Pôr o Acento na Unidade e no Progresso

Mao Tsetung

10 de Fevereiro de 1940


Primeira Edição: Artigo escrito pelo camarada Mao Tsetung para o jornal Sintchunghuapao, de Ien-an, por ocasião do primeiro aniversário da respetiva fundação.
Tradução: A presente tradução está conforme à nova edição das Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Tomo II (Edições do Povo, Pequim, Agosto de 1952). Nas notas introduziram-se alterações, para atender as necessidades de edição em línguas estrangeiras.
Fonte: Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Pequim, 1975, Tomo II, pág: 663-666.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo

Direitos de Reprodução: Licença Creative Commons licenciado sob uma Licença Creative Commons.


capa

A resistência, a unidade e o progresso constituem os três grandes princípios formulados pelo Partido Comunista no ano passado, por ocasião do aniversário do Incidente de 7 de Julho. Esses princípios formam um todo de que nenhum deve ser dissociado. Se se pusesse unicamente o acento na resistência, e não na unidade e progresso, a “resistência” seria precária e não poderia durar muito. Sem um programa de unidade e progresso, essa resistência transformar-se-ia tarde ou cedo em capitulação ou desembocaria numa derrota. Nós, os comunistas, pensamos que os três princípios devem estar rigorosamente integrados num todo. Para fazer a Guerra de Resistência é indispensável lutar contra a capitulação, contra o pacto de traição concluído por Uam Tsim-vei, contra o governo fantoche deste e contra todos os traidores e capitulacionistas dissimulados na frente anti-japonesa. Para realizar a unidade é indispensável opor-se a atividade cissionista, as fricções internas, aos golpes vibrados nas costas do VIII Exército, do Novo IV Exército e de todas as outras forças progressistas empenhadas na frente anti-japonesa; há que combater toda a tentativa de sabotar as bases anti-japonesas estabelecidas por trás das linhas inimigas, todos os atos de sabotagem contra a região fronteiriça Xensi-Cansu-Ninsia, que constitui a retaguarda do VIII Exército, e levantar-se contra o não reconhecimento de estatuto legal ao Partido Comunista e contra a avalancha de documentos sobre a “limitação da atividade dos partidos heréticos”. Para garantir o progresso é indispensável opor-se a regressão, ao abandono dos Três Princípios do Povo e do “Programa de Resistência ao Japão e Reconstrução da Pátria” e a não execução das instruções contidas no “Testamento do Dr. Sun Yat-sen” a respeito da necessidade de “despertar as massas populares”; é necessário erguer-se contra o internamento dos jovens progressistas em campos de concentração, contra a supressão da exígua liberdade de opinião e de imprensa que ainda existia no começo da Guerra de Resistência e contra a transformação do movimento em prol dum regime constitucional numa empresa burocrática monopolizada por uns quantos; é necessário opor-se aos ataques contra as tropas novas, a perseguição contra a Liga do Sacrifício de Si Próprio e ao massacre de progressistas, no Xansi(1), aos raptos executados pela Liga da Juventude dos Três Princípios do Povo na estrada Sien-iam-Iulin e na via férrea Lom-hai(2), e as práticas vergonhosas daqueles que chegam a ter nove concubinas e se aproveitam das desgraças da nação para amontoar fortunas que atingem os cem milhões de yuan, bem como as brutalidades dos funcionários corrompidos, dos déspotas locais e dos maus nobres. Sem luta contra tudo isso, sem união e sem progresso, a “resistência” não será mais que uma palavra vazia e a vitória uma falsa esperança. Qual deve ser então a orientação política do Sintchunghuapao no seu segundo ano de existência? Pôr o acento na unidade e no progresso, para lutar contra todo o ar envenenado que prejudica a resistência e assegurar novos êxitos a causa da resistência ao Japão.

Compartilhe este texto:
Início da página
 
Visite o MIA no Facebook
 

Notas de rodapé:

(1) A Liga do Sacrifício de Si Próprio (Liga do Sacrifício de Si Próprio pela Salvação da Pátria no Xansi) era uma organização de massas anti-japonesa, com caráter local, criada no Xansi em 1936. Essa organização manteve-se ainda durante os começos da Guerra de Resistência. Cooperando estreitamente com O Partido Comunista, ela desempenhou um papel importante na Guerra de Resistência contra o Japão, nessa província. Em Dezembro de 1939, Ien Si-xan passou abertamente a repressão dessa liga, no oeste da referida província, sendo assassinados em grande número os comunistas, quadros da liga e outros progressistas. (retornar ao texto)

(2) A partir de 1939, sob o nome de “lares” da Liga da Juventude dos Três Princípios do Povo (organização dirigida pelo Kuomintang), o Kuomintang instalou numerosos postos de controle ao longo da estrada Sien-iam-Iulin e da via férrea de Lom-hai. Nessas barragens, agindo de concerto com as forças armadas, os agentes secretos raptavam os jovens e os intelectuais progressistas que iam ou vinham da região fronteiriça Xensi-Cansu-Ninsia. Detidos em campos de concentração, os raptados eram assassinados ou arregimentados de força como agentes secretos do Kuomintang. (retornar ao texto)

Inclusão 10/02/2014