças contava com elementos suficientes para se lançar "por si só" à conquista do objetivo apetecido. A contra-revolução interior dispunha de alguns quadros militares, assim como de certa quantidade de homens, recrutados principalmente entre os cossacos acomodados e os kulaks, com os quais necessitava contar para desencadear a insurreição contra o Poder Soviético. Precisava, porém, de dinheiro e armas. Em compensação, os imperialistas estrangeiros tinham dinheiro e armas, porém não podiam destinar à intervenção a quantidade necessária de tropas, não só porque necessitavam delas para fazer a guerra contra a Alemanha e a Áustria, como também porque estas tropas poderiam tornar-se pouco seguras na luta contra o Poder Soviético."(9)

Conluiadas, porém, aquelas duas forças puderam lançar-se à aventura e aos azares de uma guerra de rapina e o fizeram com a desfaçatez de verdadeiros bandidos. Aproveitando-se das ainda não consolidadas posições do poder soviético, conquistaram importantes regiões da Rússia.

A situação era, então, sumamente crítica para o nascente poder soviético: o país mal saíra de uma guerra; o abastecimento das cidades estava completamente desorganizado; as zonas de maior capacidade de produção de gêneros — Ucrânia e Sibéria — passaram para as mãos dos intervencionistas e contra-revolucionários; os celeiros e os campos petrolíferos do Cáucaso do Norte e do Baixo Volga, estavam ameaçados. As frentes anti-soviéticas se multiplicavam e se desenvolviam ameaçando sufocar o novo Estado Soviético. Em meados de 1918:

"a frente do Norte media já 1.450 km, a frente do Leste cerca de 2.000 km, a frente do Oeste 600 km, a frente do Sul, 1.650 km, a frente do Cáucaso e do Mar Cáspio, 900 km."(10).

Em junho de 1918, a situação do abastecimento das cidades era crítica. De sua solução dependia a sorte da Revolução. Tzaritzin, hoje Stalingrado, era a porta do Volga. Mantê-la aberta era um problema de vida ou de morte para a Revolução. Stálin, com plenos poderes, é enviado pelo Comitê Central para o Sul, afim de organizar todo o abastecimento.

Os contra-revolucionários internos e externos iam conhecer em sua plenitude algo que nunca tinham visto nem tinham podido imaginar: a capacidade de resistência do proletariado quando este toma o poder do Estado em suas mãos.

"O que ainda não temos visto é a força de resistência dos proletários e dos camponeses pobres, pois esta força não se nos revelará em toda a sua grandeza enquanto o proletariado não tenha em suas mãos o Poder. Quando o proletariado tomar o Poder não haverá no mundo poder de capitalistas nem de kulaks nem poder que maneje milhares de milhões do capital financeiro internacional capaz de derrotar a revolução popular..."(11).

As forças armadas de que os bolcheviques dispunham eram então insignificantes. A arte de fazer número impunha-se ao comando bolchevique. Era preciso acudir a todas as frentes e os efetivos de que dispunha o poder Soviético eram limitados. Era preciso adotar a orientação estratégica de "um contra dez" e, no entanto, vencer. E para isso, taticamente, em cada lugar, concentrar forças, fazer número, ser "dez contra um". Os bolcheviques realizaram, então, no curso da guerra civil e contra a intervenção, aquilo que mais tarde seria definido com simplicidade e clareza pelo grande dirigente político e militar do povo chinês:

"A nossa estratégia é de um contra dez, enquanto que a nossa tática é de dez contra um — essa unidade de contradições é uma das leis pelas quais vencemos o inimigo"(12).

Stálin chegou a Tzaritzin em 6 de junho de 1918. Tendo sido encarregado de dirigir e normalizar o abastecimento "de toda a Rússia meridional, Stálin encontrou as organizações dos soviets, os sindicatos e o Partido de Tzaritzin num verdadeiro caos, sendo pior ainda a situação nos órgãos do comando militar. Rapidamente compreendeu que todo o seu trabalho não faria sentido se não fosse modificada a situação do comando militar, cuja atuação era decisiva naquelas circunstâncias. Stálin conhece a importância estratégica de Tzaritzin. Passa então de encarregado de abastecimento a dirigente efetivo das forças armadas revolucionárias. Sem perder um instante, constitui divisões, brigadas e regimentos. Atua com energia e decisão no ponto principal. Organiza a resistência. Distribui os comissários políticos pelas posições principais. Liquida os traidores; afasta os covardes. Limpa a retaguarda de todos os contra-revolucionários, que agiam livremente. A situação modifica-se completamente pela atuação de Stálin, que conduz então a luta com mão firme, com a retaguarda fortalecida e com um elevado moral entre as tropas. Assim se expressa Voroshilov sobre essa frente de batalha comandada por Stálin:

"Recordo-me como se fosse hoje daqueles primeiros dias de agosto de 1918. Os destacamentos cossacos de Krasnov avançavam sobre Tzaritzin, tratando com um movimento envolvente de empurrar para o Volga os regimentos vermelhos. Durante muitos dias as forças vermelhas, com a divisão comunista na vanguarda, composta em sua totalidade por operários da bacia do Donetz, rechaçavam com vigor excepcionai a pressão das tropas cossacas perfeitamente organizadas. Foram dias de máxima tensão. Ali era onde se podia ver o valor do camarada Stálin. Sempre tranqüilo, absorvido em seus pensamentos, não dormia literalmente dias inteiros, dividindo sua intensa atividade entre o trabalho na frente e no estado-maior do Exército. A situação era das mais críticas. Os destacamentos cossacos de Krasnov, sob o comando de Fitzkalaurov, Mamontov e outros, através de uma manobra bem concebida, estreitava o cerco de nossas tropas extenuadas pelas enormes perdas que já haviam sofrido. A frente inimiga era disposta em forma de ferradura, apoiando seus flancos sobre o Volga e cada dia mais se estreitava. Tínhamos a retirada cortada. Mas isto não preocupava muito a Stálin. Estava firme em uma só idéia, um só pensamento: vencer, derrotar a todo o custo o inimigo. Esta inquebrantável vontade de Stálin influía de maneira favorável em todos os seus mais próximos companheiros de luta, a ponto de que, apesar da situação desesperadora, ninguém duvidava da vitória"(13).

E Stálin venceu. A porta de Tzaritzin manteve-se aberta e, o que não é de menor importância estratégica — as forças contra-revolucionárias do Don não se puderam juntar com as dos Urais e do Volga.

Logo após a defesa de Tzaritzin, em novembro de 1918, Stálin é enviado pelo Comitê Central, juntamente com Voroshilov, para a frente acidental afim de organizar a luta contra forças alemães reacionárias que ocupavam a Ucrânia e a Bielo-Rússia.

"Stálin desenvolveu intensíssimo trabalho para recuperar as regiões ocidentais e criar a República da Bielo-Rússia"(14).

Pouco depois, em novembro de 1918, criou-se o Conselho de Defesa Operária e Camponesa, dirigido por Lênin. Stálin foi escolhido para dele participar, "sendo de fato o suplente de Lênin"(15).

Em fins de 1918, novo e imenso perigo pesava sobre os Soviets: o maior exército da contra-revolução — o do almirante tzarista Koltchak — apoiado pelos japoneses e vindo da Sibéria, ameaçava Perm (nordeste de Moscou) e buscava unir-se às tropas britânicas e contra-revolucionárias que operavam no Norte. A organização nos exércitos vermelhos na frente de Perm ameaçava desmoronar-se. Stálin, por proposta de Lênin, é enviado para o setor de Perm. Impedir a junção de Koltchak com as tropas que vinham do Norte era o fundamental. E Stálin impede a junção com a mesma energia, decisão e rapidez com que atuara em Tzaritzin.

Desligado ao Norte e ao Sul, Koltchak começa a ser batido, mas o inimigo afim de aliviar a pressão sobre Koltchak, organiza, em maio de 1919, uma operação de envergadura contra Petrogrado, sob o comando do general reacionário Yudenich. Apoiado por finlandeses, por estonianos brancos e pela esquadra britânica que operava no báltico, a ofensiva de Yudenich se desenvolve ameaçadora. Na retaguarda do Exército Vermelho, sublevam-se os fortes "Morro Vermelho" e ''Cavalo Cinzento". Alguns regimentos passam-se para o inimigo. Rompe-se a frente do Exército Vermelho e a passagem para a futura Leningrado está aberta. Era preciso tomar medidas rápidas, capazes de fazer mudar radicalmente a situação.

Stálin é mandado para a frente de Petrogrado. Com pulso seguro e firme liquida os vacilantes e os traidores. Em engenhosa operação combinada de torças terrestres de infantaria e forças de marinha domina os rebeldes, ocupa os fortes, afasta a ameaça. Sobre estas operações, há um telegrama célebre de Stálin a Lênin:

"Depois do forte "Morro Vermelho" liquidamos o "Cavalo Cinzento". Os especialistas da Armada asseguravam que a tomada do "Morro Vermelho" por mar fazia ruir toda a ciência naval. Só nos resta compadecer-nos dessa chamada ciência. A rápida conquista do forte "Morro Vermelho" se deve à minha mais enérgica intervenção e à dos homens civis que me secundavam nas operações, intervenção que chegou ate à revogação das ordens de mar e de terra, para impormos nossas próprias ordens. Considero um dever fazer constar que de agora em diante também agirei desta mesma maneira, apesar de todo o respeito que sinto pela ciência"(16).

E Stálin, que havia aprendido com Lênin a "não se lastimar na derrota" e a "não ser fanfarrão na vitória", é mais uma vez o artífice da vitória, rompendo já então alguns dos dogmas da velha ciência militar.

O ano de 1918 foi crucial para a Revolução; mas o poder do Estado havia passado para "as mãos dos operários e camponeses pobres", e a grandeza de sua força havia se revelado. Os capitalistas da Entente, porém, não se conformaram com as derrotas de 1918 e, durante o verão de 1919, insuflam a ofensiva polaca que é detida em Smolensk através a resistência organizada por Stálin.

No outono de 1919, Churchill e os reacionários da Entente — já derrotada a Alemanha e esmagados os Soviets da Baviera, Estônia, Hungria e Letônia — iniciam contra a URSS a célebre "Campanha dos 14 Estados".

Enquanto o Exército Vermelho afastava a ameaça de Koltchak, a Leste, novo perigo se levanta contra a pátria dos trabalhadores: o general Denikin, sem dúvida o mais hábil e o mais tenaz dos comandantes dos exércitos intervencionistas, avança através da rica região da bacia do Donetz e invade a Ucrânia. As tropas vermelhas recuam para o norte, enquanto nova ameaça lhes advém do Ocidente: os polacos ocupam Minsk. Yudenich organiza uma nova ofensiva nas proximidades de Petrogrado. Koltchak, a Leste, firma-se e suspende sua retirada.

Era preciso mobilizar todas as forças da Revolução. Era imperioso passar das palavras as ações concretas, foi quando Lênin, educando "a Nação e o Exército" disse:

"Temos que afrontar dificuldades colossais. Cada Soviet local deve — imediatamente depois de haver expedido o telegrama que anuncia sua vontade de combater o inimigo — assinalar quantos trens de pão foram expedidos para Petrogrado, quantos soldados podem partir, imediatamente, para a frente, quantos homens do exército vermelho estão sendo treinados. Todas as armas, todas as munições devem ser inventariadas assim como deve ser restabelecida, imediatamente, a produção de novas armas e munições... Para cumprir com sucesso nossas tarefas, devemos redobrar nossos esforços. Somente com essa condição é que conseguiremos vencer"(17).

E Lênin lança a palavra de ordem: "Tudo na luta contra Denikin!" Era preciso um dirigente capaz de tornar vitoriosa a palavra de ordem de Lênin. O Comitê Central do Partido manda Stálin para a frente sul. A perspicácia do guia político e do general revolucionário vai novamente ter ensejo de revelar-se. Para atuar com eficiência naquela imensa frente que ia do Volga até à fronteira da Ucrânia com a Polônia

"era necessário traçar um plano exato das operações e necessitava-se estabelecer de maneira clara os objetivos desta frente. Somente deste modo e com prévio recrutamento e agrupação das melhores forças nos principais setores, podiam se indicar ao Exército os objetivos tendentes a assestar sobre o inimigo um golpe decisivo"(18).

O Estado Maior do traidor Trotsky concebera um plano: atacar Denikin partindo do Volga na direção geral de Novorossisk, através das planícies do Don. "Stálin submeteu este plano a uma crítica demolidora", principalmente porque a região a ser atravessada era povoada por cossacos que sofriam, então, a influência das forças contra-revolucionárias. O novo plano apresentado por Stálin mostra-nos claramente o seu gênio estratégico. Numa carta a Lênin, Stálin explica por que era necessário substituir rapidamente o antigo plano por um novo, no qual o golpe principal deveria ser dado por Karkov e a bacia do Donetz, na direção de Rostov:

"Em primeiro lugar aqui nos encontraremos num meio que não nos será hostil, mas, ao contrário, que simpatiza conosco, o que facilitará o nosso avanço. Segundo, teremos à nossa disposição uma rede ferroviária muito importante (a do Donetz), cuja artéria principal, a linha Voronezh-Rostov, abastece o exército de Denikin. Terceiro, com este avanço, dividiremos em duas partes o exército de Denikin, do qual damos como pasto de Maknó o grupo de "Voluntários" e ameaçaremos o exército cossaco pela sua retaguarda. Quarto, obteremos a possibilidade de inimizar os cossacos com Denikin que, no caso de um avanço vitorioso de nossa parte, se esforçará em deslocar seus destacamentos cossacos para o Oeste, o que não seria obedecido pela maior parte deles. Quinto, conseguiremos carvão e Denikin ficará sem combustível"(19).

O plano de Stálin foi aprovado pelo Comitê Central do Partido, por indicação direta de Lênin. O esforço e a direção principal do ataque segue a direção indicada por Stálin: Karkov-Bacia do Donetz-Rostov — e as tropas vermelhas, após combaterem em regiões onde as populações politicamente apoiavam os bolcheviques, conseguem derrotar Denikin. Era mais uma e decisiva vitória de Stálin.

Após uma trégua, em maio de 1920, os "panis" polacos escreveram a terceira campanha da Entente contra a União Soviética, enquanto o general russo-branco Wrangel, operando da Criméia, invade a Ucrânia. Ao lado de Voroshilov, Budieni e Frunze, Stálin derrota os polacos e destroça Wrangel, pondo termo à guerra de intervenção contra o país dos Soviets.

Assim, em todo o curso da guerra civil, nas mais diversas e complicadas situações, Stálin, graças ao seu gênio estratégico e tático, soube determinar sempre com acerto a direção do ataque principal e, aplicando a tática adequada a cada situação, obteve sempre os resultados desejados. Voroshilov acentuava certa vez que o que mais surpreende em Stálin a chefe militar é

"a sua faculdade de captar instantaneamente a situação concreta e atuar com toda a consequência"(20).

Já no período da guerra civil, Stálin afirmava:

"O Exército não pode atuar como unidade independente, que se basta a si mesma; nas operações em que toma parte, depende inteiramente dos exércitos vizinhos e antes de tudo das diretivas do Conselho Militar Revolucionário da República. O exército mais combativo, mesmo que não se modifiquem as demais condições pode sofrer uma derrota se as diretivas do Centro são erradas e se não mantém um contacto estreito com os exércitos vizinhos. É indispensável estabelecer nas frentes e sobretudo na frente Este um regime de estrita centralização das operações dos diferentes exércitos, afim de traçar normas estratégicas seriamente concebidas e bem determinadas. A arbitrariedade ou a ligeireza na elaboração das diretivas, a falta de rigorosa precisão de todos os dados e como consequência a frequente modificação de normas e a falta de firmeza das mesmas, como acontece no Conselho Militar Revolucionário da República, tornam impossível a direção dos exércitos, conduzem a uma perda inútil de força e de tempo e desorganizam a frente"(21).

Estas idéias de Stálin não perderam a sua atualidade. Elas têm um valor imenso para todos aqueles que desejam se preocupar a fundo com questões militares.

Resumindo a atuação de Stálin, no período da guerra civil, diz a biografia organizada pelo Instituto Marx-Engels-Lênin:

"Stálin foi o inspirador e o organizador direto das mais importantes vitórias do exército Vermelho. O Partido enviava Stálin a todas as frentes em que se decidia a sorte da Revolução. Stálin foi o criador dos planos estratégicos mais importantes. Dirigiu, no próprio local, as operações decisivas nas batalhas. Próximo a Tzaritzin e a Perm, nas imediações de Petrogrado e contra Denikin, no oeste, contra a Polônia dos panis e, no sul, contra Wrangel; em todas as partes, a vontade de ferro e o gênio estratégico de Stálin asseguravam a vitória da Revolução. Stálin foi o educador e o dirigente dos Comissários de Guerra, sem os quais, segundo a definição de Lênin, não teria sido possível o Exército Vermelho. O nome de Stálin está unido às mais gloriosas vitórias do Exército Vermelho".(22)

Em 27 de novembro de 1919, o Comitê Executivo Central resolveu condecorar Stálin com a ordem da Bandeira Vermelha por:

"acudindo pessoalmente às linhas de combate ter sabido, sob o fogo, alentar com seu exemplo as fileiras dos que lutavam pela República Soviética". "Num momento de mortal perigo, quando o poder dos Soviets, acossado de todas as partes, rechaçava os golpes do inimigo, Josef Vissarianovich Stálin soube, com sua energia e com seu trabalho infatigável, agrupar as fileiras do Exército Vermelho",

que fraquejava e conduzi-lo à vitória. Não é demais afirmar que Stálin foi o grande estrategista da guerra civil.

Entrava definitivamente na história militar dos povos um exército de novo tipo: o exército de uma sociedade em marcha para a abolição das classes, um exército onde os choques de classes antagônicas não mais se verificavam. Um exército consciente de sua missão revolucionária e educado ideologicamente por um trabalho político sistemático realizado pelos Comissários Políticos, cuja missão já havia sido estabelecida por Stálin no período da guerra civil, como sendo "os guias políticos e morais de seu regimento, os primeiros guardiães de seus interesses materiais e espirituais, o pai e a alma de seu regimento"(23). Um exército onde a união entre comando e comandados, entre frente e retaguarda, se solidificava no decorrer da guerra, ao invés de aprofundar-se em irreconciliáveis contradições de interesses opostos. Podia-se dizer, no tom mais elevado, em suas mais completas consequências, que então se iniciava uma nova fase da história da humanidade.

A Guerra Patriótica

O dia de junho de 1941 abre um novo período na história da União Soviética: a Alemanha nazista ataca traiçoeiramente a gloriosa pátria dos trabalhadores. Imediatamente foi criado o Comitê de Defesa do Estado, em cujas mãos ficava concentrada a plenitude do poder do Estado, tendo como presidente Stálin.

Assim, Stálin se colocou à frente das forças armadas da URSS. E a 3 de julho de 1941, onze dias após a agressão alemã, Stálin disse:

"A história demonstra que não tem havido exércitos invencíveis"... "Hitler será derrotado''.

Stálin delineia os objetivos ambiciosos do gigantesco plano de operações de Hitler, numa antevisão perfeita do que iria suceder:

"... Avançando para o interior de nosso país, o exército alemão se afasta, de sua retaguarda alemã, vê-se obrigado a operar num ambiente hostil, vê-se obrigado a criar uma nova retaguarda num país alheio, retaguarda fustigada, além disso, por nossos guerrilheiros"(24).

Aliás, Stálin já havia chamado a atenção, em 1928, sobre a importância da retaguarda para um exército em operação. Naquela época, Stálin acentuava:

"Que é um exército sem uma retaguarda sólida? Nada. Os maiores exércitos, os exércitos mais bem armados se desmoronaram, reduziram-se a pó, por não terem uma retaguarda sólida, por não contar com o apoio e a simpatia da retaguarda"(25).

Entretanto, os técnicos militares do mundo capitalista previam para meses, semanas, e até dias, o colapso total do Exército Vermelho. Foi quando Stálin afirmou:

"Até hoje as tropas nazistas não encontraram resistência séria". "Nossas forças são incalculáveis". "Avante! por nossa vitória!"(26).

O que caracteriza uma ciência como tal é a sua capacidade de prever de, estudando as leis de desenvolvimento, saber aplicá-las a uma determinada fase de um processus determinado. As ordens do dia de Stálin, elaboradas nos primeiros dias da invasão germânica, quando tudo parecia antever a derrota do Exército Vermelho, são uma demonstração eloquente, irrespondível, da supremacia do método materialista dialético aplicado à ciência militar sobre o método formal de encarar a guerra à luz dos princípios eternos e imutáveis da guerra. O simples confronto das predições de Stálin, realizadas em 1941, com o desenrolar real dos acontecimentos militares na segunda grande guerra mundial, é bastante para se concluir definitivamente que algo de novo emergia na história militar dos povos. Atente-se apenas para um fato: nos primeiros dias da guerra, os técnicos ocidentais supunham que o governo soviético iria enviar às fronteiras todas as suas reservas para deter os alemães. Mas o comando soviético ordenou que não se deixasse nos territórios abandonados nem uma só locomotiva, nem um só vagão, nem um só quilo de trigo, nem um litro de combustível. Que se organizassem as guerrilhas. Era, desde o início da guerra, a demonstração cabal da confiança absoluta na homogeneidade do Estado Soviético, na absoluta identidade entre o povo e governo, entre tropas e comandos.

E não se diga que eram medidas de emergência ante o "ímpeto irresistível da blitzkrieg".

O coronel Makhin cita vários trechos de teóricos militares soviéticos, inclusive o de M. Slavin, autor da obra "As Questões da Organização Militar", publicada em 1935, na União Soviética, onde mostra a ausência absoluta de uma guerra de caráter inicialmente ofensivo. Diz M. Slavin:

"Ressalta de toda a literatura soviética abdicada aos problemas militares, que a especificidade da doutrina militar da URSS consiste na utilização das novas condições econômicas e sociais inerentes ao regime soviético, a saber:

  1. O caráter defensivo das guerras do Estado soviético,, onde não existem móveis para uma guerra ofensiva.
  2. A unidade da nova sociedade que, não comportando classes, participa em seu conjunto dos destinos do Estado, não encerrando contradições internas e, consequentemente, não contendo fermento algum de decomposição.
  3. A possibilidade, graças à solidariedade social, de dispor de reservas humanas inesgotáveis que permitem a mobilização de milhões de soldados de elevado padrão moral.
  4. Um poder de produção considerável, muito acima do dos Estados capitalistas e que assegura amplamente o aprovisionamento do exército em meios técnicos os mais modernos"(27).

Mas não é só. O coronel Makhin cita ainda trechos de um trabalho de M. Botcharov, que diz:

"A guerra de posição, tal qual presenciamos em 1914-1918, não se apresentará mais dentro dos mesmos moldes nem com a mesma envergadura. Dado o caráter particular dos exércitos modernos, os quais, dotados de meios mecânicos e motorizados poderosos, reúnem todas as condições favoráveis à manobra, as operações da próxima guerra apresentarão sobretudo um caráter manobreiro". "Para levar a cabo uma guerra e um combate dentro das condições atuais, deve-se considerar como indispensável uma perfeita e exata organização. Ora, afim de satisfazer tais exigências, é necessário antes de tudo um soldado e um chefe conscientes. Os dirigentes do Estado Soviético julgam que, sob este ponto de vista, o Exército Vermelho apresentará vantagens incomparáveis relativamente às tropas das potências imperialistas, onde uma guerra demorada trará inevitavelmente uma agravação na luta de classes que, por sua vez, entravará a conduta organizada da guerra, das operações e dos combates. As potências imperialistas encontrar-se-ão, durante a guerra, em face de um problema político da mais alta importância: manter sob seu domínio as imensas massas operárias que deverão compor suas tropas"(28).

Ainda que Stálin, desde a terminação da guerra civil, não figurasse oficialmente como integrante do quadro efetivo do comando militar soviético, jamais deixou de ocupar-se a fundo das questões relacionadas com a defesa da URSS Em muitos dos seus trabalhos e em todos os seus históricos informes, encontramos indicações precisas sobre questões relacionadas com a defesa da pátria do socialismo ou mesmo com problemas especificamente militares. Assim, em seu informe ao XVI Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da União Soviética, em 1950. Stálin nos apresenta um valioso ensinamento sobre a verdadeira concepção da ofensiva:

"Nunca houve nem pode haver ofensiva vitoriosa sem reagrupamento das forças no decorrer da ação, sem reforçamento das posições conquistadas, sem aproveitamento das reservas para desenvolver os resultados obtidos e levar a cabo a ofensiva. Um movimento geral para a frente, ou seja a não observação destas regras, levaria infalivelmente a ofensiva ao fracasso e à derrota. A marcha cega para a frente acarreta a morte da ofensiva"(29).

Num discurso aos quadros de comando saídos da Academia do Exército Vermelho, em 1935, Stálin dizia:

"Concluístes a escola superior e adquiristes nela a primeira têmpera. Mas a escola é apenas um grau preparatório. A verdadeira têmpera os quadros a adquirem é no trabalho vivo, fora das aulas, na luta contra as dificuldades, na superação dessas dificuldades. Recordai, camaradas, que só são bons aqueles quadros que não têm medo das dificuldades, que não se escondem diante das dificuldades, mas que, pelo contrário, marcham ao seu encontro para superá-las e liquidá-las. Só na luta contra as dificuldades se forjam os verdadeiros quadros. E se nosso Exército chegar a ter um quantidade suficiente de quadros verdadeiros, temperados, será invencível"(30).

Diante do agravamento da situação internacional, já em 1938 era criado na União Soviética o Conselho Supremo Militar, composto de 11 membros. Esse Conselho tinha por missão o exame e a solução dos problemas fundamentais relacionados com a estruturação do Exército Vermelho. Justamente à frente deste Conselho, encontrava-se Stálin.

Desde então as forças armadas soviéticas:

"sofreram modificações consideráveis e, em alguns aspectos, radicais, no que se refere à sua organização, armamento, equipamento técnico e preparação para o combate"(31).

Segundo o próprio Voroshilov, tais modificações seguiram as indicações do grande Stálin, sendo que elas tiveram uma importância considerável para a atuação magnífica do exército soviético no desenrolar da segunda grande guerra.

Determinado pelo fator surpresa e pela traição, bem como pela completa mobilização de suas forças militares, que já contavam com a experiência de dois anos de guerra, a Alemanha nazista ocupou rapidamente uma parte considerável do território soviético. Criava-se então uma situação perigosa, mas a 19 de julho de 1941 Stálin era nomeado Comissário do Povo de Defesa da URSS Stálin realizou, então, um imenso trabalho para revigorar as forças armadas soviéticas. O comando soviético, dirigido por Stálin, pôde antever todo o desenrolar da guerra. À luz do marxismo, prevê com precisão científica a derrota inexorável das hordas do imperialismo hitlerista.

Stálin já não é só o chefe insurreto ou o general que comanda um exército forjado nas mais duras condições de luta. Agora é o generalíssimo-em-chefe do maior exército do mundo cientificamente organizado. De todo um organismo que atinge o máximo de complexidade, na ação combinada dos mais modernos engenhos e da mais avançada técnica. E tudo isto combinado ainda com a ação de formidáveis destacamentos guerrilheiros, a pé e a cavalo, operando nas retaguardas inimigas com tanques e canhões, em extensas regiões que chegaram a atingir a mais de 2 milhões de quilômetros quadrados.

Sob a direção de Stálin, o Exército Soviético aplicou com enorme eficiência a tática da defesa ativa. O objetivo principal dessa tática era extenuar o inimigo, aniquilar ao máximo suas forças combatentes, seu material de guerra e preparar as condições para a passagem à ofensiva,

A concepção estratégica do alto comando soviético durante a segunda grande guerra é de uma notável simplicidade: à medida que o Exército Soviético, desgastando o inimigo, cedesse terreno, ia reforçando suas posições "como uma mola que acumulasse forças ao se comprimir", semeando na retaguarda inimiga o desassossego das guerrilhas. Manobrando em retirada até o justo momento em que, como uma mola que se distendesse, passasse à ofensiva e ao aniquilamento do inimigo. Simples na concepção, mas de execução dificílima e só possível nas condições políticas de uma absoluta identidade entre as populações das áreas ocupadas e o comando supremo — expressão militar do poder político. Aliás, Stálin já havia acentuado em 1928 que a primeira e principal particularidade do Exército Soviético consistia no fato de que era um exército de operários e camponeses livres, que contava, portanto, com a simpatia e o apoio dos operários e camponeses. Acentuando o valor desta particularidade, dizia então Stálin:

"Que significa o carinho do povo para com o seu exército? Significa que semelhante exército tem a mais sólida retaguarda; que este exército é invencível. Isto é, antes de tudo, o que distingue nosso Exército Vermelho de todos os demais exércitos que existiram e que existem no mundo"(32).

Apesar disto, uma operação em profundidade, da envergadura da que enfrentou o exército soviético durante a segunda grande guerra, exige, acima de tudo, um chefe com inspiração criadora, servido por grande cultura geral.

"O chefe e seu estado maior devem dominar vastos conhecimentos tanto no que diz respeito à estratégia e à tática quanto no que se refere ao campo da política, da economia e da técnica"(33).

Ademais, o chefe, o comandante, como diz Mao Tsé-Tung:

"nada num imenso oceano de guerra, mantendo a cabeça acima d’água e buscando a outra margem com braçadas medidas e vigorosas. As leis de direção da guerra são um manual de natação para a guerra"(34).

Stálin domina o manual de natação para a guerra e foi por isso que nem uma das grandes batalhas da guerra patriótica, defensivas ou ofensivas, — Moscou, Stalingrado, Kursk, Dnieper, lassi-Kichenev, Korsum, Shvchenkoviski, Berlim — deixou de ser planificada, pelo menos em suas linhas gerais, pelo Comando supremo, do qual a figura central era Stálin.

O alto comando hitlerista baseou toda a sua estratégia no rápido esmagamento da União Soviética. Já em 3 de julho de 1941, Stálin mostrava a inconsistência da estratégia da "guerra relâmpago", desfazendo ainda o mito da invencibilidade do exército alemão. Entretanto, o comando alemão seguia os seus planos aventureiros. Seguindo as ordens de Hitler de que Moscou fosse "tomada a todo custo no mais breve prazo", o comando alemão, sem ter em conta as enormes perdas em homens e materiais de guerra, lançou em combate as suas reservas. À custa de perdas colossais, os alemães conseguiram irromper na região de Moscou.

A camarilha hitlerista pensava que, conquistando Moscou, obrigaria a União Soviética a capitular. Mas isto não passava de um sonho irrealizável. A 19 de outubro de 1941, Stálin, como presidente do Comitê de Defesa do Estado, declarou o estado de guerra na região de Moscou. O próprio Stálin elaborou e levou à prática o plano de defesa de Moscou, o plano de derrota das tropas alemãs.

Enquanto o comando militar fascista preparava sua ofensiva geral contra Moscou, Stálin pronunciava os seus dois históricos discursos: a 6 de novembro, na sessão solene do Soviet de Moscou, e no dia seguinte, na Praça Vermelha, nos quais se dirigiu especialmente aos combatentes soviéticos. O Exército Soviético respondeu aos discursos do seu grande chefe, reforçando seus golpes contra as hordas nazistas.

A defesa de Moscou foi dirigida pessoalmente por Stálin. Ele orientou as operações do Exército Soviético, animou os soldados e os comandantes, e dirigiu a construção das fortificações nas vias de acesso à capital soviética. Para mostrar a atenção com que Stálin seguia os acontecimentos da frente de batalha, basta citar as palavras do marechal Rokossowsky, que comandava um dos exércitos em luta:

"Inesperadamente fui chamado pelo telefone: "Fala Stálin. Informe-me sobre a situação". Com todo detalhe, procurando não passar por cima nem mesmo do menor detalhe, descrevi a situação em nossa frente. Como resposta, ouvi a voz tranquila do chefe: "Mantenham-se firmes. Enviamos-lhe ajuda"(35).

A tarefa inicial das tropas soviéticas, determinada por Stálin, era desgastar as forças do inimigo por meio de uma defesa ativa e criar as condições para a derrota decisiva dos alemães. As sucessivas medidas tomadas por Stálin permitiram às tropas soviéticas terminar a retirada e pouco depois passar à contra-ofensiva. Assim:

"em dezembro, por ordem do camarada Stálin, desfecharam-se de surpresa sobre as tropas alemães os golpes de vários exércitos soviéticos, concentrados na zona de Moscou. Após tenazes combates, os alemães não resistiram a este impulso e começaram a retirar-se em desordem. As tropas soviéticas continuaram atrás das desfeitas agrupações alemães e no transcurso do inverno avançaram em alguns sítios mais de 400 quilômetros para o Oeste. O plano hitlerista de cerco e tomada de Moscou havia caído por terra"(36).

A derrota do exército alemão em Moscou foi um acontecimento militar de importância decisiva e a primeira grande derrota das hordas fascistas na segunda grande guerra. Se no primeiro período da guerra patriótica, que durou até a batalha de Moscou, todos os planos do comando soviético tinham sido estabelecidos na base da defesa estratégico-operativa, com o objetivo fundamental de esgotar o inimigo e causar-lhe o maior número de perdas, o fim do ano de 1941 se caracterizou por uma virada no curso da guerra, com a passagem da iniciativa estratégica para as mãos do Exército Soviético. Isto se deve à sábia direção stalinista.

Com razão, acentua o coronel I. Korotkov:

"O êxito da batalha de Moscou foi determinado pela genial previsão de Stálin de todos os fatores que deram lugar à situação concreta, começando por seus planos estratégicos e terminando pelos menores detalhes da preparação dos combates e de toda a operação"(37).

As batalhas de cerco e aniquilamento representam na arte militar a maneira mais completa de resolver o magno problema da guerra: a destruição do exército inimigo. Exatamente por isso tais batalhas foram sempre o sonho dourado de todos os generais da história. Aníbal, na batalha de Cannes, representava o que havia de clássico. Como era concebida a idéia de manobra de Aníbal? Da seguinte maneira:

Primeiro: a ruptura ou o envolvimento pelas alas da frente inimiga, produzindo o cerco estratégico (ou operativo como o classifica a ciência militar soviética). Cerco amplo onde o inimigo ainda pode manobrar nas linhas interiores da posição envolvida e, na maioria das vezes, consegue romper o cerco.

Segundo: transformação do cerco operativo em cerco tático, onde o inimigo apertado nas tenazes, é batido de todas as direções pelo fogo da artilharia e, privado de sua capacidade de manobra, se vê, por fim, obrigado a render-se ou ser aniquilado.

A história, porém, não conhecia ainda uma reprodução da engenhosa batalha vencida pelo general cartaginês. E não conhecia porque a passagem do cerco estratégico para o cerco tático demanda um tempo mais ou menos longo e, uma vez que os exércitos em choque — o envolvente e o envolvido — tenham a mesma composição social, o exército envolvido, manobrando nas linhas interiores, depois de tatear a linha envoltória, acha um ou vários pontos fracos sobre os quais pode, jogando o peso de suas forças, romper o cerco antes do mesmo apertar-se a ponto de roubar-lhe as possibilidades de manobra.

Assim, por exemplo, Prestes, durante a marcha da "Coluna Invicta", por várias vezes rompeu o cerco estratégico que as tropas legalistas lhe armaram. Em um nosso estudo sobre as primeiras operações da Coluna publicado no n.° 161 de "A Classe Operária" (29-1-49), sob o título "Prestes, o Guerrilheiro das Américas", tivemos oportunidade de mostrar como Prestes rompeu o cerco estratégico na região das Missões, em 1924, iniciando a sua famosa marcha através do Brasil. É claro que Prestes contava com o mais importante fator para romper os cercos: a simpatia política das populações das áreas em que se viu cercado; e isto explica, aliado à sua grande capacidade de comando, porque conseguia sempre e sempre romper os cercos estratégicos com que visavam esmagá-lo.

Outro exemplo: contra o Exército Vermelho Chinês foram organizadas pesadíssimas operações de cerco e aniquilamento, onde, por vezes, os efetivos atacantes do Kuomintang eram de 300.000 homens contra 30.000 do exército Vermelho Chinês. No entanto, a transformação dos cercos estratégicos em cercos táticos, nunca pôde se realizar.

Pois bem, a batalha de Stalingrado que "foi concebida por Stálin e posta em execução sob sua orientação pessoal", conforme acentua o Marechal Rokossowsky, vai fornecer, em gigantescas proporções, o segundo grande exemplo histórico.

"A história não conhece uma batalha semelhante, nem uma operação ofensiva no curso da qual tenha sido resolvida tão completamente a tarefa de destruição de forças tão enormes"(38).

O êxito completo dependeu fundamentalmente da eleição exata do momento crítico da batalha, "quando a passagem à ofensiva era mais favorável", quando a mola obtivesse o máximo de poder de distensão, e ainda quando o inimigo não houvesse se apercebido disso. Antes seria encontrar o inimigo pouco desgastado; depois seria dar-lhe tempo de aperceber-se de que, tendo chegado ao limite ofensivo de suas forças, poderia montar a defensiva, o que anularia o efeito liquidante do cerco operativo, seguido do cerco tático.

Na batalha de Stalingrado, as indicações de Stálin não se limitaram somente ao que já era muito: a concepção do plano estratégico. Desceu a indicações valiosas e oportunas de como conduzir as lutas de rua, numa grande cidade, nas condições da guerra moderna. Era o antigo revolucionário unindo sua experiência bolchevique ao talento do estrategista. A batalha de cerco e aniquilamento, de Stalingrado, determinou não só a liquidação de um exército germano-fascista de 330 mil homens, mas constituiu também um modelo perfeito e histórico das batalhas stalinistas de destruição do inimigo.

Depois, foi a batalha de Kursk. O inimigo fora derrotado em Moscou e Stalingrado durante o inverno. A crítica reacionária costumava não separar as vitórias soviéticas do fator climatérico, do "aliado incondicional" dos russos, o "general inverno"...

A batalha de Kursk, onde mais uma vez a estratégia stalinista se firma como realizadora magistral de audaciosa batalha de cerco e aniquilamento, desenrolou-se em pleno verão. E, com a vitória, liquidou-se a ultima tentativa nazista de recuperar a iniciativa estratégica ao longo de toda a imensa frente que se estendia, então, do Báltico ao Mar Negro. O próprio Stálin disse que:

"se a batalha de Stalingrado anunciou o ocaso do exército fascista alemão, a batalha de Kursk colocou-o diante da catástrofe"(39).

Korsum-Shevchenkovski, Vitebski, Iassi-Kichinev e Berlim são outros exemplos de batalhas de cerco e aniquilamento. Assim todo o desenrolar da guerra, depois da histórica batalha de Stalingrado, mostrou com que maestria o exército soviético, sob o comando supremo de Stálin, soube realizar as manobras de cerco, conduzindo-as sempre até o aniquilamento completo das tropas inimigas cercadas.

Que fez, nesse sentido, o tão decantado exército alemão?

Os militaristas alemães, educados na escola de Clausewitz, Moltke, Seeckt e Von Schlieffen, costumavam intitular-se a si próprios de mestres nas batalhas de cerco. Mas na verdade eles nunca foram capazes de realizar na prática uma batalha de cerco completo e de aniquilamento. Sedan, em 1870, de que tanto se jactavam, não passou de uma caricatura da genial realização do grande cartaginês. O próprio Schlieffen fracassou em seu plano no Marne, na primeira guerra mundial, plano que conduziu a uma guerra prolongada que terminou com a derrota da Alemanha. Os alemães tentaram também aplicar contra o exército soviético o famoso plano de Cannes. Todas as vezes, entretanto, fracassaram. Nada conseguiram com seus planos de tomar Leningrado por meio de cerco. O mesmo aconteceu em Moscou: invés do Cannes esperado, o exército alemão sofreu uma séria derrota.

A batalha de Cannes foi travada 216 anos antes de Cristo. O chefe das legiões romanas, Terêncio Varrão, decidiu derrotar Aníbal e Aníbal havia concebido seus planos para derrotar os romanos. Terêncio levou a cabo a seguinte idéia: golpear duramente o inimigo através de uma potente investida e arrojá-lo no Mar Adriático. A idéia de manobra de Aníbal era outra: receber a investida das legiões de Terêncio sobre seu centro débil, avançar sobre os flancos dos romanos, atingir a sua retaguarda, cercar e aniquilar enfim o inimigo. Como se sabe, essa manobra genial foi realizada brilhantemente pelo general cartaginês. Durante mais de 2.000 anos o mundo não assistiu a outra batalha de cerco e aniquilamento com a destruição completa do inimigo envolvido. Von Schliefen, citado pelo Major-General N. Talenski, dizia que para uma repetição de Cannes

"era indispensável, de uma parte, um Aníbal, e de outra, um Terêncio Varrão"(40).

É que Schliefen não compreendia a possibilidade de se defrontarem dois exércitos de composição política e social diversas. De qualquer modo, porém, dois mil anos rolaram sobre a batalha de Cannes, sem que o mundo a visse reproduzida. Em contraposição, a estratégia soviética, a estratégia proletária, a estratégia stalinista, no curso dos três últimos anos da guerra patriótica, realizou nada menos de 6 gigantescas batalhas de cerco e aniquilamento — as maiores do mundo, até hoje. Não se deve esquecer que as batalhas de cerco e aniquilamento apresentam dificuldades extraordinárias nas condições de um exército moderno e experimentado, como era, por exemplo, o exército alemão. Entretanto, o Exército Soviético executou todas as suas batalhas de cerco com maestria excepcional, tendo-as conduzido sempre até o aniquilamento completo do inimigo.

E supervisionando todas elas, o talento criador de Stálin. Isto não constitui um mero jogo de palavras elogiosas. A ordem do dia n.° 16 de Stálin, mostra-nos claramente toda a sua concepção sobre a manobra de cerco completo e destruição das forças principais do inimigo:

"A todo o Exército Vermelho: forçar a defesa do inimigo em toda a profundidade de sua disposição, mediante a hábil combinação do fogo e da manobra, não dar trégua ao inimigo, liquidar em seu devido tempo os intentos inimigos de conter. nossa ofensiva, mediante contra-ataques, organizar habilmente a perseguição do inimigo, não lhe permitir retirar o material de guerra, envolver com audazes manobras os flancos das tropas inimigas, penetrar em sua retaguarda, cercar as tropas do adversário, fracioná-las, triturá-las e aniquilá-las, se se negam a depor as armas"(41).

Aliás, os mais eminentes chefes militares não deixam nunca de acentuar que Stálin

"foi o artífice de todos os planos estratégicos da guerra" e que "todas as principais operações do Exército Soviético foram planejadas, preparadas e realizadas sob sua direção imediata"(42).

Atente-se ainda nessa passagem de uma conferência de um dos maiores técnicos militares de nossa época o marechal Rokossowski, e compreender-se-á que Stálin é, de fato, criador, inovador, na ciência militar:

"Sempre presumimos que, ao efetuar-se o ataque, os golpes se dividissem em principal e secundários. Stálin, porém, demonstrou-nos como fazer uma nova apreciação criadora das concepções estabelecidas. Quando, por exemplo, ao preparar uma de nossas operações, eu planejava dirigir o golpe principal numa direção e o golpe secundário noutra, Stálin refletiu um momento e disse: "Temos forças suficientes para desfechar os dois golpes. Peço-lhe que desfeche os dois golpes sem dividi-los em principal e secundário". Esta diretiva do comandante em chefe assegurou o êxito completo da operação. Ela me ensinou muito e, mais tarde, apliquei suas lições na escolha de variações de ataques operacionais e também na disposição das tropas no campo de batalha, obtendo os maiores sucessos".

O Maior General da História

Mas por que Stálin é o maior general da História, sem haver cursado nenhuma academia militar?

A resposta se impõe com evidência indestrutível: Stálin teve a oportunidade de aplicar o método materialista dialético à realidade de três períodos diferentes da história militar contemporânea e ninguém, como Stálin, dominou, assimilou e fundiu numa só pessoa a sabedoria política e a cultura filosófica com o domínio da ciência militar. De fato, só um gênio simultaneamente político e militar podia escrever um trabalho como ''Sobre os Fundamentos do Leninismo", síntese magistral onde se estuda com profundidade e segurança, a estratégia e a tática da revolução, nas referentes etapas de desenvolvimento da sociedade contemporânea.

Stálin desenvolveu e revolucionou a ciência militar. A biografia de Stálin, do Instituto Marx-Engels-Lênin, sintetizando a monumental contribuição de Stálin nesse terreno, assim se expressa:

"Stálin elaborou a tese sobre os fatores de ação permanente, que decidem a sorte da guerra sobre a defesa ativa e as leis da contra-ofensiva e da ofensiva, sobre a cooperação das diferentes armas e do material de guerra nas condições modernas da guerra, sobre o papel das grandes massas de tanques e aviação na guerra moderna, sobre a artilharia como a arma mais poderosa. Nas diferentes etapas da guerra, o gênio stalinista achou as soluções justas, que tinham em conta totalmente as particularidades da situação"(43).

A ciência militar stalinista se revelou aos olhos do mundo tanto na defensiva como na ofensiva. Seguindo as indicações de Stálin, o Exército Soviético dominou a arte da combinação da defesa ativa com a preparação da contra-ofensiva e da combinação da ofensiva com uma sólida defesa. Além disso, acentua ainda a biografia de Stálin, do Instituto Marx-Engels-Lênin:

"Stálin elaborou e aplicou magistralmente a nova tática da manobra, a tática de ruptura simultânea da frente do adversário em vários setores, com o propósito de não permitir ao adversário concentrar suas forças formando um punho de choque; a tática da ruptura consecutiva da frente do adversário em vários setores quando uma ruptura segue a outra, com o propósito de obrigar o adversário a perder tempo e forças no reagrupamento de suas tropas; a tática da ruptura dos flancos do adversário, da saída para a retaguarda, do cerco e aniquilamento de grandes agrupamentos de tropas inimigas"(44).

Quem quer que examine as operações militares soviéticas realizadas sob a direção de Stálin, encontrará sempre concepções militares de uma originalidade criadora. O tenente-general Vorobiov acentua que Stálin:

"resolveu genialmente o problema da continuidade da ofensiva em toda a frente, em grande profundidade, criando a nova arte da manobra com as reservas. A intensificação da força do golpe no curso da ofensiva, assim como a utilização das reservas do chefe supremo, oportunamente preparadas e concentradas nas direções decisivas, permitiam sustentar a ofensiva até à completa solução das tarefas estabelecidas"(45).

A vitória histórica da União Soviética na segunda grande guerra foi o resultado da direção stalinista, o resultado do triunfo do gênio militar de Stálin, o resultado da insuperável maestria de Stálin na direção da guerra moderna.

Cícero, defendendo as qualidades de Pompeu para comandar as legiões romanas, dizia que Pompeu conquistara mais vitórias em batalhas do que outros generais pensaram travar; que Pompeu conquistara mais terras do que os mais ambiciosos reis sonharam dominar; que Pompeu era enérgico, previdente e sagaz e que, sobretudo. Pompeu tinha uma qualidade necessária, imprescindível a um grande general: a boa estrela.

Stálin também tem a sua "boa estrela": o método materialista-dialético de raciocinar e de agir e a possibilidade de comandar soldados de novo tipo — os combatentes soviéticos da grande pátria socialista.

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Notas de rodapé:

(1) Apolônio de Carvalho — "A VOZ OPERÁRIA", de 17-12-1949 — Rio. (retornar ao texto)

(2) M. Botcharov, em artigo intitulado "Os métodos da guerra citado pelo Coronel Makhin em "L'ARMÉE ROUGE", pag. B5 — Edição Payot, 1938 — Paris. (retornar ao texto)

(3) Hoje, com a existência do Exército Vermelho da China e dos das Democracias Populares, esta generalização é perfeitamente cabível. (retornar ao texto)

(4) Ten. Gen. V. Vorobiov. "O Generalíssimo Stálin, Grande Chefe Militar" — "Espanha Democrática", n.° 630, 21-12-1949 — Montevidéu. (retornar ao texto)

(5) J. V. Stálin — "La gran Guerra Patria de la Union Sovietica", pag. 43. Ediciones en lengua extranjera. — Moscou. (retornar ao texto)

(6) Mao Tse-Tung — "Strategic Problems of China's Revolutionary War", pag. 63. (retornar ao texto)

(7) Historia de la Guerra Civil de la URSS, 2.° volume — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1946 — Moscou. (retornar ao texto)

(8) M. Stepánov — "O Partido Bolchevique — Inspirador e Organizador da Revolução de Outubro" — PROBLEMAS, n.° 22, pág. ,54 — Rio. (retornar ao texto)

(9) J. Stálin — "História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS", pág. 91 — Edições Horizonte — Rio. (retornar ao texto)

(10) Bertoldo Friedl —"Os Fundamentos Teóricos da Guerra e da Paz na URSS" — Passim. (retornar ao texto)

(11) V. I. Lênin — "Sustentar-se-ão os bolcheviques no Poder?", págs. 40-41 — Ediciones en Lenguas Extranjeras — 1940 — Moscou. (retornar ao texto)

(12) Mao Tsé-Tung — "Strategic Problems of China Revolutionary War", pág. 85 — China. (retornar ao texto)

(13) K. Voroshilov — "Stálin y El Ejército Rojo", págs. 10 e 11 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou. (retornar ao texto)

(14) G. F. Alexandrov e outros — "STÁLIN", pág. 47 — Biografia do Instituto Marx-Engels-Lenin — Editorial Vitória — Rio. (retornar ao texto)

(15) G. F. Alexandrov e outros — "STÁLIN". pág. 47 — Biografia do Instituto Marx-Engels-Lenin — Editorial Vitória — Rio. (retornar ao texto)

(16) Citado por K. Voroshilov em "Stálin y el Ejercito Rojo", pág. 16 — Ediciones en Lenguas Extranjeras — 1939 — Moscou. (retornar ao texto)

(17) Bertoldo Friedl — "Os Fundamentos Teóricos da Guerra e da Paz na URSS" — Passim. (retornar ao texto)

(18) K. Voroshilov — "Stálin y el Ejercito Rojo", pág. 18 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou. (retornar ao texto)

(19) K. Voroshilov — "Stálin el Ejercito Rojo", pág. 19 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou. (retornar ao texto)

(20) K. Voroshilov — "Stálin y el Ejercito Rojo", págs. 21 e 25 Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou. (retornar ao texto)

(21) K. Voroshilov — "Stálin y el Ejercito Rojo", págs. 21 e 25 Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou. (retornar ao texto)

(22) G. F. Alexandrov e outros — "STÁLIN", pág. 53 — Biografia do Instituto Marx-Engels-Lênin — Editorial Vitória — Rio. (retornar ao texto)

(23) L. Mejlis — "Intervenção ao XVIII Congresso do P. C. (bolchevique) da URSS", pág. 47 — Ediciones en Lenguas Extranjeras — Moscou. (retornar ao texto)

(24) J. Stálin — "La Gran Guerra Patria de la Union Soviética" (Informe de 6 de novembro de 1941), pág. 21 — Ediciones en Lenguas Extranjeras — Moscou. (retornar ao texto)

(25) J. Stálin — "Tres Particularidades del Ejercito Rojo", pág. 5 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou.(retornar ao texto)

(26) J. Stálin — "La Guerra Patria de la Union Soviética", pág. 21 — Ediciones en Lenguas Extranjeras — Moscou. (retornar ao texto)

(27) Coronel Makhin — "L'Armée Rouge", pág, 67 — Edição Payot, 1938 — Paris. (retornar ao texto)

(28) Coronel Makhin — "L'Armée Rouge", págs. 70 e 71 — Edição Payot, 1938 — Paris. (retornar ao texto)

(29) J. Stálin — "Em Marcha para o Socialismo", págs. 115 e 116 — Editorial Marenglen, 1931 — São Paulo. (retornar ao texto)

(30) J. Stálin — "Cuestiones del Leninismo", págs. 585 e 586 — Ediciones en Lenguas Extranjeras — Moscou. (retornar ao texto)

(31) K. Voroshilov — "Intervenção ao XVIII Congresso do P. C. (b) da URSS", em "El País del Socialismo Hoy y Mañana" — Ediciones en Lenguas Extranjeras — Moscou. (retornar ao texto)

(32) J. Stálin — "Três Particularidades del Ejercito Rojo", pág. 5 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1939 — Moscou.(retornar ao texto)

(33) Coronel Makhin — "L'Armée Rouge", pág. 84 — Edição Payot, 1938 — Paris. (retornar ao texto)

(34) Mao Tsé-Tung — "Strategic Problems of China's Revolutionary War", pág. 16 — China. (retornar ao texto)

(35) C. Rokossowsky — Citado pelo Coronel I. Korotkov en "Las Principales Operaciones del EJERCITO ROJO", págs. 26 e 27,— Editorial Lautaro — Buenos Aires, Argentina. (retornar ao texto)

(36) G. F. Alexandrov e outros — "Stálin", pág. 122 — Biografia do Instituto Marx-Engels-Lênin, Editorial Vitoria — Rio. (retornar ao texto)

(37) Coronel I. Korotkov — "Las Principales Operaciones del EJERCITO ROJO", pág. 34 — Editorial Lautaro — Buenos Aires, Argentina. (retornar ao texto)

(38) Maj. Gen. Zamiatin — "Las Principales Operaciones del EJERCITO ROJO", pág. 71 — Editorial Lautano — Buenos Aires — Argentina. (retornar ao texto)

(39) J. Stálin — "La Gran Guerra Patria de la Union Soviética", pág. 119 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1946 — Moscou. (retornar ao texto)

(40) Major General N. Talenski — "Principales Operaciones del EJERCITO ROJO", pág. 173 — Editorial Lautaro-Buenos Aires Argentina. (retornar ao texto)

(41) Ten. General V. Vorobiov — "El Generalissimo Stálin, Gran Jefe Militar" — "España Democratica" de 21 de dezembro de 1949 — Montevidéu — Uruguai. (retornar ao texto)

(42) J. Stálin — "La Gran Guerra Patria de la Union Soviética", pág. 147 — Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1946 — Moscou. (retornar ao texto)

(43) G. F. Alexandrov e outros —- "Stálin", pág. 144 — Biografia do Instituto Marx-Engels-Lênin — Editorial Vitória — Rio. (retornar ao texto)

(44) G. F. Alexandrov e outros — "Stálin", págs. 144 e 145 — Biografia do Instituto Marx-Engels-Lênin — Editorial Vitória — Rio. (retornar ao texto)

(45) Tenente-General V. Vorobiov — "El Generalíssimo Stálin, Gran Jefe Militar", em "Espana Democratica" de 21 de dezembro de 1949 —.Montevidéu — Uruguai. (retornar ao texto)

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É evidente que o único regime capaz de resolver o problema nacional, isto é, o único regime capaz de criar as condições que assegurem a convivência pacífica e a fraternal colaboração dos diversos povos e raças, é o regime do Poder Soviético, o regime da ditadura do proletariado".
Stálin

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Inclusão 08/11/2011